terça-feira, 30 de abril de 2013

Deficientes físicos vão para o palco contra preconceito


Pelo menos dois espetáculos de teatro e de dança envolvendo deficientes físicos devem estrear em Rio Preto no primeiro semestre de 2013.

da Redação

Imagem Internet/Ilustrativa
Um dos projetos é “O Pássaro Azul”, da Além da Arte, que contempla cinco cadeirantes. “A ideia é de inclusão mesmo. Resolvemos agregá-los ao elenco já existente, em vez de criar um grupo só para eles”, explica Paula Spalato, arte-educadora e fundadora da trupe.

Segundo ela, a montagem é inspirada na peça homônima do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck, que chegou às telonas por meio de uma produção norte-americana em 1940. Trata-se de uma história lúdica sobre dois irmãos que saem em busca da felicidade, representada por um pássaro azul.

Os ensaios devem começar no próximo dia 17 e a previsão é de que a obra chegue aos palcos em meados de maio.

Embora o trabalho com deficientes tenha tido início em julho do ano passado, com oficinas e um festival de solos, será a primeira vez que a companhia subirá no palco com uma criação coletiva. Viviane Souza de Lima, 34 anos, é uma das estrelas de “O Pássaro Azul”, ao lado do marido, Alessandro Souza Lima. Ela teve poliomielite aos 6 anos e, aos 25, foi diagnosticada com um tumor na medula espinhal, que comprometeu a mobilidade de seus membros inferiores.

Primeiro, Viviane tornou-se atleta do Clube Amigos dos Deficientes (CAD), competindo em provas de velocidade e de arremesso de peso. Agora, ela se redescobre por meio da arte. “Achei que não daria certo, porque só conhecia o teatro como espectadora. Mas estou adorando atuar”, diz.

Outra ideia de Paula é a utilização dos novatos em funções técnicas de “Clorofila e Hortelã”, que fala sobre questões ecológicas para crianças e está em cartaz há cerca de 20 anos. Planeja-se que as apresentações comecem no mês que vem.

Dança
Iniciativa semelhante é a de Guto Rodrigues, que prepara quase dez coreografias de dança de salão com cadeirantes para o dia 23 de fevereiro, às 20 horas, no Teatro “Nelson Castro”. O espetáculo é o fio de um novelo bem maior. O bailarino, que empresta nome à companhia, envolveu-se com pessoas com dificuldades motoras em 2004, por conta de um projeto acadêmico, e atualmente se dedica a aulas com pacientes da Rede de Reabilitação “Lucy Montoro”, nos intervalos das sessões de terapia.

São mais de 40 alunos, entre os quais vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), de Mal de Parkinson e de paralisia cerebral, amputados, acidentados, entre outros. Desses, mais ou menos a metade usa cadeiras de rodas. “Cada um tem suas limitações. Às vezes, uma coisa aparentemente simples é fruto de um grande esforço”. A história dele acaba de ser publicada no livro “Pela Arte se Inclui”, que sela um concurso da Secretaria de Estado da Cultura.

A obra visa a estimular o caminho das manifestações culturais como ferramenta para combater o preconceito. Essa vertente da carreira de Rodrigues também pode ser conferida por meio da exposição fotográfica “A Dança que Cura a Alma e o Coração”, em cartaz no Riopreto Shopping, entre os dias 14 e 27 deste mês.

Fonte: Diário Web - Imagem Internet/Ilustrativa


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