terça-feira, 30 de abril de 2013

Jovem atropelada tem a perna amputada

Empresário dirigia embriagado quando atropelou amigas; ele pagou fiança de R$ 67,8 mil e acabou liberado.

ISABELA PALHARES E - PEDRO GARCIA - AMERICANA

Ricardo Guimarães: ele pagou fiança e foi liberado
Arquivo/TodoDia Imagem

Depois de ser atropelada na manhã de anteontem, em Americana, a estudante de administração Meire Cristina Pires de Lima, 18, precisou ter a perna amputada no Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O publicitário Ricardo Guimarães, 32, que atropelou a adolescente e a amiga dela, Tamiris Aparecida Paula, 19, pagou uma fiança de R$ 67,8 mil e irá responder por lesão corporal culposa (quando não há intenção) em liberdade. A família afirmou que irá mover uma ação contra o acusado.


Depois do acidente, ele chegou a entrar em uma padaria, que fica em frente ao local, e comprou um isotônico e barras de chocolate. O delegado titular do 4º DP (Distrito Policila), Robson Gonçalves de Oliveira, que lavrou o BO (Boletim de Ocorrência), disse entender que o caso se configurava como culposo no momento do registro. Por ter pena inferior a quatro anos, o delegado pode determinar a fiança máxima, equivalente a 100 salários mínimos, na qual foram levados em consideração diversos fatores, inclusive as posses do acusado.

“Nos meus 20 anos como delegado, foi a mais alta fiança arbitrada, porque tive notícia de que ele tinha recursos. Se fosse uma pessoa mais simples, com certeza o valor não chegaria nesse patamar. A gente arbitra o valor para que sinta o reflexo do seu ato”, explicou.

VÍDEO
Um vídeo feito no interior da padaria contra a qual o carro colidiu mostra que, após o acidente, Guimarães saiu do veículo descalço e sem camisa, pegou uma garrafa e saiu do estabelecimento. A filmagem expõe ainda que pessoas ficaram revoltadas com a atitude do publicitário. Testemunhas dizem que ele teria deixado o local sem pagar pelo produto.

Edclei Pereira, proprietário do Mercado Nossa Senhora de Fátima, situado em frente à padaria, contou que o motorista também teria entrado em seu estabelecimento pegado um isotônico e uma barra de chocolates e sentado em um banco. “Ele não falou nada, foi direto na geladeira e pegou o Gatorade, depois passou no caixa e pegou um chocolate. Ele ficou sentado no banco, passando a mão na cabeça, parecia bem nervoso. Ele parecia estar bêbado, ele cambaleava um pouco e estava com cheiro de álcool”, contou.
Os guardas encontraram Guimarães dentro do mercado e, segundo consta no boletim de ocorrência, ele teria dito que havia ingerido bebida alcoólica com amigos e quando se dirigia para casa dormiu ao volante.

AÇÃO
A família de Meire afirmou que irá entrar com uma ação contra o publicitário pedindo indenização pelos danos causados a jovem, além do custeio do tratamento da menina. “Não há dinheiro no mundo que vá devolver a perna a ela. Mas, pelo menos, a gente quer que ele (Guimarães) tenha consciência do que ele fez”, disse o namorado de Meire, Luan Kauê Pessoa, 21.

A reportagem entrou em contato com Guimarães na tarde de ontem, mas não conseguiu falar com ele. A ligação foi atendida, mas após a reportagem se identificar, foi desligada. Depois, outras ligações foram feitas, mas todas caíram na caixa postal. Também foi tentado contato com o advogado de Guimarães, João Carlos Linea, pelo número que consta no boletim de ocorrência, mas as ligações também não foram atendidas.

Nenhum comentário: