sexta-feira, 21 de junho de 2013

Cadeirantes ainda enfrentam dificuldades de acessibilidade

Esteve na redação do site guaranoticias a cadeirante Andréia Santos, que falou um pouco das dificuldades que as pessoas deficientes enfrentam no dia-dia, na cidade de Guarapuava.

Os problemas de locomoção é um dos piores, as ruas possuem rampas, mas muitas vezes enfrente a rampa tem um poste ou uma placa de trânsito e nas calçadas existem muitos buracos que impedem as pessoas que utilizam cadeira de rodas se locomover e transitar tranquilamente.

Outro problema sério é o transporte coletivo, pois somente alguns ônibus estão adaptados com plataforma para atender as pessoas com deficiência. Andréia contou que foi até a central de transporte coletivo Perola do Oeste e atendendo o seu pedido, a linha que ela utiliza foi totalmente preparada com plataforma, mas Guarapuava possui 40 linhas de ônibus e nem todas possuem este cuidado, dificultando quando ela precisa ir até outros bairros da cidade. Os cadeirantes encontram dificuldades não só nas calçadas e no transporte mas também nos órgão públicos da nossa cidade, Andréia contou que trabalhou 3 anos na prefeitura e nunca saiu do andar térreo, pois a prefeitura não possui elevador para cadeirantes, mas em contra-partida elogiou a câmara dos vereadores que possui todas as rampas de acesso, elevador e banheiro adaptado ao portador de deficiência.

“Reclamo do desrespeito e do preconceito que algumas pessoas tem com portador de deficiência, na quinta-feira (18) fiquei duas horas em frente a caixa econômica federal esperando para entrar no banco, pois não posso usar as portas giratórias e a chave da porta, não fica com os seguranças e é necessário a boa vontade do gerente ou responsável pela porta ir abri-la, para que eu possa exercer meu direito de cidadão e tirar um extrato da minha conta bancaria”, contou Andréia.
Bianca Marotta, que namora um cadeirante escreveu esta matéria:
Existem certas perguntinhas que todo cadeirante ou seu parceiro costumam ouvir freqüentemente. Achei que seria interessante e talvez até divertido, além de esclarecedor, listar algumas delas aqui, com suas devidas respostas. Vamos lá!

• A cadeira do seu namorado é motorizada?
Essa é uma das primeiras perguntas que escuto quando digo que meu namorado é cadeirante. Acho que eu mesma pensava que cadeiras motorizadas deveriam ser as melhores e mais práticas. Mas o uso dessas cadeiras é indicado para alguns casos e para outros não.

• Ele é independente?
Importante aqui é definirmos o conceito de independência. Muitos cadeirantes precisam de ajuda para algumas tarefas do dia a dia, mas isso não significa que eles não sejam independentes. Ser independente é ter personalidade e vontade própria. A pessoa pode até precisar de ajuda para resolver uma ou outra tarefa, mas se é ela que toma as decisões sobre sua vida,sim ela é independente. Da mesma forma, conhecemos uma porção de pessoas que andam e não conseguem comprar pão na esquina sozinhas. Essas são muito mais dependentes do que a maioria dos cadeirantes.

• Ele dirige?
Sim, e muitos cadeirantes podem dirigir. Depende do tipo de deficiência que a pessoa possui. Quando ela tem mobilidade suficiente para isso, basta que o carro seja adaptado. Ao invés de usar os pedais para freio, aceleração e embreagem, é tudo feito com as mãos. Aliás, ironicamente, é mais fácil um cadeirante dirigir no Rio do que pegar um ônibus...

• Cadeirantes costumam sair?
Entendam, cadeirante não é sinônimo de eremita. Pessoas com deficiência saem, se divertem, vivem. Poderiam até sair mais, se os espaços urbanos e estabelecimentos, sem falar dos transportes públicos, fossem adaptados. Aliás, um dos objetivos do nosso blog é incentivar pessoas com deficiência a saírem de suas casas. Botarem suas caras na rua e, quando encontrarem algum espaço que privilegia a acessibilidade, divulgarem-no.

• Os cadeirantes dançam?
Bom, eu acho que isso depende do gosto de cada um. Tem muita gente, cadeirante ou não, que não gosta de dançar, não é mesmo? Mas se a pessoa gosta, sim, ela dança. Qual é o problema? Existem até grupos de dança de cadeirantes.

• Seu namorado cadeirante trabalha?

Sim, ele trabalha. Ele e mais um monte de outros cadeirantes. Aliás, não vejo porque o fato de ele não conseguir andar possa fazer dele uma pessoa incapaz de trabalhar. Acredito que teríamos muito mais pessoas com deficiência trabalhando se os preconceitos em relação a elas diminuíssem e se a acessibilidade dos transportes e empresas melhorasse. Mas aguardem que em breve escreveremos sobre esse tema com mais detalhes.

• Como os cadeirantes fazem para viajar de avião?
Cada vez mais reclamamos dos espaços apertados nos aviões comerciais. Aquele corredorzinho mínimo, que te obriga a ficar na poltrona caso a aeromoça esteja passando com o carrinho de bebidas e comidas. Imagina então uma cadeira de rodas transitando por ali. Pois é, não dá. O que o cadeirante faz, então? Bem, ele chega até o avião, normalmente na sua cadeirinha de estimação, e torce para que o embarque seja feito por finger (aquele túnel que liga o terminal ao avião) ou exista um elevador para levá-lo do solo até a entrada do avião. Às vezes não há nenhum dos dois e ele tem que ser carregado. Uma vez lá dentro, passa para a cadeira de bordo, que é mais estreita e cabe no corredor. Caso, precise ir ao banheiro, precisa pedir a cadeira de bordo ao comissariado. Sim, em viagens longas é bem chatinho...

• E como eles sobem escadas?Sozinhos eles não sobem, precisam ser carregados. Já existem algumas cadeiras especiais que sobem e descem escadas, mas ainda são muito caras às vezes pouco práticas. Além disso, convenhamos que cadeira de rodas e escada não combinam, né? Há grande risco de acidentes e por isso fazemos campanhas por mais e mais elevadores e rampas!
Por último, não poderíamos deixar de fora a pergunta que todos gostariam de fazer, mas poucos têm coragem de perguntar (confesso que nem tão poucos assim. Já ouvi essa pergunta de tanta gente com a qual não tinha a menor intimidade. Vocês nem imaginam!)

• Cadeirantes fazem sexo?
SIM! Cadeirantes são pessoas com hormônios e necessidades iguais a quaisquer outras. Fazem sexo, sim senhor! Só não vamos entrar em maiores detalhes porque somos pessoas discretas)
                                           “Matéria postada em caráter informativo”
 

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