segunda-feira, 1 de julho de 2013

Copa das Confederações – Acessibilidade no Mineirão

 No artigo desta semana Adriana Lage conta como foi a experiência de assistir um jogo no Mineirão.

por Adriana Lage
  
                                                                                                                                                    Imagem Internet/Ilustrativa
                  

Nessa semana, vou dividir com vocês minha experiência assistindo ao jogo da semi-final da Copa das Confederações entre Brasil e Uruguai. Nunca tinha ido ao Mineirão. Sempre fui adiando essa vontade. Faltava coragem. Com a possibilidade dada pela FIFA na qual o cadeirante comprava seu ingresso e ganhava o do acompanhante, essa realidade ficou mais próxima. Meu maior receio eram as manifestações que andam ocorrendo por BH assim como por todo o país. Infelizmente, quase sempre a manifestação pacífica termina em quebradeira e saques por causa de uma minoria. Graças a Deus e à carona providencial que ganhei da minha prima, tudo transcorreu na mais completa tranqüilidade... Foi uma experiência única! Fiquei encantada com o atendimento recebido.

Compra de ingressos 
A FIFA reservou uma parte dos ingressos para os torcedores cadeirantes, com mobilidade reduzida e obesos. No caso dos cadeirantes, era preciso apresentar laudo médico com o código CID. De acordo com orientações da FIFA, seria necessária a apresentação desse laudo na retirada dos ingressos e na entrada ao estádio. Em nenhum dos casos me exigiram esse documento.
Comprei meu ingresso, em fevereiro, pelo site da FIFA. Como não senti firmeza no site, optei pelo pagamento via boleto. Foi uma luta inglória conseguir pagar o danado. Liguei diversas vezes solicitando o envio do mesmo e nada. Só consegui recebê-lo no final de maio. A demora no envio do boleto foi justificada por problemas na geração do mesmo junto ao Itaú.
Adorei o atendimento que recebi por parte da FIFA. Nos meus contatos telefônicos em busca do famigerado boleto, sempre fui muito bem atendida. No posto de entrega dos ingressos, o atendimento também foi ótimo.

Preparação para o jogo 
Foram disponibilizados ônibus para levarem os torcedores até o Mineirão. Minha idéia inicial era testá-los. Por causa das manifestações, acabei desistindo. Como o motorista contratado furou na véspera, por sorte, consegui carona com minha prima. Estavam indo ela, o marido e o filhinho. Foi um encontro providencial onde um ajudou o outro!

As manifestações estavam marcadas para começar ao meio dia. Como havia muitos boatos, resolvemos ir para Pampulha por volta das 11h. Confesso que não me agrada ver estabelecimentos comerciais protegidos por tapumes ou sem nada dentro. O clima de apreensão tomou conta da cidade. Infelizmente, novos saques ocorreram com direito a cenas de vandalismo revoltantes. A manifestação foi bonita. Cerca de cinqüenta mil pessoas participaram pacificamente. Pena que uma minoria delinqüente trouxe novamente terror à região da Avenida Antônio Carlos. Uma pena!

Como o jogo era às 16 horas, fomos almoçar em um restaurante na Otacílio Negrão de Lima. Desde as 09 horas, já havia fila de espera! Por sorte, usando a prerrogativa da prioridade, conseguimos uma mesa por volta do meio dia. Era gente demais! O restaurante virou um caos. Gente revoltada, vaias, xingamentos aos funcionários... muito ruim o clima. Quando resolvi fazer um make para o jogo, fui conhecer o banheiro adaptado do local. Passei um susto e por muito pouco não fiz um barraco. Como a fila do banheiro masculino estava enorme, alguns mal educados não respeitaram o direito do outro e começaram a tentar abrir a porta do banheiro. Não adiantou nada falar que tinha gente dentro. Fico boba e revoltada com a falta de educação de algumas pessoas. Só pararam de mexer na porta quando a maçaneta do lado de fora caiu. Cada uma... Teor alcoólico elevado é dose...

Dado o elevado teor alcoólico dos freqüentadores do restaurante e a falta de outros estabelecimentos abertos na redondeza, não tive coragem de furar fila. Cada um que tentava furar fila era saudado com uma calorosa vaia. Felizmente, o garçom facilitou minha vida e trouxe a conta até minha mesa. Fui fuzilada por um homem que estava na fila, mas... paciência!

Fomos andando até o Mineirão. A Prefeitura não se preocupou com os rebaixamentos na Otacílio Negrão de Lima. Em alguns pedaços, simplesmente não há rampas. Em outros, as rampas estão esburacadas ou bem íngremes. Muitas vezes, acho uma rampa mal construída mais perigosa do que encarar um degrau alto.

Na Avenida Cel Oscar Paschoal, fui parada por um voluntário que me ofereceu transporte até o Mineirão.

Carrinho elétrico 
Não senti a menor firmeza no voluntário. Para mim, uma pessoa que foi treinada para ajudar pessoas com mobilidade reduzida, nunca deveria se referir a uma cadeira de rodas como carrinho. Eu me senti um neném quando a peça me perguntou se meu carrinho fechava!

O transporte era feito através de um carrinho elétrico semelhante aos utilizados no Jardim Botânico/RJ, Inhotim/MG, Projac e resorts. Se não fosse a confusão do voluntário, teria tido muito mais sucesso se tivesse terminado a caminhada a pé. Na quarta, apenas dois carrinhos estavam funcionando. Quatro estavam estragados ou sem bateria. Tive que pedir a minha prima para me segurar durante o deslocamento. Para quem tem pouco equilíbrio no tronco, esses carrinhos são terríveis! Na hora de me transferirem da cadeira de rodas para o carrinho, trombaram meu bumbum no braço do veículo. Doeu! Provavelmente, ganhei um hematoma de lembrança. Que treinamento é esse?
Ao término do jogo, os carrinhos não funcionaram mais. Nem sombra de voluntários... Mas é preciso dar um desconto por causa do confronto sangrento entre manifestantes e a polícia nas imediações do estádio. Eu me senti numa guerra quando caminhei ao o carro e me deparei com fileiras de policiais em um quarteirão (cavalaria, Força Nacional, PM, etc). A sensação é ruim, mesmo com os policiais parecendo estátuas. Nesse momento, achei muito legal um torcedor oferecer ajuda a minha irmã para descer a rua. Ele não aceitou não como resposta e nos acompanhou até a parte reta da Otacílio.

Logo que começou a Copa das Confederações, vi cadeirantes reclamando sobre o transporte. Ele era feito em kombis. Sinceramente, eu achei péssima essa idéia. Pode ser válida para pessoas com mobilidade reduzida, mas, para cadeirantes, não. Que graça tem sair da sua cadeira de rodas para um transporte pior? Custava disponibilizarem algum veículo com elevador? Ou, no pior caso, custava ter treinado os voluntários para realizarem transferências em segurança? A peça que me ofereceu ajuda, além de me dar um hematoma de presente, não tinha a menor idéia de como se fechava uma cadeira de rodas. Também, para quem chamou meu batmóvel de carrinho, não se poderia esperar muita coisa...

Acessibilidade no Mineirão
Fiquei encantada com a acessibilidade no Mineirão. O local reservado para cadeirantes possui uma visão fantástica! Para terem uma idéia, vez ou outra, alguma pessoa ficava agachada próximo aos cadeirantes para ter uma bela visão do jogo. O acesso é feito por rampas e ficamos em um corredor entre as arquibancadas. O local é salpicado por espaços reservados para cadeirantes (devidamente numerados) e cadeiras fixas para acompanhantes. Fiquei no lado oposto aos bancos de reserva. Vi muitos cadeirantes por lá!

O voluntário que me levou até meu local foi extremamente simpático, mas um pouco atrapalhado. Ele errou o portão por onde deveríamos entrar, se complicou todo na hora de me levar até a revista e trocou a entrada da rampa. No geral, acho que faltou um treinamento melhor para os voluntários que auxiliariam cadeirantes. Por falar em revista, ninguém me pediu nenhum documento e, muito menos, olharam dentro da bolsa/mochila.

Uma coisa que me desapontou foi o banheiro adaptado que utilizei. Lá pelas 15 horas, o sol estava queimando e, mesmo eu que amo o astro rei, fui obrigada a tirar minha blusa de frio. Quando estava fazendo strip no banheiro, uma mulher abriu a porta. Vê se pode: o banheiro não possuía tranca! Em compensação, sua acústica é divina! Parecia até que a Shakira estava cantando dentro do banheiro...

Dentro do estádio, o atendimento foi impecável. Até protetor solar foi oferecido para os cadeirantes que estavam no sol. Tudo muito bem organizado.

Muitas críticas têm sido feitas sobre a realização da Copa das Confederações no Brasil. Mas, graças ao padrão FIFA, hoje podemos dizer que os cadeirantes possuem um local reservado digno no Mineirão. Enquanto o sol bateu no vidro de proteção, achei a visão mais ou menos. Parecia que estava num aquário. Assim que o sol se pôs, ficou perfeito!

Bem na minha frente, na arquibancada de baixo, o Cafu estava assistindo ao jogo. Na minha época de são-paulina fanática, era super fã dele. Se fosse naquele tempo, provavelmente, até me jogaria escada abaixo para garantir uma foto. Quando o vi pessoalmente, regredi. Eu me lembrei da decepção que tive quando ele foi vendido para o Palmeiras. Custei a acreditar! Acabei resistindo e não pedi autógrafo.

Placar Final 
Foi uma experiência fantástica! Agora terei coragem para encarar um jogo do Galo no Independência. Só não tenho coração para encarar a Libertadores. Risos. O Mineirão está lindo. Adorei a cobertura. No local onde fiquei, pude ver de pertinho os jogadores sem incomodar/ser incomodada por ninguém. Foi emocionante ouvir e cantar o hino nacional. Uma vibração indescritível. Como nunca tinha assistido a um jogo no estádio, senti falta da narração. Mas, foi só Bernard entrar em campo para levar a torcida à loucura! Um luxo assistir ao jogo da seleção com direito ao mistão do Galo no banco. Fiquei muito satisfeita com a organização e com a acessibilidade.

Fonte:Rede Saci - Imagem Internet/Ilustrativa

                         “Matéria postada em caráter informativo”

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