quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Desatenção é ameaça crescente no trânsito; aumento de multas chega a 18,6%


Feche os olhos, conte até dois e abra-os novamente. No relógio, apenas um segundo terá se passado. Nesse ínfimo tempo, está a diferença entre viver e morrer.Adriana Bernardes
         Série do Correio Braziliense conta histórias de vítimas de acidentes causados num piscar de olhos.
         Leandro foi trocar um CD, distraiu-se, e o carro capotou: ele escapou com vida, mas perdeu a sensibilidade da cintura para baixo e agora faz tratamento na Rede Sarah (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)Leandro foi trocar um CD, distraiu-se, e o carro capotou: ele escapou com vida, mas perdeu a sensibilidade da cintura para baixo e agora faz tratamento na Rede Sarah.
Aprendendo a vencer o trauma

Foi rápido. O olhar do engenheiro agrônomo Leandro Macedo de Oliveira, 38 anos, saiu da rodovia e se fixou no aparelho de som. Questão de segundos. O tempo suficiente para encaixar o CD no equipamento. No breve instante, o carro invadiu a pista contrária e entrou pelo acostamento. Por causa da distração, ele está em uma cadeira de rodas e não sabe se um dia voltará a caminhar. A limitação de movimento não tirou a disposição de Leandro de vencer os desafios que a nova realidade lhe impõe. As conquistas diárias, porém, são infinitamente mais lentas do que ele gostaria. E cada uma delas soa como um sopro de esperança para quem escapou com vida de dois acidentes em apenas cinco meses.

O mais grave deles deixou Leandro sem o movimento das pernas. Aconteceu na tarde de domingo de 3 de junho do ano passado. Leandro capotou o carro e, sem cinto, acabou lançado para fora do veículo. Tentou se levantar e não sentiu as pernas. Ao tocá-las, descobriu que havia perdido a sensibilidade da cintura para baixo. Ficou lá, deitado, enquanto pessoas chegavam para prestar socorro. “Minha sorte foi não ter perdido a consciência. Os amigos queriam me colocar no carro e correr para o hospital. Pedi para esperarem pelo Samu”, relembra, citando o serviço de ambulância do GDF.
Feche os olhos, conte até dois e abra-os novamente. No relógio, apenas um segundo terá se passado. Nesse ínfimo tempo, está a diferença entre viver e morrer. Entre tornar-se assassino do volante ou preservar a vida alheia. Na condução de um veículo ou a pé, é como se os acidentes estivessem à espreita, esperando distrações de segundos para desencadear tragédias irremediáveis. Atender o celular, mudar a estação de rádio, ler e digitar mensagens de texto. Comportamentos corriqueiros que podem matam.
No Brasil, nem sequer existem estatísticas específias para dimensionar o problema. Somente no primeiro trimestre de 2013, foram vendidos 14,1 milhões de celulares, dos quais 38,3% são smartphones, aparelhos com muito mais funções que um celular comum. Além das ligações, eles oferecem tentações para os usuários, como o acesso à internet, envio de e-mails e torpedos e troca de fotos e vídeos. “Seguramente, quem tem esse tipo de aparelho se comunica mais por outros meios além da ligação propriamente dita”, afirma Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações. 
Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/ - “Matéria postada em caráter informativo”

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