quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Mortes no trânsito caem 17% em São Paulo após nova lei seca

ANDRÉ MONTEIRO DE SÃO PAULO

Após a lei seca ter ficado mais rígida, há um ano, o número de mortes em acidentes de trânsito caiu 17% na cidade de São Paulo e 9,6% no Estado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública tabulados pela Folha.

De janeiro a novembro foram registradas 498 mortes na capital, ante 601 no mesmo período de 2012.

Em todo o Estado, o número passou de 4.317 para 3.902.

Os casos de acidentes com feridos também caíram, mas em ritmo menor: 5,5% na capital e 4,6% no Estado.

A nova lei seca entrou em vigor em 21 de dezembro de 2012. Ela elevou a multa por embriaguez de R$ 957,70 para R$ 1.915,40 -valor que dobra na reincidência. Também tornou válidos novos meios além do bafômetro para provar a ingestão de álcool, como testes clínicos, testemunhos, depoimento do policial e até vídeos.

Antes da mudança, era considerado crime dirigir sob a influência de álcool em proporção igual ou acima de 6 decigramas por litro de sangue -índice medido apenas por bafômetro ou exames.

Com a nova regra, o limite se tornou só um dos meios de comprovar a embriaguez. O crime passou a ser dirigir "com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool".

O balanço é feito com base nos boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil e não adota a regra da OMS (Organização Mundial da Saúde) de incluir nas estatísticas as mortes ocorridas até 30 dias depois dos acidentes.

FISCALIZAÇÃO
Apesar das regras mais rigorosas, a fiscalização da lei seca se manteve estável, e o número de motoristas presos por crime de trânsito caiu.

As blitze da PM abordaram, em média, 7.651 condutores por mês até outubro, 3% acima da média do ano anterior. A média de motoristas multados cresceu o mesmo índice (274, ante 265).

Já a média de presos teve queda de 30% -foi de 40 por mês, ante 57 no ano anterior.

Para a PM, a queda se deve à campanha Trânsito Consciente, que promove ações na rua e convida motoristas a participar de curso on-line de conscientização. Desde setembro de 2011, mais de 28 mil fizeram o curso.
"Em vez de ações apenas de cunho fiscalizatório e sancionatório, as operações da Polícia Militar buscam também educar o condutor, entregando kits nas blitze. O material conta com folder com dicas de segurança, instruções de como acessar o curso e um bafômetro descartável", afirma a corporação.

Questionada, a PM não informou o número de motoristas embriagados multados ou presos com base nos novos tipos de prova aceitos a partir da mudança na lei.



Total de acidentes no trânsito ainda é muito

alto, diz entidade.

DE SÃO PAULO

Apesar do avanço representado pela nova lei seca, maior responsável pela queda nas mortes no trânsito, o Observatório Nacional de Segurança Viária alerta que o número de acidentes ainda é muito alto.

"Não adianta comemorar, a situação ainda é gravíssima. Se por um lado as mortes estão caindo, por outro percebemos um aumento da gravidade das lesões e do número de feridos que ficam com sequelas permanentes", afirma José Aurélio Ramalho, presidente da entidade.

Ele diz que o aumento é verificado pelas indenizações do Dpvat (seguro obrigatório) em todo o país. Até setembro, houve aumento de 36% nos pagamentos por invalidez permanente em relação ao ano anterior.

"Isso gera um custo social enorme, afeta a previdência, a força de trabalho. A maioria das vítimas tem de 25 a 34 anos", afirma.

Para Ramalho, para reduzir a violência no trânsito é necessário ir além da lei seca. Ele cita a melhoria do curso de formação dos condutores e a fiscalização do uso do celular. "Dirigir teclando no smartphone é tão perigoso quanto dirigir embriagado", diz.

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