quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ACESSIBILIDADE PRECÁRIA - Em Picos, faltam políticas públicas para as pessoas com deficiência

A reclamação é do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

          
             Comude cobrar a aplicação das Leis já existentes - Foto: TV Picos

Na cidade de Picos as pessoas com deficiências encontram graves e grandes dificuldades provocadas por inúmeros fatores entre os quais podem ser destacados: o grande fluxo de veículo e pessoas circulantes, e principalmente a ausência de medidas que melhorem a acessibilidade. Essa última engloba uma série de fatores: quantidade insuficiente de rampas de acesso, guias sem rebaixamento, calçadas em desníveis, semáforos com curto espaço de tempo, além da falta de educação de muitos condutores de veículos.

“Tem pessoas que algumas vezes avançam o sinal. Às vezes não esperam a pessoa, mesmo estando ainda no prazozinho final do sinal fechado para os veículos, e avançam o sinal podendo provocar um acidente. Ou então o carro para, mas a moto ultrapassa pela lateral impedindo que a gente tenha essa chegada ao outro lado da calçada com certa segurança”, reclama a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Caline Batista.

A falta de fiscalização contra proprietários de veículos que estacionam na frente das rampas de acesso ou em vagas destinada a portadores de necessidades especiais é outro problema recorrente existente pelas ruas de Picos. “Se alguma pessoa que se sinta lesada no seu direito de ir e vir não chegar num Departamento de Trânsito e dizer: ‘olha tem uma rampa que está obstruída por uma moto, está obstruída por um carro, está obstruída por objetos’ [ninguém fará nada]”, anotou a presidente do Comude.

Caline Batista avaliou que essas barreiras humanas, dotadas de insensibilidade e falta de respeito ao próximo, tem sido bem mais difíceis de superar do que os obstáculos arquitetônicos e urbanísticos existentes pelas ruas do município. Para ela, uma cidade que tem 24% da população com alguma deficiência física, conforme o Censo 2010, deveria dar mais atenção para o tema acessibilidade.

“Esse é um percentual [24%] extremamente alto. Agora me pergunte: tem alguma política pública em nível de município que nos ampare na sua amplitude? Não que eu conheça. Então nossa dificuldade maior é a aplicação de Leis que já existem em nível de Estado, em nível nacional. Nós não temos também uma fiscalização eficiente que facilite e melhore a nossa condição”, pontuou.

A presidente Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência coloca na conta do poder público municipal a falta de políticas públicas voltadas para facilitar a acessibilidade dos especiais e das pessoas com mobilidade reduzida, como os idosos, as gestantes, pessoas com fraturas no pé e até mulheres calçando sandália de salto alto. “Nossa dificuldade maior, eu bato e volto a dizer, é o poder público que é quem pode que é quem faz as Leis. Essa é a questão”, desabafou.

Paralelo a essa reclamação mais do que justa o Departamento Municipal de Trânsito iniciou na semana passada uma pequena obra mais que será de grande importância para as pessoas com algum tipo de deficiência física. A mesma compreende a construção de rampas em calçadas localizadas próximas a semáforos. O Projeto é similar ao existente nas cidades de Gramado/ RS e Arco Verde/ PE.



“A finalidade é aumentar a acessibilidade e as faixas de pedestre ter uma fluidez. Hoje nós temos carros, carrinhos de mão parados nas faixas de pedestre. Com isso [as rampas] a gente vai barrar que o carro, a moto ou carrinho de mão esteja na faixa de pedestre, dando também acessibilidade a população. A pessoa vem tem uma rampa e essa rampa já sai direto na faixa de pedestre”, explicou o superintendente do DMT, Júnior Nobre.

Ele informou que em breve o DMT realizará outro Projeto que visa aumentar a acessibilidade dessa vez entre as calçadas dos estabelecimentos comerciais. O intuito é acabar com desnível existente entre as calçadas. Para isso será necessária a conscientização dos comerciantes. “Os comerciantes se preocuparam em fazer a acessibilidade para a rua não entre as calçadas”, salientou Nobre, acrescentando que o ideal é que sejam construídas rampas entre as calçadas desniveladas.

 


 “É para a gente normatizar e dar essa acessibilidade a população de Picos”, finalizou o superintendente do Departamento Municipal de Trânsito.

Fonte: diaadiapicos

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