quarta-feira, 12 de março de 2014

Deficiente visual admite que descer montanha de esqui ‘é meio louco’


Sem enxergar, eles fazem o que muita gente com a visão perfeita não teria coragem: descer de esqui uma montanha de neve em alta velocidade. São os atletas do esqui alpino para deficientes visuais, prova que faz parte das Paralimpíadas de Inverno de Sochi. Eles não descem sozinhos. Um guia vai na frente passando orientações através de rádios acoplados nos capacetes que funcionam através de bluethoof. Se a comunicação falhar, a orientação é parar imediatamente, o que nem sempre acontece. Também nem sempre acontece de o atleta obedecer o guia, como foi o caso de Kelly Gallagher, que nesta segunda-feira conquistou o primeiro ouro da Grã-Bretanha na história da competição, ao lado de Charlotte Evans (confira o vídeo). Depois de amargar um sexto lugar no downhill dois dias atrás, a dupla foi a mais rápida do Super G. 

Eu estava gritando muito e ela não estava fazendo o que eu falava, mas finalmente eu paguei por isso. Não nos sentimos bem como queríamos na prova, mas quem se importa? – disse a guia.

Tenho que agradecer à Charlotte por me manter na linha. Nós apenas nos jogamos e eu rezei para ter força para esquiar e me divertir – contou Kelly, que tem a deficiência visual mais branda, a B3 (na escala de 1 a 3).

Kelly admite que esquiar sem enxergar “é meio louco”, e que a sensação de frio na barriga é permanente:
Em primeiro lugar eu tenho que ter confiança em mim para confiar na minha guia. É realmente meio louco esquiar sem enxergar direito. Fico sempre com medo antes de descer, mas todo esquiador, convencional ou não, procura superar os seus limites sempre – disse a medalha de ouro.

Pelo alto falante, o locutor do centro de esqui alpino Rosa Khutor pedia silêncio ao público que lotava as arquibancadas quando os atletas despontavam na última reta da pista, único momento da prova em que não era preciso vê-los em ação pelo telão. A torcida respeitou soltando o grito apenas depois que os atletas cruzavam a linha de chegada.

Casal americano fica fora do pódio

Danelle Umstead não pode comemorar muito. Ela e seu marido, Robert Umstead, ficaram em quarto lugar quatro anos depois do bronze das Paralimpíadas de Inverno de Vancouver 2010. A americana contraiu uma doença degenerativa que lhe deixou com apenas 5% da visão.

Quando esquio sinto uma sensação de liberdade, empolgação e emoção. Também sinto medo, desde o início.

A atleta começou a esquiar em 2000 e teve como primeiro guia o pai. Depois, tentou vários parceiros até encontrar no marido o par perfeito dentro e fora de casa. Perguntada se o seu próximo guia poderá ser o filho, de seis anos, ela deixa em aberto:

Provavelmente sim – respondeu às gargalhadas.  
Com transmissão do Canal Campeão, as Paralimpíadas de Sochi estão sendo disputadas desde o último dia 7 e terminam no próximo dia 16. São 585 atletas de 44 países. O Brasil participa pela primeira vez com Fernando Aranha, no esqui cross country, e com André Cintra, no snowboard. Nesta terça-feira, o SporTV 2 transmite ao vivo o esqui alpino, a partir das 8h25.

A Rússia domina amplamente o quadro de medalhas. Levou 24 até agora: sete de ouro, dez de prata e sete de bronze. A Alemanha está em segundo, com três ouros, e a Ucrânia é a terceira, com dois ouros, duas pratas e três bronzes. 

Fonte: site Sportv por Leonardo Filipo - sempreincluidosoficial

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