sexta-feira, 14 de março de 2014

Rondonópolis é referência em avaliação para alunos com deficiência

Embora entrem no censo escolar, não constam nos índices oficiais de educação dos municípios, estados e União.


Prefeitura Municipal de Rondonópolis


Imagem Internet/Ilustrativa
As escolas têm o grande desafio de tratar crianças deficientes como as demais praticando a política de inclusão. Muitas crianças frequentam as salas de aula regulares e salas recursos no contra turno durante todo o ano, mas via de regra não são avaliadas como as demais, são tratadas como diferentes numa proposta nacional de educação para todos. Embora entrem no censo escolar, não constam nos índices oficiais de educação dos municípios, estados e União.

A Secretaria Municipal de Educação de Rondonópolis (Semed) tem adotado ações que vão além das comuns na maioria dos municípios, implantou o sistema de avaliação adaptada para os alunos deficientes e chegou a meta de 100% dos alunos das fases finais dos Ciclos participando do processo de avaliação aplicado no município, o SAEM (Sistema de Avaliação do Ensino Municipal).

A proposta de que todos os alunos nas fases finais sejam avaliados obedece à política adotada pela atual gestora da Pasta, secretária Ana Carla Muniz, que entende que diante dos números apresentados podem ser formuladas intervenções para a melhoria da educação no município. Os dados de todos os alunos são compilados juntamente com as habilidades sondadas para que os professores saibam exatamente o que deve ser reforçado nas próximas atividades e se detenham para analisar, estudar e apresentar ações para superação dos problemas. Os dados sobre os alunos deficientes seguem a mesma sistemática, embora não sejam ainda levados em consideração na média da nota geral. Para se chegar a esta proposta o trabalho foi árduo e necessitou de equipe especializada.

A avaliação feita para alunos deficientes é a mesma aplicada nas demais crianças, mas adaptada à deficiência do aluno que muitas vezes precisa de uma ajudante, um mediador, para resolvê-la. Em 2013, 31 alunos com deficiência participaram da avaliação, 13 conseguiram resolver a prova sozinhos e 19 necessitaram de um mediador. O sistema de avaliação já é referência no Estado e será apresentado em reunião ampliada na Capital para tratar de políticas públicas de inclusão e posteriormente será enviado para o Ministério da Educação (MEC).

O processo para inclusão dos alunos com deficiência no SAEM de Rondonópolis (MT) demanda trabalho, custo e uma equipe especializada para adaptar a prova de forma que possa ser resolvida por alunos surdos, com baixa visão, com deficiência física, e Transtorno de Epectro Autista. Enquanto a avaliação normal possui 13 páginas e é impressa em preto e branco, a adaptada possui 31 páginas, sendo que cada página contém apenas uma questão, escrita em caixa alta (todas as letras maiúsculas), com entrelinha maior e ilustrada com imagens coloridas.

O recurso da ilustração é essencial para que o aluno com deficiência entenda melhor a questão. Este é o aspecto mais difícil na adaptação da avaliação, assegura a fonoaudióloga Ana Néri Garcia Fanaia Rodrigues. “É necessário que a ilustração seja compatível com o texto, seja simples, limpa, para melhorar a compreensão da questão e não poluir visualmente a página, que tem que propiciar uma leitura global e objetiva para o aluno”.

Ana Néri é uma das integrantes da equipe de adaptação composta também pela pedagoga com habilitação em Deficiência Intelectual Ariane Lima Martin e o psicólogo Bruno Gonçalves. A equipe fica responsável por toda adaptação da prova que requer um olhar diferenciado com a proposta de tornar fácil a resolução da mesma.

A proposta é que a criança tenha facilidade na hora de resolver as questões. E a maioria das crianças consegue fazê-la, sendo necessária a presença de um mediador somente para alunos que possuam deficiência intelectual ou que não consigam escrever. Nestes casos, o professor mediador é capacitado e preferencialmente acompanha um aluno que não seja seu.

A gerente da Divisão de Avaliação e Monitoramento de Indicadores, Vilma Ineis Fernandes Silva, destaca que as avaliações são extremamente importantes no processo educacional, porque geram indicadores que analisados mostram quais as áreas e conteúdos que merecem atenção especial da equipe e dos educadores, para que sejam feitas intervenções pedagógicas que melhorem a aprendizagem dos alunos. Como exemplo cita a avaliação da 3ª fase do 1º Ciclo em que são avaliadas oito habilidades de Matemática, nove de Língua Portuguesa e cinco de Ciências. Diferente do que acontece em nível nacional as questões de Ciências no município não foram aplicadas por amostragem, mas para todos os alunos.

Após a aplicação da avaliação, há a correção, tabulação de dados, aferição dos índices. Depois de pronto o processo, os dados são enviados para as escolas para serem analisados e para que cada equipe pedagógica formule o planejamento para a superação das habilidades pouco desenvolvidas. No final do processo a escola tem em mãos uma espécie de mapa para organizar as melhores propostas para a melhoria do ensino por turmas ou individual.

O processo é o mesmo para os alunos com deficiência, eles contam com professores capacitados para o atendimento e acompanhamento diário. Mesmo sem fazerem parte dos dados oficiais, o sistema os integra na avaliação e na compilação de dados de forma que as habilidades deles tenham a mesma atenção que dos demais alunos, sempre com o objetivo de garantir avanços no processo ensino-aprendizagem.

Fonte: midianews.com.br - Imagem Internet/Ilustrativa

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