quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Está no Recife ativista que cruza o Brasil empurrando cadeira de rodas

Na 'Cruzada Pela Acessibilidade', mineiro quer sensibilizar sociedade. 
Zé do Pedal vai passar por 20 estados, para chamar atenção para a causa.


Do G1 PE

                        

Está passando pelo Recife, nesta terça-feira (12), o ativista mineiro José Geraldo de Souza Castro, conhecido como Zé do Pedal. Aos 56 anos, ele está percorrendo mais de 10 mil quilômetros por todo o Brasil com o projeto "Extremas Fronteiras - Barreiras Extremas, uma cruzada pela acessibilidade". Empurrando uma cadeira de rodas, até maio do próximo ano, ele terá percorrido 327 cidades, em 20 estados brasileiros, para sensibilizar a sociedade para a importância de existirem normas de acessibilidade que ajudem a mobilidade de pessoas deficientes.

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Ele caminha em média 12 horas por dia, um percurso de 30 a 50 quilômetros. Já andou 4 mil quilômetros. O roteiro completo é de 10.700. A cadeira é também mala, onde ele leva mapas, artigos de higiene pessoal, poucas peças de roupa e a bandeira da igualdade, da dignidade e do respeito. Ele veio de Goiana, na Mata Norte, vai ficar uns dias no Recife e seguir para Caruaru. Em Boa Viagem, Zé do Pedal encontrou várias dificuldades. Partes quebradas, muitos buracos, calçadas desniveladas. Mesmo quando existe rampa, a travessia é complicada e, às vezes, as próprias pessoas deixam obstáculos, como estacionar o carro na calçada.

"Uma pessoa parou o veículo no meio do passeio e quem tem deficiência não tem condições de vencer esse obstáculo. O que a pessoa com deficiência faz [em uma situação dessas]? Desce do passeio e vai enfrentar o trânsito", reclamou Zé do Pedal.

A causa de Zé do Pedal não é por ele nem por ninguém da família. É por 45 milhões de pessoas, quase 25% da população brasileira com algum tipo de deficiência e inúmeros problemas de locomoção. O ponto de partida, no dia 10 de fevereiro, foi Uiramutã, em Roraima, na fronteira com a Venezuela. A chegada está prevista para maio do próximo ano, no Chuí, Rio Grande do Sul, no outro extremo do país, fronteira com o Uruguai. Até lá, pelos cálculos dele, terão sido 15 milhões de passos, 75 mil por dia.

Onde chega, Zé do Pedal faz palestras em escolas, conversa com jornalistas, tenta falar com gestores públicos. O objetivo é entregar nas câmaras municipais uma proposta de projeto de lei sobre normas de acessibilidade e uma para a criação de conselhos municipais dos direitos da pessoa com deficiência. "Eu apresento duas propostas de projeito-lei. A criação de um conselho municipal que ouça os problemas de pessoas com deficiência e a criação de conselho municipal. O projeto-lei é para aplicação da norma 9.050 da ABNT, que é aquela que dá os parâmetros da acessibilidade plena em edificações", explicou.

A ideia da cruzada surgiu em 2008, durante uma viagem para a Espanha, quando ele percebeu que, mesmo em países desenvolvidos, as pessoas com deficiência enfrentam problemas para se locomover pelas ruas. O nome Zé do Pedal vem do currículo desse mineiro, que já visitou 73 países de bicicleta.


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