quarta-feira, 3 de setembro de 2014

BRASILEIRO QUE NASCEU COM CABEÇA PARA BAIXO SOBREVIVE E VIRA PALESTRANTE MOTIVACIONAL

OS MÉDICOS ACONSELHARAM A MÃE DE CLAUDIO VIEIRA DE OLIVEIRA A DEIXAR QUE SEU FILHO MORRESSE. HOJE, AOS 38 ANOS, ELE VIVE DE MODO INDEPENDENTE E É CONVIDADO PARA CONTAR SUA HISTÓRIA NO MUNDO TODO.

      (FOTO: REPRODUÇÃO FACEBOOK)
    Claudio Vieira de Oliveira (Foto: Reprodução Facebook)
     CLAUDIO VIEIRA DE OLIVEIRA 

O brasileiro Claudio Vieira de Oliveira sabe, talvez mais do que muita gente, como é viver em uma situação adversa. Em 1976, quando sua mãe tinha 37 anos, médicos a aconselharam a deixar seu filho recém-nascido morrer, afirmando que ele não teria chances na vida. Ele havia nascido com sérias deformações nas articulações e sua cabeça era totalmente virada para baixo, encostada nas costas.
Felizmente, a história se desenrolou de outro modo. Nascido em Monte Santo (BA), ele não só sobreviveu, mas aprender a se virar sozinho e tornou-se um palestrante motivacional. A sua história foi contada no Daily Mail e, nos últimos dias, foi destaque em diversos veículos internacionais - como ele mostra em seu Facebook. "Desde que eu era criança tinha que manter minha mente ocupada e trabalhando. Eu não gostava de depender totalmente dos outros. Fazia pesquisas, consultoria para clientes. Com o tempo, aprendi a ligar sozinho a TV, a usar meu celular, a ligar o rádio, computador e navegar na internet", afirmou. 
CLAUDIO LEVA UMA VIDA COMO TODAS AS OUTRAS PESSOAS: GOSTA DE DANÇAR, IR A PRAIA E FICAR NA INTERNET.
(FOTO: REPRODUÇÃO FACEBOOK)
Claudio leva uma vida como todas as outras pessoas: gosta de dançar, ir a praia e ficar na internet (Foto: Reprodução Facebook)
Grande parte dessas tarefas, ele faz com sua boca: de mexer no celular à movimentar o mouse do computador. Usa sapatos especiais para facilitar sua locomoção. Conseguiu graduar-se na Universidade Feira de Santana. "Há muita alegria hoje com o Claudio. Ele é como qualquer outra pessoa. Nós nunca tentamos 'consertá-lo' e sempre o incentivamos a buscar fazer as coisas por conta própria. Ele nunca teve vergonha de andar na rua", afirma sua mãe, Maria José. 
Enquanto crescia, sua família adaptou a casa para que ele pudesse se movimentar melhor. O piso foi trocado e seu quarto ganhou interruptores e tomadas mais baixos, para que ele mesmo pudesse mexer. Ele não pode usar uma cadeira de rodas, porque sua condição não permitia, mas insistiu em frequentar escolas, para conviver com outras crianças. "Ao longo de minha vida, aprendi a adaptar meu corpo ao mundo. Agora, não vejo muita diferença em ter nascido diferente", afirmou.
"Eu não vejo as coisas de cabeça para baixo. Isso é algo que falo sempre durante minhas palestras".  Claudio afirma que recebe convites do mundo todo para contar sua história de vida. "No cotidiano, leio revistas, livros; assisto, na TV, telejornais, novelas, programas educativos. Sou uma pessoa que busca não depender totalmente de terceiros; ligo e desligo aparelhos domésticos; atendo celular; digito em teclado de computadores; escrevo; faço minhas refeições sozinho... Tudo isso com a boca. E danço... E namoro... Saio com amigos... Viajo... Faço tudo. Gosto de viver"
Minha Biografia.
Escrevo, aqui, um fragmento de minha história de SUPERAÇÃO:

Nasci dia 1º de abril de 1976, numa família humilde, na cidade de Monte Santo, no interior da Bahia. Com apenas um ano de idade, fiquei órfão de pai. Mas com a total dedicação e sacrifício de nossa mãe Maria José, eu e meus cinco irmãos crescemos e estudamos.

Nasci de um parto normal, muito difícil, que quase custou a minha vida e a de minha mãe. Na época, o hospital da cidade ainda estava sendo construído... Minha bisavó era parteira, mas estava diante de uma situação complicada... Foi aí que chegou a minha casa um estudante de medicina, estagiário, filho da terra. Com a ajuda de Deus, ele conseguiu me trazer a esse mundo, embora quase morto. Minha mãe desmaiou... O estagiário também quase desmaiou... Meu corpo era totalmente deformado... Antes que eu não vingasse, correram para me batizar. Parece, porém, que já cheguei designado a cumprir uma grande missão: ser um exemplo de perseverança; ser um exemplo de superação. Mostro para as pessoas que podemos enfrentar todos os problemas, todos os obstáculos. Temos que aceitar a vida; temos que viver a vida.

Diante da minha rara deficiência, houve quem incentivasse meus pais a não me darem alimento, para que eu enfraquecesse; pensavam que seria melhor que eu não sobrevivesse. Minha deficiência era tão complexa, que várias pessoas achavam que, além de eu dar muito trabalho, eu acabaria vegetando... Com o passar do tempo, no entanto, comecei a surpreender a todos. Dei meus primeiros passos de motivação, ao observar meus irmãos indo e voltando do colégio, realizando atividades escolares... Despertei interesse pelos estudos. Pedi a minha mãe caderno, lápis... Espontaneamente coloquei o lápis em minha boca e comecei a rabiscar. Logo, tentei convencer minha mãe a colocar-me em uma escola. Ela se esquivava, porque tinha medo da reação dos outros alunos. Como persisti, ela procurou uma pessoa para me dar aula particular, para que eu pudesse me inserir no mundo escolar. Assim, aprendi o alfabeto inteiro... Comecei a formar as primeiras palavras, inclusive o meu nome completo... E tudo isso, com a boca. Daí, não quis mais parar.

Consegui convencer minha mãe a me matricular na escola. Ingressei numa escolinha particular, onde fui recebido com glamour. Graças a Deus, não fui rejeitado por ninguém. Foi uma benção. Ali, só estudei até a segunda série, por motivos financeiros. Na escola pública, também fui bem recebido.  Meu entrosamento com professores, diretores e alunos foi interativo; eles sempre me ajudavam.

Em 1994, terminei o primeiro grau. Mudei de instituição para continuar os estudos e, com muito esforço, em 1997, concluí o curso de magistério.
Nesse tempo, perdi o beneficio do INSS. Fiquei triste. Alegaram que minha mãe já recebia uma pensão, de um salário mínimo, de meu falecido pai. Foram dois anos sem receber do INSS. Só consegui o retorno do benefício porque contei com a boa vontade de amigos.

Persistente que sou, mudei-me para Feira de Santana para ingressar na Universidade. Ganhei uma bolsa de estudo... Me formei... No ano seguinte, decidi trabalhar por conta própria.

No cotidiano, Leio revistas, livros... Assisto, na TV, telejornais, novelas, programas educativos... Sou uma pessoa que busco não depender totalmente de terceiros: ligo e desligo aparelhos domésticos; atendo celular; digito em teclado de computadores; escrevo; faço minhas refeições sozinho... Tudo isso com a boca. E danço... E namoro... Saio com amigos... Viajo... Faço tudo. Gosto de viver.

Apesar da deficiência física, não tenho complexo. Isso é fruto de minha família que nunca me enxergou como um deficiente, pelo contrário, com igualdade. E é Isso que me fortalece.

Conheça mais sobre o Claudio:http://claudiomontesanto.jimdo.com/

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