sábado, 6 de setembro de 2014

Estudante não pode participar de ação por falta de acessibilidade

 No último sábado foi realizado o MC Dia Feliz, o evento atraiu muitos petropolitanos e visitantes que aproveitaram para contribuir com a causa.


                                                                                                                                                                         Foto: Marco Oddone
        

No último sábado foi realizado o MC Dia Feliz, o evento atraiu muitos petropolitanos e visitantes que aproveitaram para contribuir com a causa. O problema é que nem todas as pessoas puderam colaborar mesmo tendo vontade. Isso porque portadores de algum tipo de deficiência sofreram com a falta de acessibilidade do estabelecimento localizado na Rua do Imperador. Nem mesmo os funcionários e voluntários que estavam presentes teriam se prontificado a ajudar um cadeirante que queria acessar o segundo andar do edifício.
A principal queixa do estudante e ator Pedro Azevedo Fernandes não foi com relação a falta de acessibilidade e sim de sensibilidade. Em uma ação onde a solidariedade era o foco para mobilizar pessoas que pudessem contribuir com o Instituto Ronald MCDonald, que visa combater o câncer infanto-juvenil, muitos se questionaram sobre o descaso com aqueles que precisam de auxílio e tiveram a colaboração dispensada devido suas limitações.
“Tenho consciência que Petrópolis é uma cidade em que grande parte dos edifícios são tombados e por isso não há como fazer intervenções que possam nos trazer mais conforto. O que me deixou revoltado foi ver um monte de voluntários chamando as pessoas nas ruas para participar da ação dizendo que era um ato de solidariedade, e eu que queria colaborar não pude porque não havia nenhum funcionário disposto a me ajudar. Cheguei a pedir ajuda para poder lanchar na parte de cima e o atendente disse que não tinha ninguém que poderia ajudá-lo nisso”, contou.
Gabriela Silva que estava junto com o estudante, afirma ter se sentido ofendida da mesma forma. “Saí de lá me perguntando qual era o sentido de tudo aquilo! Sim porque como pedir ajuda do próximo se você não é capaz de prestar uma pequena ajuda à quem tem a intenção de fortalecer a causa pela qual você luta?”, questionou a professora. 
Pedro ficou cerca de dois meses no Instituto Ronald McDonald quando tinha dez anos. “Fiz parte do meu tratamento lá pois tenho paralisia cerebral e percebi logo que é um projeto do bem e que funciona. Por isso senti essa necessidade tão grande de fazer a minha parte e contribuir de alguma forma, mas chegando lá não pude fazer nada pois não tinha onde lanchar. Chegaram a me propor ficar na parte de baixo onde existem as filas, mas não tinha condições devido ao grande número de pessoas no evento”, disse.
Gabriela também se sentiu impotente diante da situação. “Fiquei decepcionada e triste por presenciar o meu amigo passando por isso, porque sozinha eu não tinha condições de levá-lo para cima. Novamente fico pensando em qual seria o propósito das pessoas envolvidas no projeto, porque a campanha é muito legal mas quem participou da medida naquele dia definitivamente não sabia o real significado do evento”, ressaltou.
A coordenadora do evento teria sido chamada no local na tentativa de resolver o problema. “Chamei  o gerente e ela para saber se eu teria como ajudar caso conseguisse lanchar no estabelecimento, contei o que tinha ocorrido e o que ouvi que era uma pena mas realmente não tinham pessoas que pudessem me ajudar. Saí de lá frustrado e chocado com a falta de solidariedade dos voluntários que usavam justamente esta justificativa para conseguir mobilizar pessoas que pudessem colaborar com um projeto que de fato funciona, mas que pelo vista está mal estruturado nos dias desses eventos”, desabafou.

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