quarta-feira, 22 de outubro de 2014

“Se a escola não se modificar, deixa de ser útil”

Os bons sistemas educativos são aqueles em que a diferença entre os bons e os maus alunos é menor. David Rodrigues, diretor da revista "Educação Inclusiva" participou na conferencia do Mês de Educação.


               Imagem Internet/Ilustrativa
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“Uma escola que inclua todos os alunos e em que todos os alunos aprendam uns com os outros.” É esta a meta delineada por David Rodrigues para atingir a plena inclusão nas escolas. Professor catedrático na Universidade Portucalense, presidente da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial e diretor da revista “Educação Inclusiva”, discursou perante uma plateia atenta de professores e interessados na Torre do Tombo, em Lisboa.

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“A Inclusão nas Escolas” abriu na passada quinta-feira o Mês da Educação organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. O tema funciona para todos os ciclos e graus, “desde a primária ao ensino superior”, refere o orador que se juntou a Felicity Armstrong, professora emérita de Educação no Instituto de Educação da Universidade de Londres. David Rodrigues refere que a questão da inclusão ultrapassa os alunos com necessidades especiais. “São, sem dúvida, uma bandeira, por serem aqueles que são mais diferentes. Mas também nos devemos preocupar com os alunos que não aprendem, que vêm de meios muito pobres, que são deixados para trás. A escola foi criada para incluir todos os alunos.”

Critica a “naturalização” das reprovações e do insucesso escolar e afirma: “se uma escola tem 500 alunos, 500 alunos têm de aprender e não pode ser “natural” que 100 desses alunos não aprendam”. A inclusão nas escolas está, em grande parte, na responsabilidade dos professores que, por vezes, estão “muito pouco disponíveis para modificar a sua forma de ensinar”. As novas ferramentas digitais, como a internet e os dispositivos móveis, devem ser vistas pelo professor como um aliado, e não como uma ameaça, porque uma aula não tem de se resumir “ao caderno e ao quadro preto”. “Há professores nos Estados Unidos que pedem um resumo da aula aos alunos com um tweet”, exemplifica.

“A solução não é queimar os bons alunos para salvar os maus alunos”, adverte. Passa, sim, por estimular a aprendizagem, elevar as expetativas, usar os recursos da escola e da comunidade, porque “o objetivo deve ser sempre ensinar todos os alunos, entendendo a turma como um grupo heterogéneo.” E, afinal, qual é a finalidade última da educação? “Tornar os alunos verdadeiramente apaixonados pelo conhecimento”.

Fonte: observador.pt  - Imagem Internet/Ilustrativa

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