sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Conhecendo a acessibilidade do Rio de Janeiro

Viajar é um dos desejos mais comuns do pessoal, entre os cadeirantes não é diferente. A única diferença está na maneira de planejar uma viagem, é preciso achar um hotel adaptado, saber se os pontos turísticos são acessíveis, entre outras coisas. É uma tarefa complexa, por isso é sempre bom começar a pesquisar tempo antes.

Acabei de chegar de uma viagem ao Rio de Janeiro, que fiz com meus pais e meu irmão que também é cadeirante. Confesso que devido aos problemas que tive nas minhas outras viagens, eu estava morrendo de medo que esta também seria bem difícil. Mas para minha surpresa e alegria, a viagem foi perfeita!

Comecei a planejar a viagem no final de Setembro, começando pelo hotel. Meu amigo cadeirante indicou um hotel que ele tinha ficado quando viajou pro RJ, mesmo assim dei uma pesquisada em outros hotéis na internet e achei vários, mas preferi ficar no do meu amigo pra não correr o risco de não dar certo.
   Entrei em contato com eles e pedi fotos do banheiro e da cadeira de banho por garantia (nem todos hotéis oferecem cadeira de banho). Assim que ví que daria certo, fiz as reservas.

Depois do hotel reservado, comprei as passagens utilizando o desconto de 80% na passagem do acompanhante (se você ainda não conhece esse desconto, clique aqui).
   Hotel reservado e passagens compradas, chegou a hora de viajar...

Assim que você desembarca no saguão do aeroporto, você encontra umas "banquinhas" de táxi, muitas pessoas me falaram para não usar este serviço por ser caro, mas não é verdade.

Pedimos um táxi com eles e logo chegou uma Doblô (carro grande para caber as duas cadeiras), o valor foi razoável. Mas o legal, é que se contratar de novo o mesmo serviço para levar do hotel para o aeroporto, eles fazem por um valor menor. 

É importante lembrar que este serviço é apenas para translado (só leva do aeroporto para o hotel e do hotel para o aeroporto), eles não levam aos pontos turísticos para passeio.

Para visitar os pontos turísticos, procurei na internet empresas que fazem este serviço. Eu optei por uma van adaptada da Lince 
Transportes Especiais, onde eu e meu irmão podemos entrar e sair do automóvel sem sair da cadeira utilizando um elevador.

Sem dúvidas essa foi minha melhor escolha, pois só quem é cadeirante sabe que ficar saindo toda hora da cadeira e desmontar e montar a cadeira de rodas para caber no carro, acaba sendo muito exaustivo e estressante. Mas usando a van adaptada da Lince, o passeio se tornou mais agradável e menos cansativo.
Super indico o serviço deles, além de ser prático, também é muito seguro.

Utilizamos a van para ir ao Pão de açúcar, ao Cristo Redentor e passar pelo Maracanã e Sambódromo. Logo a baixo, conto como é a acessibilidade em cada lugar.
   
Morro da Urca-Pão de Açúcar
O ingresso para andar de bondinho pode ser comprado na hora, meus pais pagaram R$ 62,00 (por pessoa) e eu e meu irmão pagamos R$ 31,00 (por pessoa) por sermos cadeirantes.

Se você é cadeirante, fique tranquilo, por que lá tem toda a acessibilidade possível, desde elevadores até banheiros adaptados.

Vila Verde
   Quando cheguei, me informarão que o elevador do primeiro morro estava estragado, senti um ''frio na espinha' e logo pensei que eu teria de ser carregada no colo. Mas disseram que existia um outro caminho por fora chamado  ''Vila Verde'', onde eu não passaria por nenhuma escada. 
   Só digo uma coisa, ainda bem que o elevador estava estragado porque a Vila Verde é lindaaaaa e completamente acessível. Se você for visitar o Pão de Açúcar, não deixe de passar pela Vila Verde. 



Cristo Redentor
Diferente do que o Pão de Açúcar, no Cristo Redentor eu e meu irmão não tivemos o direito de pagar meia entrada, cobraram R$ 32,00 por pessoa.

Para chegar até o Cristo, nós subimos um bom pedaço do caminho com a nossa van e quando chegamos no local de comprar os ingressos, nos disponibilizaram outra van adaptada (com elevador também) para nos levar até o Cristo.

Este percurso é um pouco desconfortável para alguns cadeirantes, pois o caminho é feito de muitas curvas e alguns buracos. Sugiro que leve algum cinto e peça para seu acompanhante te segurar, tanto na subida quanto na descida a van balança muito.

Depois desse caminho, é necessário subir duas escadas rolantes. Eu estava com medo desta parte, mas foi tranquilo. Pra isso, existem funcionários disponíveis que são treinados para subir com cadeirantes.
O moço que me auxiliou, disse que não costumam subir cadeiras motorizadas na escada rolante devido ao peso. Quando isso acontece, o cadeirante é posto em uma cadeira manual para subir a escada e logo depois é transferido para sua própria cadeira. 

Depois que sobe pelas escadas, você já está aos pés do Cristo.

Praia de Copacaba (calçadão).
A praia realmente é linda, o calçadão é imenso e a energia dos cariocas é contagiante. Eu não fui com intensão de ir até o mar e mesmo que eu quisesse, não teria como porque não ví nenhum acesso para cadeirante. A areia é muito fofa, impossível de andar com a cadeira mesmo de ré, sem falar que é preciso andar bastante pela areia até chegar ao mar. Não vi nenhuma cadeira anfíbia e nem banheiros adaptados. Ou seja, a praia mais famosa do Brasil, NÃO é acessível!

Já no calçadão é tranquilo, tem rampas de acesso e realmente é muito bonito.


Graças a Deus toda a viagem foi muito boa, passeamos bastante, conhecemos os pontos turísticos e nem precisei ser carregada no colo nenhuma vez para entrar e nem para sair do avião.

Sei que nem todos podem viajar, mas para aqueles que pretendem conhecer um novo lugar, eu indico o Rio de Janeiro pela minha experiência.

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