quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Casal vence a deficiência, trabalha e educa uma filha.

Marido e mulher reclama da estrutura da cidade, que apresenta vários obstáculos aos cegos.

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A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla acontece de 21 a 28 de agosto. A data serve para diversas atividades que possam lembrar à sociedade os direitos destas pessoas. Mas tem gente que não fica esperando as coisas acontecerem. Pessoas que vencem as limitações com muita garra e conquistam seu espaço sem dever nenhum favor a ninguém. Como o casal Carlos Fernando Petry e Diva Barreto de Vargas.
Diva tem uma deficiência visual desde o nascimento. Ao longo da vida, por um curto período conseguiu enxergar, mas logo a doença estabilizou e lhe tirou 98% da visão. Ela trabalha e ainda é voluntária na Associação de Cegos do Rio Grande do Sul. Carlos sofreu um acidente de carro aos 18 anos, e os estilhaços do parabrisa lhe feriram os olhos, tirando-lhe a visão. Depois de “se esconder dentro de casa” por oito anos, ele decidiu ir à luta. E venceu. Hoje é técnico de informática de uma grande empresa montenegrina.
Trabalho
Diva atua como voluntária na Associação de Cegos do Rio Grande do Sul, encaminhando pessoas com deficiência visual para o mercado de trabalho. “Hoje temos cegos atuando em setores como informática, área de mecânica, empresas automotivas, é muito difícil afirmar alguma coisa que um cego não possa fazer”, relata. Diva ressalta, porém, que a força de vontade do cego é muito importante. “O cego tem que querer se qualificar. O pior caso é ficar em casa esperando as coisas acontecerem”, completa.
O próprio marido de Diva é um exemplo. Depois de ficar em casa por oito anos depois do acidente, Carlos resolveu buscar uma forma de trabalhar. “Encontrei apoio na Associação de Cegos de São Sebastião do Caí, e me formei em Técnico de Informática e hoje estou muito bem”, enfatiza.
Exemplos
Diva e Carlos se mantêm informados pela internet. Graças a um software que transforma os textos que aparecem na tela em voz, eles podem navegar e participar das redes sociais. “Hoje o cego tem acesso a todo o conhecimento através da internet, basta baixar um programa leitor de tela no computador que consegue acessar a rede”, ensina Carlos. Outra atividade possibilitada pela informática é a leitura de livros. E isto está servindo de exemplo para a filha, Cassiane. A menina tem 13 anos, estuda no 7º ano da Escola José Pedro Steigleder, onde se destaca pela desenvoltura nas interações com os colegas. “Gosto muito de ler, tenho muitos livros em casa. E eles (Carlos e Diva) são exemplos pra mim”, comenta a menina.
Obstáculos
Apesar de serem independentes, Diva e Carlos enfrentam alguns problemas para se locomoverem com liberdade. “Próximo à Secretaria da Saúde não tem com eu andar pela calçada. Tem água empoçada ali eu tenho que ir ela rua”, aponta Carlos Petry. O técnico de informática questiona ainda a solução para o problema. “Esta situação sempre existiu, eu não sei porque ainda não foi resolvida”.
Diva destaca a falta de semáforo na esquina das ruas Campos Neto e Julio Renner. “É muito difícil para qualquer pessoa passar por ali”, observa. “Quando volto do trabalho, desço do ônibus e tenho que atravessar a avenida. Mas sempre tem muito movimento”, reclama. Segundo ela, uma sinaleira no local resolveria o problema.
Fontes: tonovo.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

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