quarta-feira, 19 de agosto de 2015

De muletas, cearense dribla deficiência e vira exemplo no paratriatlo.

Elione de Sousa teve a perna esquerda amputada após um acidente de carro há quatro anos. Com início na natação, descobriu-se no triatlo e nunca mais parou.

Foto de Elione sorrindo com sua muletaEm 2010, um acidente de carro mudou a vida de Francisco Elione de Sousa, então com 26 anos. Jovem, desatento, estava bêbado ao volante. Da noite para o dia, "desaprendeu a andar", como ele próprio relembra. Teve a perna esquerda amputada e passou a usar muletas. Mas essa foi apenas uma das mudanças pelas quais passou nos últimos quatro anos. Neste domingo (16), na Ilha do Mosqueiro, em Belém, o cearense completou mais uma prova de triatlo. Mais uma de muletas.

A porta de entrada para o triatlo foi a natação, para "reaprender a andar com as muletas", relembra. No triatlo, inclusive, é dentro da água que Elione se sente mais à vontade. No ciclismo, o esforço recai todo sobre a perna direita. Na corrida, as muletas funcionam como uma extensão metálica da perna esquerda, mas os ombros são os que mais sofrem. Mas não pense que ele reclama.

- Antes do acidente eu não praticava nada de esportes. Acho que o acidente me deu uma oportunidade de ver a vida com outros olhos. Hoje faço tudo isso com muita realização - afirmou Elione.

Antes de a reportagem conseguir falar com o atleta, logo após a chegada da quinta etapa do circuito nacional de triatlo, vários foram os que o cumprimentaram. Palavras de reconhecimento, incentivo, eram as mais ouvidas. "Você é um exemplo para mim", dizia um, ou "nunca mais vou reclamar por qualquer coisa", dizia outro.

- Gratificante demais poder servir como exemplo para tanta gente. É algo que motiva bastante - pontuou.

"Sou um paratleta"
Elione começou na natação, mas se apaixonou pelo triatlo. Nele, teve a chance de rever sua vida e, de quebra, ganhou uma segunda família. Ele participa do projeto da Federação de Triatlo cearense, que levou 47 jovens para Belém, para a quinta etapa do circuito nacional de triatlo. O grupo, que enfrentou 16 horas de "prego" no ônibus para ir de Fortaleza a Belém, teve outra dificuldade no percurso entre Belém e a Ilha do Mosqueiro, local da prova. O motorista se perdeu e acabou indo parar em outra localidade.


Atrasamos a prova do pessoal todo em meia hora. Foi horrível. A gente achou que ia perder a prova. Era gente tirando a bicicleta de dentro do ônibus e colocando o pneu às pressas. Chegamos quando faltavam cinco minutos. Não vimos balizamento, não vimos boias, não concentramos... mas levantamos a cabeça e fomos lá.

No paratriatlo, há cinco categorias. Do PT1 (cadeirantes), ao PT5. Elione compete pela categoria PT2, para amputados acima do joelho. No circuito do Sesc, para promover a inclusão, as cinco categorias disputam a mesma prova. O resultado? Pouco importa. Em Fortaleza, Elione explicou que participa de todas as corridas de rua como forma de incentivo aos que estão começando. Quer estímulo maior que esse?

Trabalhava como vigilante, mas estou afastado do trabalho enquanto consigo uma prótese. Por enquanto estou me dedicando somente ao esporte. Agora eu sou um paratleta - encerrou, com um orgulho que não cabia no largo sorriso estampado no rosto.

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