segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Deficiente é carregado para audiência sobre acessibilidade em Araxá.

Manoel Stefani precisou de ajuda no Juizado Especial da cidade.

                                 acessibilidade

O administrador de empresas, Manoel Stefani Furtado, de 27 anos, morador de Araxá, no Alto Paranaíba, é cadeirante e encontrou dificuldades de acessibilidade no prédio do Juizado Especial da cidade. Nesta segunda-feira (13) ele foi assistir a audiência de um processo dele contra uma companhia aérea. O caso também estava relacionado à acessibilidade, porém ele precisou ser carregado por duas vezes até a sala onde iria ocorrer o julgamento. O fato foi registrado em dois vídeos por um amigo do administrador.
Manoel é carregado na primeira escada, para ter acesso à recepção do local. No outro, ele é carregado até o segundo andar, onde ocorreu a audiência. O G1 entrou em contato com o Juizado Especial que informou que o prédio é municipal, assim, a obra de acessibilidade tem que ser executada pelo Município. A secretaria de Obras Públicas e Mobilidade Urbana confirmou que a diretoria do Fórum já entrou em contato com a Prefeitura, que afirmou que vai fazer as melhorias de acessibilidade no local.
De acordo com o administrador, este seria o julgamento de um processo dele contra uma empresa de aviação por má prestação de serviço no embarque e desembarque. “Eu cheguei lá e não tinha acessibilidade, eu queria assistir e me disseram que só se me carregassem. Eu pedi ajuda ao meu advogado e depois a um rapaz que estava lá. A escada é muito íngreme. Foi o segurança do local e um rapaz que estava lá no momento que me ajudaram. Essa foi a terceira ou quarta vez que isso aconteceu comigo lá. Quando vou para uma audiência de acessibilidade, acabo me deparando com mesmo problema no local”, explicou.
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Segundo Manoel, as audiências acontecem no segundo andar, porém, geralmente os juízes descem para atendê-lo. Neste caso foi diferente, pois era uma turma recursal, quando três juízes julgam recursos de segundo grau. “Geralmente eles me carregam naquele primeiro degrau, às vezes o juiz enrola, mas acaba descendo. Mas desta vez, pelo fato de ser turma recursal, eram três ou quatro juízes, eles não iriam descer”, contou..
O administrador contou que o fato já aconteceu outras vezes. “É muito desconforto. Eu tenho que passar por isso todos os dias aonde quer que eu vá, mas já me calejou e eu cansei de passar raiva à toa. Temos que estar sempre pedindo ajuda, não podendo fazer as coisas. Quando eu preciso de alguma coisa no Juizado Especial tem que gritar com a recepcionista, porque ela não me vê. Nós temos que brigar mais”, disse.
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O administrador disse que já reclamou no local. “Qualquer pessoa com o mínimo de senso vê que é viável construir uma rampa ou um elevador, mas eles dizem que não tem como fazer reforma lá”, afirmou.
Manoel contou que os problemas na questão acessibilidade acontecem em todos lugares que ele frequenta. “Eu já fui em supermercado, no caixa para deficiente, a cadeira não passava. Em uma lanchonete, eles fecham a rampa durante a madrugada. Eu tenho problemas em todos os lugares que eu vou”, comentou.
Acessibilidade do local
O G1 entrou em contato com o Juizado Especial que informou que o prédio é municipal, assim, a obra de acessibilidade tem que ser executada pelo Município. De acordo com as informações, o contato com a Prefeitura solicitando as obras de acessibilidade já foi feito.
Além disso, em 2016 deve iniciar a licitação para as obras da sede própria do Juizado Especial do Tribunal de Justiça que será construído de acordo com as normas técnicas observando os critérios de acessibilidade. A previsão de conclusão é no final de 2018. O terreno fica próximo ao Centro Administrativo. A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura, e aguarda retorno o posicionamento.
A secretaria de Obras Públicas e Mobilidade Urbana confirmou que a diretoria do Fórum já entrou em contato com a Prefeitura, que afirmou que vai fazer as melhorias de acessibilidade no local.

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