sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O que é inclusão?



Incluir do Lat. includere, verbo transitivo direto, compreender, abranger; conter em si, envolver, implicar; inserir, intercalar, introduzir, fazer parte, figurar entre outros; pertencer juntamente com outros. No bom e velho Aurélio, o verbo incluir apresenta vários significados, todos eles com o sentido de algo ou alguém inserido entre outras coisas ou pessoas. 

Em nenhum momento, essa definição pressupõe que o ser incluído precisa ser igual ou semelhante aos demais aos quais se agregou.

Quando falamos de uma sociedade inclusiva, pensamos naquela que valoriza a diversidade humana e fortalece a aceitação das diferenças individuais. É dentro dela que aprendemos a conviver, contribuir e construir juntos um mundo de oportunidades reais (não obrigatoriamente iguais) para todos. Isso implica numa sociedade onde cada um é responsável pela qualidade de vida do outro, mesmo quando esse outro seja muito diferente de nós.



Tive a oportunidade de debater no curso de pedagogia da universidade da minha cidade um pouco sobre questões inclusivas, principalmente dentro das salas de aula. Chegamos à conclusão que até pouco tempo atrás a “inclusão” era feita através de salas especiais onde todas as “crianças problema”, assim eram consideradas, era colocadas juntas; hoje a obrigatoriedade da inclusão destas crianças nas salas regulares trazem muitos benefícios a todos, crescimento do profissionais que estão aberto à inclusão, aos incluídos e àquelas crianças ditas “normais” que serão adultos com menos preconceitos e com a habilidade de se adaptar aos outros aprendendo a valorizar os potenciais do outro e não suas deficiências.

O conteúdo das definições de inclusão da lista abaixo é de autoria de Claudia Werneck, extraído do primeiro volume do Manual do Mídia Legal:
  • a inserção é total e incondicional (crianças com deficiência não precisam "se preparar" para ir à escola regular);
  • exige rupturas nos sistemas;
  • mudanças que beneficiam toda e qualquer pessoa (não se sabe quem "ganha" mais; TODAS ganham);
  • exige transformações profundas;
  • sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de TODOS;
  • defende o direito de TODAS as pessoas, com e sem deficiência;
  • traz para dentro dos sistemas os grupos de "excluídos" e, paralelamente, transforma esses sistemas para que se tornem de qualidade para TODOS;
  • o adjetivo inclusivo é usado quando se busca qualidade para TODAS as pessoas com e sem deficiência(escola inclusiva, trabalho inclusivo, lazer inclusivo, etc.);
  • valoriza a individualidade de pessoas com deficiência (pessoas com deficiência podem ou não ser bons funcionários; podem ou não ser carinhosos, etc.);
  • não quer disfarçar as limitações, porque elas são reais;
  • não se caracteriza apenas pela presença de pessoas com e sem deficiência em um mesmo ambiente.
O Papel da escola:

Cabe à escola compreender que todos os alunos têm ritmos de aprendizado diferentes. E o professor precisa criar estratégias pedagógicas para que cada um consiga aprender o que ele quer ensinar. A escola tem que ser de qualidade para todos os alunos, sem distinção. No fundo, o primeiro passo para a inclusão é uma questão de atitude; é preciso estar disposto a incluir, quebrar paradigmas, adaptar-se a uma nova realidade e sair da zona de conforto.

Essa mudança de atitude não acontece de uma hora para outra. É um processo e, como tal, cheio de dificuldades. Mas essas podem ser superadas em conjunto pelo corpo diretivo da escola, professores, pais e entidades que atendem pessoas com deficiência. Inclusive quanto à avaliação sobre se é necessário algum preparo específico dos educadores e qual seria, em cada caso, essa especialização. As entidades têm um papel muito importante nesse processo auxiliando as escolas com seu conhecimento e suas práticas diárias.



A inclusão de alunos com deficiência em salas regulares não minimiza os cuidados que a criança deve ter de acordo com a sua deficiência. Mas a função principal da escola não é terapêutica, é educacional. Outro aspecto importante é perceber que crianças com a mesma deficiência não são iguais entre si. E o professor, portanto, não pode querer seguir receitas prontas. Cada criança terá suas necessidades específicas e cada professor terá que descobrir como adaptar seu currículo a cada caso e cada necessidade.

O Papel dos Pais:

Por fim, a inclusão implica em quebrar, muitas vezes, a resistência apresentada pelas próprias famílias: a criança tem que estar incluída também em casa. Se os pais acham que seu filho é um coitadinho, especial ou um anjo, ele sempre será excluído na sociedade. É preciso enfrentar os problemas e as dificuldades, mas não fazer deles maiores do que são. É preciso valorizar as potencialidades e não as dificuldades.


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