domingo, 10 de janeiro de 2016

20 dicas para construir uma relação de respeito com as pessoas cegas

    
Imagem Ilustrativa/www.lmc.org.br


Introdução

Diversas pessoas, certamente muitíssimo bem intencionadas, fazem enorme confusão acerca de quando e como oferecer auxílio às pessoas com deficiência, mormente às com deficiência visual, que, pelas circunstâncias, estão mais propícias ao envolvimento e interação.

Essa nobre vontade de ajudar muitas vezes gera uma certa invasão na vida das pessoas com deficiência visual, tendo em vista que as pessoas sem deficiência podem se aproximar e observar  sem pedir licença, vigiar sem ser notadas, tocar no cidadão com deficiência visual sem que este tenha tempo de reagir ou mesmo de compreender o que está acontecendo, além de outras situações embaraçosas.

Na tentativa de oferecer conceitos que visam ao esclarecimento da
sociedade, notadamente daquelas pessoas cuja solidariedade humana
proporciona a vontade de auxiliar, um grupo de indivíduos com e sem
deficiência visual desenvolveu 20 dicas extremamente úteis nesse contexto.

Antes de mais nada, porém, é preciso ressaltar que as pessoas com
deficiência são distintas entre si e carregam peculiaridades diversas, o que é inerente a todo ser humano. Nesse raciocínio, pensar em comparações entre as pessoas com deficiência apenas pelo fato de terem uma deficiência pode soar deselegante, além de não ser um pensamento construtivo.

1. Quando encontrar uma pessoa com deficiência visual, jamais deve-se perguntar onde vai ou pretende ir. Essa pergunta pode ser invasora e indiscreta, principalmente quando se tratar de um desconhecido. A pergunta mais adequada, nessa situação, é se a pessoa precisa ou não de auxílio.

2. Em caso de recusa de ajuda por parte da pessoa com deficiência,
qualquer insistência pode causar constrangimentos desnecessários. Se a ajuda foi efetivamente recusada é porque a pessoa não necessita, de fato, de auxílio, pelo que tal insistência em ajudar pode configurar descrédito nas capacidades do indivíduo.

3. Oferecer um lugar no transporte coletivo a uma pessoa com deficiência visual é uma atitude positiva, notadamente quando a pessoa carrega muitos objetos, além da bengala, sempre tão necessária. A recusa, tal qual no item anterior, não deve gerar qualquer insistência. Alegações de perigo ou de que a pessoa com deficiência visual não deveria estar em pé só servem
para diminuir sua autoestima e, o que deveria ser uma proposta de auxílio acaba se tornando um entrave.

4. Não se deve, em hipóteze alguma, pedir que um terceiro ceda seu lugar a uma pessoa com deficiência visual. O dono do lugar pode não querer cedê-lo e a pessoa com deficiência pode querer continuar em pé, o que deve ser sempre respeitado.

5. Falar em nome de uma pessoa com deficiência visual constitui tutela desnecessária e constrangedora. A pessoa cega ou com baixa visão pode se expressar normalmente. Se o seu interlocutor insistir em comunicar-se com um intermediário sem deficiência, o mais adequado é um sutil pedido para que mantenha sua comunicação diretamente com a pessoa com deficiência interessada.

6. Expressões de suposta solidariedade também devem ser evitadas. Frases de efeito como "É duro não enxergar." ou "se para quem vê já é difícil, imagine para você." colocam a pessoa com deficiência em posição de inferioridade, o que cria uma enorme barreira entre ajudante e auxiliado.

7. Nunca se deve insinuar que a pessoa cega precisa de um acompanhante. Se o indivíduo encontra-se sozinho, é porque compreende que tem plenas condições para isso. A pessoa com deficiência visual não necessita de alguém ao lado todo o tempo, apenas um facilitador eventual e esse facilitador pode ser você.

8. Ao conduzir uma pessoa com deficiência visual, avisos de degraus,
subidas ou descidas, bem como qualquer declive, são totalmente
desnecessários. Oferecendo-lhe o cotovelo, a pessoa pode sentir todos os seus movimentos e, como deverá caminhar um passo atrás do condutor, terá acesso a qualquer obstáculo antes mesmo de chegar a ele.

9. Deve ser evitada qualquer ajuda sob o pretexto de que é difícil para a pessoa com deficiência visual desenvolver alguma atividade. Tomar a frente nos serviços da casa de uma pessoa cega, por exemplo, ao invés de ser recebido como uma gentileza, pode ser visto como falta de respeito e invasão de privacidade.

10. É fundamental que haja uma interação verbal antes de tocar ou encostar na pessoa com deficiência visual. O toque, por mais bem intencionado que seja, é invasor e constrangedor, mormente quando se tratar de uma pessoa que não possa ver.

11. Ficar constantemente ensinando as pessoas cegas a realizar
atividades cotidianas também é uma atitude que causa embaraços
desnecessários. Cada pessoa tem sua própria forma de fazer as coisas, o que é resultado de suas experiências individuais.

12. Escadas ou degraus não constituem qualquer obstáculo para pessoas com deficiência visual. Optar por caminhos mais longos em busca de rampas ou elevadores é totalmente desnecessário, além de fazer com que a pessoa perca tempo e tenha de caminhar mais.

13. Ao oferecer auxílio a uma pessoa cega, jamais deve-se mencionar a idéia de que se está fazendo um favor. Isso gera humilhação e sentimento de antipatia. Seu gesto de solidariedade pode ser nobre, mas não há nada de heroísmo nele.

14. Insinuar que determinado auxílio é indpspensável é igualmente
inadequado. A pessoa com deficiência visual desenvolve seus próprios
métodos e, certamente se não puder contar com auxílio, poderá encontrar uma outra forma para realizar uma tarefa.

15. Relacionar-se com excesso de mimo e superproteção pode ser prejudicial e constrangedor. A limitação visual, quando bem trabalhada, torna as pessoas fortes, maduras e batalhadoras, o que elimina qualquer necessidade de tratamento inferiorizante. Superproteção é preconceito velado.

16. Jamais deve-se tocar em uma pessoa cega ou com baixa visão quando a mesma estiver entrando ou saindo de um veículo de transporte coletivo. Isso incomoda, atrapalha e confunde.

17. É inadequado tornar a limitação visual maior do que ela realmente é. Querer fazer pela pessoa cega ou com baixa visão o que ela pode fazer sozinha também constitui preconceito e deve ser evitado.

18. Gestos que incomodam, atrapalham e devem ser evitados: Puxar e apertar o braço da pessoa com deficiência visual, empurrá-la pelas costas ou passando o braço por trás, abordá-la subitamente com toque físico antes de qualquer interação verbal e tocar em seus objetos de apoio, como a bengala.

19. Certas perguntas ou comentários enquanto oferece auxílio também podem configurar situações constrangedoras. Coisas que não se diz a estranhos, como "Está indo dar uma passeadinha, hein?" também não devem ser ditas às pessoas com deficiência visual, mormente porque, na grande maioria das vezes, são pessoas que estão indo ou vindo de seu local de trabalho ou de estudos, pelo que a menção a passeios, principalmente se isso se der durante dias úteis, pode gerar a idéia de que tais pessoas apenas passeiam
e não exercem atividades mais sérias e responsáveis.

20. Finalmente, excesso de auxílio ou proteção humilha e não é de bom tom exagerar na dose. O excesso de zelo constrange e tira a liberdade daquele que está sendo auxiliado. Se a pessoa cega ou de baixa visão, por vezes responde com rispidez ou pouca elegância, isso é resultado da constante tentativa de conquistar o respeito da sociedade, que está o tempo todo protegendo e promovendo facilidades desnecessárias.


Fonte: www.leondeniz.com - Imagem Ilustrativa/www.lmc.org.br

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