segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Cadeirantes enfrentam riscos em rampas que deveriam ajudar, no RS

Instalação em locais inapropriados e defeitos de projeto são alguns dos problemas em rampas construídas em Santa Rosa e Santo Ângelo.

cadeirante-acessibilidade

Para quem usa cadeira de rodas, andar pelas ruas de algumas cidades é um desafio. O pior é quando as rampas, que deveriam ajudar, põem a pessoa em risco.
A calçada está pintadinha e o símbolo de acessibilidade, bem visível. O problema é a inclinação da rampa. O Seu Ilton Bender diz que nunca viu ninguém subir com cadeira de rodas no local. “É muito alto, acho que é muito declive para um cadeirante subir ou descer essa rampa”, diz o empresário.
As rampas foram colocadas pela prefeitura de Santo Ângelo, no noroeste gaúcho, durante as obras de reparo no asfalto. Mas o que deveria ajudar trouxe mais risco: como descer ladeira abaixo. Ao usar a rampa, o cadeirante encontra pela frente um barranco escondido pelo mato de quase cinco metros de altura.
Perto do local, na cidade de Santa Rosa, mais problemas. A rampa foi instalada de frente para uma árvore. Desse jeito, nem o piso tátil, que permite que um deficiente visual se localize, evitaria um incidente.
“Não nos consultam, fazem as coisas acontecer sem nós. Está lá, umas tem buracos, outras inclinadas demais, outras muito estreitas, outras estão em desacordo com a faixa de segurança que oferecem riscos também”, afirma o presidente da Associação de Deficientes Físicos de Santa Rosa, Paulo Veiga. As rampas foram construídas há pouco mais de um ano. Mas o projeto da prefeitura de Santa Rosa foi feito sem levar em consideração o nivelamento com a rua.
A arquiteta Renata Rotta diz que a altura da rampa é bem diferente do que prevê a legislação. “A cada um metro de projeção horizontal de uma rampa, você pode subir no máximo 8,33 centímetros. Então, quando a gente não respeita essa inclinação, o trajeto, principalmente para os cadeirantes fica bastante dificultado”, diz.
O resultado é dificuldade e perigo na certa. “Para o cadeirante, qualquer buraco significa uma cratera e riscos de cair, enfim, de acontecer algum problema maior”, conta Paulo Veiga.
A prefeitura de Santa Rosa admitiu que teve problemas com a empresa contratada para fazer o serviço e disse que vai elaborar um novo projeto. Já a prefeitura de Santo Ângelo informou que as rampas foram feitas pela empresa que venceu a licitação. Apesar das imagens absurdas, a prefeitura disse que o projeto seguiu as normas técnicas exigidas.

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