terça-feira, 12 de janeiro de 2016

'Meus presentes', diz mãe ao falar de filhas adolescentes com microcefalia

Em Manaus, assessora fala sobre momentos distintos ao lado das filhas.
Ela chama atenção para necessidade de adequação de escolas ao problema.

Adneison Severiano Do G1 AM*

    Mãe diz que filhas com microcefalia são presentes (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)Viviane Lima ao lado das filhas Ana Victória e Maria Luíza (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)


A angústia de receber o diagnóstico de que o filho nasceria com microcefalia foi vivenciada duplamente pela manauense Viviane Lima. A assessora parlamentar, que tem duas filhas com microcefalia, relatou ao G1 a forte relação de amor com as adolescentes e a luta pelo desenvolvimento das filhas.

"Elas foram além das minhas expectativas de mãe. Elas são diferentes em tudo, no amor que elas te dão, no abraço que te dão, no carinho. Você acaba vendo as suas filhas como presentes""
Viviane

As duas meninas nasceram em uma época quando não se cogitava uma epidemia de microcefalia no Brasil. O diagnóstico ocorreu na gestação da primeira filha Ana Victória em 1999. Dois anos depois, na segunda gravidez, Viviane recebeu novamente a notícia de que a segunda filha, a Maria Luiza, também tinha microcefalia. Os diagnósticos foram feitos durante realização de ultrassonografias morfológicas. Na época, a assessora parlamentar tinha 18 anos.
"Quando engravidei da Ana Victória eu tinha 18 anos. A minha imaturidade na primeira gestação, não fez alcançar a gravidade da situação. Fiquei preocupada, mas naquela época não se falava em microcefalia e era algo muito novo. Talvez se o diagnóstico fosse de Síndrome de Down, eu tivesse me desesperado. Eu não conhecia o que era. Era mais alguma coisa que tinha que ser resolvida. Quando nasceu eu tive médicos para orientar", relatou Viviane.

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A assessora de gabinete afirma que mesmo após os diagnósticos não cogitou aborto. "Nunca passou pela minha cabeça abortar. Nunca tive esse pensamento", disse.

Hoje, a mãe comemora a inclusão de Ana Victória, de 16 anos, e Maria Luíza, 14 anos. As duas adolescentes frequentam escolas normais, mas ainda enfrentam dificuldades com a atual metodologia de ensino.

"Elas estão inclusas desde um ano e nove meses. Começaram em rede particular e depois foram para rede pública de ensino. O nosso sistema educacional em Manaus ainda não está totalmente preparado para inclusão, mas, pelo menos, a socialização dentro da escola tem. O ensino que ainda não está preparado para elas, mas acredito que tudo irá se resolver", avalia.

A manutenção do desenvolvimento das meninas e rotina ativa são objetivos de vida de Viviane, que demonstra a alegria de ter Maria Luíza e Ana Victória ao seu lado e da irmã mais nova do segundo casamento. "Elas foram além das minhas expectativas de mãe. Elas são diferentes em tudo, no amor que elas te dão, no abraço que te dão, no carinho. Você acaba vendo as suas filhas como presentes", enfatizou Viviane. 

Com a experiência de ser mãe de adolescentes com microcefalia, Viviane ressaltou que o diagnóstico não impede o futuro da criança com a malformação no cérebro. Ela orienta outras mães, com a mesma situação, a lutar pelo desenvolvimento dos filhos apesar das dificuldades.

"Temos que a aprender a viver um dia de cada vez. Cada dia é uma conquista. O diagnóstico não vai determinar uma vida inteira. Do mesmo jeito que eu consegui e ainda estou conseguindo, elas também podem. Temos que amá-los e não ter preconceito. O que temos que fazer é lutar pelos direitos dos nossos filhos. Porque se minhas filhas hoje estão bem é porque eu tive um amparo familiar e médicos para orientar. Temos que lutar para que o governo e a Saúde possam dar assistência", destacou.

Maria Luíza e Ana Victória gostam de se divertir com a família (Foto: Arquivo Pessoal)
Maria Luíza e Ana Victória em momentos de diversão e escola; foto acima mostra Ana Victória ainda bebê (Foto: Arquivo Pessoal)Fonte: g1.globo.com



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