quinta-feira, 14 de abril de 2016

Paratleta cai de rampa de acessibilidade de ônibus

por: ANDRÉ ROSSIAMERICANA
Foto; Divulgação/Maria



A paratleta Maria Gonçalves de Almeida, 50, relatou que sofreu um acidente após a rampa para cadeirantes de um ônibus da VPT (Viação Princesa Tecelã), em Americana, ceder e fazer seu pé ficar preso. A mulher afirmou que tentou se soltar, mas sua cadeira de rodas perdeu a estabilidade e ela caiu, batendo a cabeça na sarjeta. Maria disse que foi a segunda vez que sofreu um acidente em uma condução da empresa. A prefeitura apontou procedimento errado e afirmou que advertirá a empresa.
O acidente aconteceu no dia 6, em frente à Praça Comendador Muller, no Centro, com um ônibus da VPT, que faz a linha Jardim Balsa, explicou a paratleta.
O motorista parou, conduziu-a até a rampa de frente para o ônibus e acionou o sistema. "Dei ok para ele e a plataforma começou a subir. Acho que devia estar com algum problema no sistema. De repente abaixou, e nessa hora o pé ficou preso. Fui tentar proteger ele, tirar, mas a cadeira tombou para trás. Ainda tentei segurar, mas não consegui. Bati com a cabeça na calçada e desmaiei. Acordei toda grogue no hospital", contou Maria.
Na queda, a cadeira de rodas dela, que é motorizada e custa em torno de R$ 14 mil, teve danos no joystick que controla as direções e na estrutura. Ela disse que ainda perdeu uma semana de treinamentos para o Open Internacional de Atletismo ACD, no Rio de Janeiro, do qual pretende participar nas categorias de lançamento de dardo, de disco e de peso. A mulher, que é autônoma, também não teve como trabalhar durante o período.
"Nesse torneio, meu objetivo é fazer minha avaliação (qualificação) internacional, porque eu só tenho a nacional. Com essa avaliação, eu quero ver se consigo índice suficiente para participar dos Jogos Paraolímpicos, do Rio de Janeiro. O sonho de qualquer atleta, paratleta, é poder representar seu país em solo local", disse Maria.
Maria relatou que no ano passado sofreu um acidente semelhante em outro ônibus da VPT. "Daquela vez, a cadeira despencou comigo e com a rampa. Eu fiz reclamação e eles (representantes da empresa) vieram em casa, prestaram assistência (...) Dessa vez, eles parecem que não ligaram muito. Até porque eu falei que já estava vendo um advogado. Meu treinador quer que eu entre com uma ação contra a empresa por causa dos treinos perdidos. Na primeira vez eu falei que eles precisavam tomar providência, resolver esse problema do ônibus. Meses se passaram e nada foi feito", apontou.
Entre algumas das conquistas de Maria, destacam-se três medalhas de ouro nos Jogos Regionais de Lins, em 2010. Ela integra a equipe SB Atletismo, de Santa Bárbara d'Oeste.
Uma das pessoas que socorreram Maria foi Leonardo Brancalhão Oliveira, 29. Quando soube que Maria era paratleta e que tinha dificuldades em conseguir patrocinadores, ele decidiu iniciar uma campanha de arrecadação de recursos via WhatsApp."Eu também sou atleta e, por fazer parte de uma equipe de triatlo de Americana, sei como é difícil participar de competições sem patrocínio", explicou. Interessados em contribuir com a paratleta nas competições podem entrar em contato pelo e-mail marysbatletismo@gmail.com ou pelo celular 99531-7593.

Nenhum comentário: