domingo, 29 de maio de 2016

Esportes aquáticos radicais e de aventura para pessoas com deficiência

A água proporciona várias modalidades esportivas para pessoas com deficiência, como as já tradicionais modalidades natação, paracanoagem, vela adaptada entre outras, e também vem abrindo novas modalidades entre os esportes aquáticos de aventura e radicais.

Por Alan Mazzoleni

                               
                                       
A água proporciona várias modalidades esportivas para pessoas com deficiência, como as já tradicionais modalidades natação, paracanoagem, vela adaptada entre outras. E também vem abrindo novas modalidades entre os esportes aquáticos de aventura e radicais, como surf, kayaksurf, stand up paddle, paddle board, OC1, OC6 e mergulho.

No surf, modalidade de ficar em pé na prancha, usando a remada com os braços para entrar na onda, tem o Derek Rabelo, que é cego. No início da sua vida, logo foi constatado pelos médicos que tinha glaucoma congênito, doença rara que atinge os olhos e causa cegueira. Aos dois anos, ganhou uma prancha de bodyboard da família para pegar ondas deitado e, aos dezessete, começou a escolinha de surf em pé no Espírito Santo. Hoje, Derek é surfista profissional, pega onda no Havaí, em Pipeline, em Mentawai e na Indonésia, surfando com ícones do esporte, como Kelly Slater e Joel Parkinson.

O kayaksurf é o esporte que utiliza o kayak – que parece uma prancha com um cockpit e usa remo para entrar, deslizar e fazer manobras nas ondas. Nessa modalidade, tem o Fellipe Kizu que é cadeirante (paraplégico) desde 2006 e se destaca na modalidade. Ele sempre gostou de esportes e, hoje, pratica algumas modalidades esportivas, como a paracanoagem e o kayaksurf – participa de competições exclusivas para pessoas com deficiência e competições mistas onde que a maioria são “pessoas sem deficiência”. Kizu, que foi primeiro lugar diversas vezes nas competições de kayaksurf, já surfou em lugares fora do Brasil e em algumas praias da Indonésia, sonho de todos os surfistas.

Stand up paddle, também conhecido como SUP, modalidade de remar em pé sobre as águas, tem competições de circuitos pré-demarcados, com boias ou travessias etc., em busca do menor tempo. Jonas Letieri é referência nesse esporte. Ele perdeu os dois antebraços quando instalava uma placa de metal – ao encostar acidentalmente num cabo de alta tensão e receber uma descarga de 13.800 volts. Como sempre foi apaixonado pelo surf e pelo mar, logo adaptou um remo colocando argolas para que pudesse encaixar o braço e, hoje, compete nos circuitos mais importantes do stand up paddle, entre os grandes atletas da modalidade, conquistando etapas de destaque, como no Aloha Spirit Rio de Janeiro – onde ficou em primeiro lugar na categoria Fun Race 6 km.

Já do paddle board eu sou suspeito para falar, pois sou praticante e sempre quero incentivar que todos pratiquem o esporte. É uma modalidade de remada deitada ou ajoelhada (para quem consegue ajoelhar) por longas distâncias. No Brasil, já temos alguns atletas cadeirantes, como Serginho Lucas, Larissa Gouveia (primeira mulher cadeirante) e o Robson Careca – primeiro cadeirante no paddle board. Um dos grandes feitos dessa modalidade foi feito em dos maiores festivais do mundo, que acontece no Havaí, chamado Molokai. Lá, Mark Matheson foi primeiro atleta cadeirante a realizar a prova, que tem quase 50 km de remada, utilizando apenas os braços.

Agora é encontrar a que mais gosta, adaptar-se, praticar e ser feliz.

Alan Mazzoleni
Formado em Gestão Logística, foi presidente da ONG Viva as Diferenças, atleta de rugby em cadeira de rodas da equipe Tigres. Atualmente, é atleta de paddle board e corridas de rua em cadeira de uso diário. foi apresentador por três anos do programa Viva as Diferenças, que falava sobre inclusão da pessoa com deficiência, na Rádio ABC 1570 AM. É atuante na defesa dos direitos das pessoas com deficiência e palestrante do mesmo tema.


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