sexta-feira, 17 de junho de 2016

MITO ou VERDADE? Um jogador de Basquete em cadeira de rodas pode caminhar?



No mês passado, durante o revezamento da tocha olímpica Rio 2016, aconteceu um fato que merece uma atenção especial, João Paulo do Nascimento, jogador de basquete em cadeira de rodas, foi um dos selecionados para conduzir o símbolo olímpico nas ruas de Anápolis, em Goiás. E quando foi passar a chama olímpica para o próximo condutor, se desequilibrou da cadeira de rodas, ficou com o pé preso e caiu no chão. O vídeo da sua queda viralizou na internet, porque as pessoas acharam que João não era um verdadeiro cadeirante, já que apoio a perna no chão. Reproduzidas 1,8 milhões de vezes, as imagens geraram comentários maldosos nas redes sociais, a maioria por falta de informação, afinal as pessoas não sabem que os atletas que jogam basquete em cadeira de rodas têm diversos tipos de lesão e que não necessariamente são paraplégicos.

Segundo o portal G1, João Paulo Nascimento se defendeu. E desabafou. Ele postou um vídeo se defendendo e explicando situação. João é atleta paralímpico do basquete em cadeira de rodas, mas não é paraplégico. Ele tem "Geno Valgo", a doença do joelho em "X". As pernas não ficam alinhadas e os joelhos se aproximam, deixando os pés afastados, o que dificulta o caminhar. Mesmo assim, ele possui força nas pernas.

Por este motivo resolvi trazer aqui informações de como é formada uma equipe de basquete em cadeira de rodas. Existe uma classificação funcional em que os atletas são avaliados, conforme o comprometimento físico-motor, em uma escala de 1 a 4,5. Quanto maior a deficiência, menor a classe. A soma desses números na equipe de cinco pessoas não pode ultrapassar 14. Ou seja, pode haver pessoas que caminham com dificuldade até aqueles que são paraplégicos e dependem 100% da cadeira de rodas, o que não pode é toda a equipe ser de um nível motor só, eles devem ser mistos, e por isso há uma pontuação máxima. A finalidade desta classificação é oportunizar direitos e oportunidades iguais a todos os membros da equipe.

O jogador classificado com 1.0 é aquele que terá mais limitações físicas, geralmente ele tem pouquíssimo controle de tronco, por exemplo, e o de 4.5 será o que terá menos limitações, ele controla perfeitamente o tronco e tem sua deficiência geralmente focada em apenas um dos membros inferiores, por exemplo. As funções principais a serem avaliadas na avaliação para a classificação funcional são: funções de tronco, de membros inferiores, superiores e mãos.
Um jogador de basquete em cadeira de rodas pode caminhar então? Pode, sim ele pode caminhar, mas em hipótese nenhuma pode correr, ter habilidades de equilíbrio, pular em velocidade com segurança, estabilidade e resistência como um jogador sem deficiência; isto tudo é avaliado, o jogador necessariamente deve ter uma deficiência física que comprometa suas funções de mobilidade.

Quem quiser se aprofundar na classificação funcional, clique aqui

Porque falar disso? É preciso esclarecer já que este ano nossos atletas estão em evidência e precisamos respeitá-los e aproveitar este momento para que a informação chegue às pessoas! Não é justo que um atleta seja alvo de chacota e comentários maldosos frente ao trabalho duro dessa gurizada que leva o nome do Brasil ao topo na classificação paralímpica!!!

Os ingressos para o basquete em cadeira de rodas, nas Paralimpíadas Rio 2016, começam em R$ 40,00. Ou seja, é uma ótima oportunidade de assistir a lances incríveis e apoiar nossos atletas!!!

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