segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Cadeirante se torna mãe através da fertilização

  

Tabu para umas, sonho impossível para outras, o desejo de uma cadeirante em se tornar mãe só esbarra num único problema: desconhecimento. A gravidez é possível, assim como em qualquer mulher. A deficiência não é motivo para infertilidade, explicou o especialista em reprodução humana, Anatole Borges.

Carla Cléia, se tornou cadeirante ao 1 anos e 9 meses por seqüelas da poliomielite, casada há 15 anos com o também cadeirante Robertlito Moraes passou 15 anos tentando engravidar. Através da técnica de fertilização in vitro ela realizou o sonho da maternidade e hoje é mãe do pequeno Miguel, de 6 meses.

Ela conta que para conseguir engravidar passou por vários profissionais e sempre sentiu um preconceito velado, por conta da sua condição física. “Todos eles não me apoiavam, pelo fato de eu ser cadeirante, até que eu conheci o médico que fez meu procedimento de fertilização, e em meu primeiro contato com ele já me tratou como mãe, em nenhum momento colocou barreiras para realizar meu sonho. Imediatamente comecei a fazer todos os exames e hoje eu tenho o meu Miguel”.

Durante a gravidez, Carla teve que tomar apenas alguns cuidados por conta da circulação, já que ela fica a maior parte do tempo sentada. “A gente teve uma preocupação maior por causa de uma possível trombose, mas com a medicação correta e todos os cuidados não tive nenhum problema em relação a isso. Meu filho nasceu de 31 semanas, porque tive pressão alta, mas minha gravidez não foi diferente de nenhuma outra mulher”.


O especialista em reprodução humana, Anatole Borges, diz que o aparelho reprodutor da mulher continua funcionando da mesma forma após o acidente ou trauma que causou a lesão. Amputadas e mulheres com casos de grave escoliose também entram na lista das possíveis futuras mamães. "Tudo depende de uma avaliação do médico caso a caso. Mas as chances de uma resposta negativa são as mesmas de uma mulher sem lesão nenhuma", diz o médico.

A gravidez da cadeirante exige apenas um pouco mais de cuidado do casal. Visitas mensais ao ginecologista, desde o início da gestação, são uma das medidas essenciais ao bom andamento da gravidez. "A chance de ocorrer um aborto natural nos primeiros meses de gravidez é a mesma em qualquer mulher", avalia Anatole Borges.

O tratamento de fertilização na paciente cadeirante não muda em nada de uma mulher comum, apenas quando o companheiro apresenta lesões neurológicas que impedem a coleta de semen pode ser necessário a punção testicular, mas muitos cadeirantes nem disso precisam pois tem a função erétil preservada. Não existe uma diferença no tratamento para mulheres com paralisias antigas ou paralisias recentes de um modo geral a função reprodutiva não é alterada.

No que diz respeito ao parto algumas dificuldades como a falta de sensibilidade adequada, a falta da ação da musculatura abdominal em especial na hora do trabalho de parto, quando associado a outros fatores como fetos grandes, podem dificultar ou até mesmo impedir um parto normal. Nem sempre o parto é prematuro, sendo que a grande maioria consegue chegar ao final da gestação, e assim sendo mãe de crianças fortes e saudáveis.


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