sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Uber adapta aplicativo e procura motoristas com deficiência auditiva

A novidade já está disponível para os condutores parceiros do Uber. Passageiro recebe uma notificação informando as limitações auditivas do motorista

Dayane Saleh, especial para a Gazeta do Povo

Carlos Eduardo é motorista parceiro da Uber há mais de um ano | Carlos Eduardo Cristalli
Carlos Eduardo é motorista parceiro da Uber há mais de um ano Foto: Carlos Eduardo Cristalli

Pessoas que possuem deficiência auditiva podem dirigir – e até serem motoristas do Uber. O aplicativo conta com uma nova funcionalidade, que permite que aos condutores ativarem a acessibilidade que modifica a sinalização. Em vez do aviso sonoro que informa a existência de um cliente, o app emite uma luz piscante. O passageiro recebe um aviso de que o motorista é surdo e um pedido para que insira o endereço de destino.

No Brasil, existem mais de 10 mil motoristas surdos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas foi só em setembro do ano passado o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou a obrigatoriedade de um intérprete de Libras durante o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). É preciso que o motorista com deficiência auditiva cole no vidro traseiro do carro um adesivo sinalizando sua condição especial.

Para Carlos Eduardo Romano, de 34 anos, a função de acessibilidade representa a realização de um sonho. “Quando tinha 16, 17 anos eu queria muito ser motorista. Busquei empresas de táxi e transportes mas não me aceitavam por causa da minha condição”, diz. Ele trabalha com o app há cerca de um ano e quatro meses no Rio de Janeiro. A inclusão proporcionada pelo aplicativo é elogiada e Romano garante que não há dificuldade na hora de encontrar um cliente. “Essa iniciativa é um exemplo. No aplicativo tem todas as informações que eu preciso e posso usar o chat para falar com o passageiro”, conclui.

Mais novo na empreitada, Marcos Roberto Avila, de 29 anos, optou por ser motorista depois da demissão do antigo trabalho onde atuava como operador de produção. Ele acredita que trabalhar como condutor é uma saída para a falta de oportunidade no mercado de trabalho, ainda mais fechado para quem tem alguma deficiência. “Eu estava desempregado há um ano e meio, mandava currículos e nada. Tenho filho e esposa e precisava de uma fonte de renda. Acho que muitas empresas não me chamam por preconceito, o Uber foi uma saída para mim, sou aceito como sou”, garante. Avila está há quatro meses dirigindo por Porto Alegre.

Em Curitiba, o Uber está procurando motoristas com esse perfil. Na terça-feira (9), um evento apresentou a nova funcionalidade para 37 pessoas.

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