terça-feira, 27 de setembro de 2016

Liminar obriga faculdade a adequar aulas para aluno autista, em Goiânia - Veja o vídeo.

Família de aluno disse que professores não eram informados da limitação. Instituição afirma que já está tomando as providências exigidas pela Justiça.

Do G1 GO

Matheus Nascimento, 20 anos, é autista e conseguiu liminar que determina que universidade realize mudanças para que ele se mantenha no curso de direito Goiânia Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Matheus é autista e conseguiu assistência para conseguir estudar (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Uma liminar expedida pela 7ª Vara Cível de Goiânia determina que a Universidade Salgado de Oliveira (Universo) adapte métodos de ensino para atender o estudante Matheus Nascimento, de 20 anos, que sofre de autismo. A família do aluno afirma que ele já está no 8º período do curso de direito e que a insituição não prestava assistência especial a ele. A decisão cabe recurso.

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Conforme a decisão do juiz Ricardo Teixeira Lemos, a Universo deve proporcionar ao aluno assistência por professores especializados e as disciplinas e avaliações também deverão ser adaptadas às limitações dele. Ainda segundo o texto, a multa para a instituição, caso ela não cumpra as determinações, é de R$ 10 mil por dia.

A Universo informou por meio de nota que “foi notificada da decisão e já está tomando as providências cabíveis”. O texto ressalta que “o aluno já possui acompanhamento especializado dos professores desde 2014.1”.

A mãe de Matheus, a professora de autistas Elizete de Souza Ferreira Nascimento, conta que o filho sempre recebeu ajuda dos colegas e em casa, mas nunca da universidade. Segundo ela, o estudante tem dificuldade para se expressar verbalmente por causa da síndrome e reprovou em uma disciplina.

“Ele estava fazendo prova igual aos outros, o mesmo tipo de prova. Os professores nem eram informados da condição dele. Quando ia fazer uma prova oral ele travava. Muitos colegas até tentaram intervir, falando que com ele tem que ir com mais calma. Ele tem o conhecimento, mas na hora de expor, dependendo da atividade, tem dificuldade”, explicou.

Ainda segundo Elizete, o filho sempre teve apoio de professores até o ensino médio e que com ajuda ele consegue aprender. Apesar da liminar, que foi expedida no último dia 13 de setembro, a mãe afirma que ainda não viu mudanças na universidade.

“Eles não nos chamaram para conversar, não vi nenhuma mudança da parte deles ainda. As provas começam na próxima semana, então estou preocupada se eles vão dar assistência para o meu filho”, reclamou.

Justiça
O pai de Matheus, Marceu Delfino do Nascimento, contou que procurou a Justiça depois que a universidade pediu que o filho dele mudasse de curso. “Disseram para a gente que ele não dava conta e [que ele deveria] mudar de curso, mas quando chegou em casa eu perguntei [para o Matheus] e ele falou que não queria mudar. Então a gente avisou o pessoal da faculdade que ele não iria mudar”, contou.

O advogado Lázaro Reis Pinheiro da Silva, que defendeu o estudante, afirma que o processo foi um desafio já que quase não há outros casos parecidos. “Essa decisão do Matheus é um marco e abre a perspectiva para outras tantas pessoas que, silenciosamente, enfrentam as mesmas dificuldades em instituições de ensino em todo o país que, infelizmente, ainda não estão adequadas a essa realidade”, afirmou.

Fonte: g1.globo.com

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