quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Paralimpíada do Rio conta com 278 voluntários com alguma deficiência - Veja o vídeo

Estudantes, aposentados e ex-atletas fazem parte dos selecionados.Eles contam que o trabalho é uma oportunidade de mostrar são capazes.

Cristina Boeckel e Matheus Rodrigues Do G1 Rio

    Voluntário Nathan Sahium foi um dos homenageados na Cerimônia de Encerramento da Olimpíada (Foto: Reprodução/ TV Globo)
Voluntário Nathan Sahium foi um dos homenageados na Cerimônia de Encerramento da Olimpíada (Foto: Reprodução/ TV Globo)

São diversos os motivos que levaram os voluntários a se candidatarem para trabalhar na Rio 2016. Em comum, a maioria destaca a realização de um sonho. Para 278 dos 15 mil selecionados para a Paralimpíada, no entanto, a oportunidade tem ainda o caráter de superação, já que possuem algum tipo de deficiência. O G1 conversou com alguns deles, que destacaram a satisfação de poder mostrar que são capazes de atuar tanto quanto quem não possui nenhum tipo de limitação.

De acordo com o Comitê Rio 2016, do total de voluntários que compõe o contingente de trabalho da Paralimpíada, apenas pouco mais de 1,5% possui algum tipo de deficiência. Na Olimpíada, dos cerca de 50 mil voluntários, apenas 315 possuíam algum tipo de limitação física.

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O universitário de jornalismo Nathan Sahium contou que decidiu se inscrever para ser voluntário porque além de ser apaixonado por esportes, queria conhecer um pouco mais sobre comunicação social. Ele não só conseguiu a vaga como ainda foi escolhido para ser homenageado na cerimônia de encerramento da Olimpíada. Nathan possui apenas 5% da visão e afirmou ao G1 que está passando por “uma experiência única”.

"Estou trabalhando na área de comunicação aqui na Rio 2016, trabalhei na Olimpíada e agora estou na Paralimpíada. A gente faz basicamente a parte de relações públicas, atendemos os jornalistas e vemos o que eles querem. Estar vivendo essa experiência não tem preço. Estar perto da profissão que eu vou exercer, estar perto do Parque [Olímpico], é tudo maravilhoso. Eu estou gostando demais, está sendo uma experiência única. É uma coisa que eu vou guardar para o resto da vida", disse Nathan.

Estar vivendo essa experiência não tem preço"
Nathan Sahium, universitário

Assim como Nathan, mais da metade dos voluntários que estão ajudando o público em diversas funções durante a Paralimpíada chegaram a exercer algum trabalho voluntário na Olimpíada. É um total de 8 mil pessoas entre as 15 mil que atuam no evento.

Luís Silva, ex-atleta paralímpico e agora voluntário, é um apaixonado por esportes e quis estar perto dos locais de competição. Sete vezes medalhista paralímpico, ele está trabalhando na Arena Aquática e afirmou que se controla para não cair na piscina e competir. Ele é portador de má formação genética e disse que o principal legado dos Jogos Paralímpicos será uma maior visibilidade para quem é portador de necessidades especiais.

“A Paralimpíada foi a melhor ferramenta para o conhecimento das pessoas com deficiência. Principalmente com as crianças, eu já esbarrei com várias aqui no parque e eles perguntam ‘Como é isso?’, ‘Como funciona isso na sua perna?’. Eu acho legal que desde criança eles possam conhecer que todos nós somos diferentes, mas que merecemos ser tratados iguais. Eu acho que esse é o grande legado das paralimpíadas. Essas e futuras gerações saberem que somos pessoas normais”, afirmou o ex-atleta.

Luis Silva em frente a Arena Aquática, onde trabalha como voluntário (Foto: Matheus Rodrigues/ G1)
Luis Silva em frente a Arena Aquática, onde trabalha como voluntário (Foto: Matheus Rodrigues/ G1)

Ajuda ao próximo

Alex Sandro Pereira Nunes, de 33 anos, também é um apaixonado por esportes. Ele trabalha diretamente no apoio aos atletas da bocha. Praticante da modalidade, Alex também pratica natação. Para ele, o vonluntariado nos jogos é uma oportunidade de mostrar que é capaz de superar as expectativas dos outros e desmistificar preconceitos.

“Eu decidi ser voluntário para mostrar quem eu sou, que sou capaz e que eu posso oferecer às pessoas muitas coisas. Aqui a gente dá apoio aos atletas. Estar aqui é muito diferente. É maravilhoso”, afirmou Alex, que tem paralisia cerebral.

Alex Sandro é voluntário da Paralimpíada que possui paralisia cerebral (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Alex Sandro é voluntário da Paralimpíada que possui paralisia cerebral (Foto: Cristina Boeckel/ G1)

Sylvia Bonete, de 59 anos, ficou com um problema nos pés e na perna após uma queda doméstica que ela mesma classificou como “boba”. Só que o problema teve complicações e ela teve infecções que a levaram a perder um pedaço a tíbia e da fíbula em uma das pernas. Atualmente, ela anda com uma bengala e com uma bota especial. Ela acredita que um evento como a Paralimpíada é necessário para que cada um veja a dimensão real dos próprios problemas.

“Quando a gente tem um acidente, a gente acha que o nosso é o maior de todos. Aqui eu vejo que o meu acidente e a minha deficiência é bem menor”, confidenciou Sylvia.

Apesar de considerar o trabalho cansativo em alguns momentos, Sylvia revela que conta com a compreensão dos colegas, que a colocam em uma posição em que possa ficar sentada ou não precise caminhar muito. Para ela, a Paralimpíada é uma forma de retribuir todo o carinho que recebe das pessoas.

Aqui eu vejo que o meu acidente e a minha deficiência é bem menor"
Sylvia Bonete, aposentada

“Eu sou aposentada. E como eu também tenho um problema, eu pensei em ajudar. Afinal de contas, as pessoas me ajudam tanto na rua, não é? Eu quero participar e estar junto de todos eles”, encerrou a aposentada.

Sylvia Bonete é voluntária na Rio 2016 (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Sylvia Bonete é voluntária na Rio 2016 (Foto: Cristina Boeckel/ G1)

Fonte: g1.globo.com

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