sábado, 17 de setembro de 2016

Projetos oferecem esportes gratuitos aos cadeirantes no Rio

Jovens descobrem no esporte a solução para voltar a vida social. Iniciativa da Polícia Militar já formou atletas paralímpicos.

Bruno Albernaz Do G1 Rio

Cadeirantes recebem aulas gratuitas na Polícia Militar do RJ (Foto: Divulgação / Polícia Militar)
Cadeirantes recebem aulas gratuitas na Polícia Militar do RJ (Foto: Divulgação / Polícia Militar)

Não é só em época de Paralimpíada que o esporte promove a valorização da cidadania de pessoas com deficiência. Instituições do Rio de Janeiro oferecem projetos permanentes com o objetivo de incentivar o esporte entre pessoa com deficiência e resgatar seu convívio social.

O G1 fez um levantamento de alguns projetos que atendem de forma gratuita e ouviu alunos e responsáveis e constatou que alguns deles acabam formando atletas que participaram dos jogos realizados em 2016 no Rio.

Click AQUI para ver o vídeo.

Um dos exemplos é o Instituto Novo Ser. Ele oferece dois tipos de projetos gratuitos: 'Praia para todos', onde cadeirantes recebem todo o trabalho de acessibilidade, lazer e esportes adaptados nas praias do Rio e o projeto Clube Novo Ser de Power Soccer, um futebol em cadeira de rodas motorizada.

'Praia para todos' acontece no Posto 3 da praia da Barra da Tijuca até o dia 25 de setembro e recomeça no perído do verão em dois locais: Praia da Barra e na Praia de Copacabana entre os postos 5 e 6.

Carolina participa do projeto Praia para Todos (Foto: Divulgação)
Carolina participa do projeto Praia para Todos (Foto: Daniel Scelza)

Instituto Novo Ser oferece a prática de futebol em cadeira de rodas motorizada (Foto: Divulgação)
Instituto Novo Ser oferece a prática de futebol em cadeira de rodas motorizada (Foto: Divulgação)

Já o projeto Renascer, Servir e Proteger é uma iniciativa da Polícia Militar do Rio de Janeiro, criado para ajudar aqueles que perderam os movimentos das pernas ou braços, em algum acidente ou no cumprimento do dever.

Uma equipe de profissionais de educação física, psicologia e medicina esportiva faz parte do programa.

Em entrevista ao G1, a subtenente da Polícia Militar, Adinéa Trubat, conta que o projeto foi criado em novembro de 2009 pela Diretoria de Assistência Social (DAS). Segundo ela, o trabalho ganhou destaque e hoje atende à todos os civis.

“A ideia inicial era incluir apenas os policiais militares com deficiência por conta do trabalho. Com o aumento da demanda, recebemos também os civis e hoje atendemos a todos”, conta a Subtenente.

Ainda segundo a subtenente, dois atletas do projeto foram convocados para paraolimpíadas Rio 2016, ambos do arremesso de peso.

"Temos dois atletas convocados para a paralimpíada; Wallace Antônio e Ricardo Nunes, ambos do arremesso de peso. E nós estaremos lá no Engenhão na próxima sexta (16), para fazer uma torcida organizada bem barulhenta para ele"

Projeto começou atendendo apenas policiais feridos em combates (Foto: Divulgação / Polícia Militar)
Projeto começou atendendo apenas policiais feridos em combates (Foto: Divulgação / Polícia Militar)

Cadeirante Daniel Gonçalves pratica rugby há 2 anos. (Foto: Joon Ho Kim)
Cadeirante Daniel Gonçalves pratica rugby há 2 anos. (Foto: Joon Ho Kim)

Atendido pelo projeto da PM, o cadeirante Daniel Gonçalves, de 31 anos garante que o esporte é a melhor maneira de uma pessoa com tetraplegia entrar na vida social e passar a ser cada vez mais independente. Aos 25 anos ele teve a síndrome de Guillain Barré e ficou tetraplégico. Segundo ele, a cidade não oferece muitas opções para o deficiente.

“Nós, tetraplégicos, somos vistos como pessoas frágeis e que necessitamos de uma proteção maior que os demais PNEs. O esporte quebra essa visão que as pessoas tem da gente, tira esse estereótipo de fragilidade. Além disso, quando ficamos tetraplégicos, a primeira coisa que passa pela nossa cabeça é "a vida acabou", "não sou capaz de fazer mais nada", isso porque nossa lesão também afeta os membro superiores.

Segundo Daniel, o esporte trouxe não só uma melhora no condicionamento físico como também uma evolução social muito grande.

"Convivemos com outros atletas com a mesma lesão e que já enfrentaram seus medos e limitações e acabam nos encorajando a "viver" novamente. Apesar de não termos muitas opções de esportes para tetraplégicos, algumas opções são bem motivantes. Já faz 2 anos que conheci o rugby e hoje sou capitão da equipe Santer Rio Rugby aqui do Rio de Janeiro.", conta o atleta.

Fonte: g1.globo.com

Nenhum comentário: