domingo, 20 de agosto de 2017

Rodrigo Brivio ressalta importância do esporte lúdico para crianças com deficiência

Com trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes autistas, educador físico destaca a importância da atividade física para melhorar funções motoras e sociais

Por Roberto Leite, Fortaleza, CE

Rodrigo Brivio ministrou workshop sobre atividades físicas para crianças com autismo e outras deficiências, em Fortaleza (Foto: Divulgação/Fortaleza Azul)
Rodrigo Brivio ministrou workshop sobre atividades físicas para crianças com autismo e outras deficiências, em Fortaleza (Foto: Divulgação/Fortaleza Azul)

Em passagem por Fortaleza, onde ministrou workshop, neste sábado (19), para pais de crianças com autismo e profissionais de educação física, terapia ocupacional e área afins, o educador físico Rodrigo Brivio, especialista em trabalhar com crianças e adolescentes com deficiência, falou com o GloboEsporte.com/ce sobre a importância do esporte e da atividade física para quem tem algum tipo de transtorno.

De cara, Rodrigo, que é formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca a importância da prática esportiva como uma forma lúdica de desenvolvimento físico e motor para as crianças e adolescentes.

- Tudo aquilo que a gente faz com prazer é mais satisfatório. Não adianta você tentar propor algo que pode ser até benéfico, mas se não for lúdico, divertido, não vai ser prazeroso, né? E a minha proposta é mostrar a brincadeira como importante no processo de desenvolvimento da criança. É simples assim - diz Brivio, ressaltando que esse é um processo que deveria ser seguido para crianças típicas e deficientes, sem distinção.

Ele lembra que, nos dias atuais, a brincadeira fica relegada a segundo plano e que crianças e adolescentes passam mais tempo com "atrativos eletrônicos", como o videogame, o que pode provocar uma série de problemas.

O esporte como ferramenta no processo de desevolvimento de qualquer indivíduo é fundamental. Ainda mais hoje, com tantos atrativos eletrônicos. Como consequência, você fomenta a criança, o indivíduo, à obesidade. Há diversos tipos de doenças causadas por essas e por outras ferramentas. E a criança especial, está mais do que comprovado o papel do esporte, porque ele traz essa criança para uma independência motora maior e melhor. Ele torna o indivíduo mais saudável, já que alguns passam a fazer uso de medicamento - diz, lembrando que a própria auto-estima da criança melhora, trazendo maior disciplina.

E, por tabela, quem ganha é a família, que consegue desenvolver atividades fora de casa com maior tranquilidade. Principalmente, aquelas que têm crianças autistas em casa, alvo maior do trabalho de Rodrigo Brivio, que utiliza a ginástica artística como ferramenta principal, no Rio de Janeiro.

Exemplo de atividade esportiva realziada com criança com autismo para trabalhar o equilíbrio (Foto: Equipe Rodrigo Brivio/Divulgação)
Exemplo de atividade esportiva realziada com criança com autismo para trabalhar o equilíbrio (Foto: Equipe Rodrigo Brivio/Divulgação)

Quando você, através da sua estimulação, traz a uma criança um comportamento melhor, faz com que a família tenha como marcar presença em locais muito comuns, como um restaurante, onde a criança consegue sentar num período maior, comer com uma melhor destreza; o contexto familiar fica mais favorável.

Mas ele faz uma alerta: é preciso ter cuidado com a prática esportiva escolhida para o filho. É importante sempre que ela seja adaptável à deficiência ou ao interesse da criança ou adolescente.

É uma discussão muito interessante. Como pais, queremos escolher os esportes que os nossos vão fazer. E levando para a criança especial, nós temos que pensar nos dois lados. Da nossa criança e das outras. Se você tem uma criança que é muito estereotipada ou que não tiver nenhuma intimidade com a bola, como você vai inseri-la em uma partida? Com uma criança com dificuldade de inserção e interação, não vai haver jogo, já que ele precisa de cooperação. Vai ser mais um retrocesso do que ajuda - pontuou.


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