terça-feira, 7 de novembro de 2017

Falta de computador impossibilita estudante com paralisia cerebral de fazer redação do Enem

Ualace Honorato é morador de Paraíba do Sul, RJ, e em 2017 prestou o exame pela quarta vez. 'Quando a gente chegou no local da prova, a fiscal disse que não mandaram o computador', reclamou a mãe.

Por Luís Filipe Pereira, G1 Sul do Rio e Costa Verde

Ualace não conseguiu fazer a prova por falta de computador (Foto: Reprodução/Facebook)
Ualace não conseguiu fazer a prova por falta de computador (Foto: Reprodução/Facebook)

Depois de passar o ano se preparando para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o jovem Ualace Honorato, morador de Paraíba do Sul, RJ teve uma surpresa desagradável no domingo (5).

Portador de paralisia cerebral do tipo atetoide, ele não conseguiu fazer a redação sobre os “desafios para a formação educacional de surdos no Brasil" porque o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não disponibilizou um computador necessário.

— Estamos decepcionados, muito frustrados. Ele foi confiante fazer a prova, estava preparado. Agora não sei como fazer. Protocolei uma reclamação por telefone e por e-mail, mas já me disseram que fazer outra prova só para ele é impossível — disse a mãe dele, Lucivânia Araújo, que conversou com o G1 por telefone na tarde desta segunda-feira.

Este foi o quarto ano em que Ualace fez a prova. Em 2016, o Inep entrou em contato por telefone para saber o que ele precisava para realizar o exame. No dia da prova, um notebook foi disponibilizado e usado para digitar a redação, que foi transcrita para o cartão resposta por um fiscal. Lucivânia reclama que isto não aconteceu este ano, apesar de ela ter especificado, no momento da inscrição, que o filho precisava de auxílio.

— Quando a gente chegou no local da prova [Núcleo Municipal de Ensino Manuel Vaz, no bairro Vila Salutaris], a fiscal falou que não tinham mandado o computador. Chegaram a oferecer o computador da escola, mas o Inep não autorizou. Ele fez a prova, ficou até o final, mas não fez a redação.

Tutora do pré-vestibular social frequentado por Ualace em Três Rios, cidade vizinha, Munique Gomes contou que o fato de o jovem não poder fazer a redação deixou todos desapontados.

— É uma pessoa que se destaca pelo esforço, pela participação as aulas, por suas ideias. É um cidadão atuante, que luta por seus direitos e de outras pessoas com deficiência. Seu sonho é cursar Educação Física e desenvolver esportes inclusivos para pessoas com deficiência; buscar que isso se torne uma realidade nas diversas regiões, nas escolas, nas comunidades. O Ualace não estava pedindo favor a ninguém, nem nenhum privilégio. Ele apenas desejava que seu direito fosse respeitado. Desejava apenas fazer sua prova — disse ela através de uma postagem em uma rede social.

Procurado pelo G1, o Inep não havia se pronunciado sobre o caso até a publicação desta reportagem.

Fonte: g1.globo.com

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