domingo, 5 de novembro de 2017

USP de Ribeirão Preto testa células modificadas no combate à leucemia - Veja o vídeo.

Na técnica, linfócitos extraídos de paciente são melhorados e expandidos antes de voltar ao organismo. Primeiros experimentos em humanos devem começar em 2019.

Por Jornal da EPTV 2ª Edição

Método contra leucemia estudado pela USP de Ribeirão Preto modifica células extraídas do sangue do paciente (Foto: Reprodução/EPTV)
Novo tratamento de combate à leucemia pode ser a esperança para milhares de brasileiros

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto (SP) esperam realizar, a partir de 2019, os primeiros testes em humanos de uma técnica que promete aumentar as expectativas de cura para pacientes com leucemia e linfomas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Click AQUI para ver o vídeo.

Inédito no Brasil, segundo os estudiosos, o método utiliza células geneticamente modificadas do próprio paciente e é menos agressivo do que a quimioterapia e a radioterapia. Os trabalhos são conduzidos na Fundação Hemocentro de Ribeirão, que sedia o Centro de Terapia Celular (CTC/USP).

O objetivo do grupo, formado por 20 pesquisadores, é reduzir os efeitos colaterais do tratamento ao mesmo tempo em que encontram alternativas para baixar os seus custos - a terapia personalizada foi desenvolvida pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e já está disponível, mas custa em torno de R$ 1,5 milhão por paciente.

Em 2016, foram registrados 23 mil novos casos de linfoma e leucemia no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

"Existem poucas possibilidades de tratamento para esses pacientes hoje e esse novo tratamento com células é uma esperança grande para que eles possam ficar curados do câncer", afirma o pesquisador Rodrigo Calado, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP).

USP de Ribeirão Preto estuda uso de células modificadas no combate à leucemia (Foto: Antonio Luiz/EPTV)
USP de Ribeirão Preto estuda uso de células modificadas no combate à leucemia (Foto: Antonio Luiz/EPTV)

O tratamento

O procedimento consiste em modificar, em laboratório, os linfócitos extraídos do sangue do paciente - é necessária a retirada de 300 mililitros.

Nesse processo, essas células ganham sensores que as ajudam a reconhecer e a destruir as células cancerígenas e são expandidas antes de serem introduzidas de volta na corrente sanguínea, onde se multiplicam. "O medicamento neste caso é a própria célula do paciente", afirma Calado.

Dentro do organismo, estima-se que uma única célula modificada seja capaz de destruir 100 mil cancerígenas. "Essa modificação genética impede que a célula do câncer se esconda do sistema imune."

Apesar da eficácia evidenciada nos estudos fora do país, o método ainda apresenta efeitos colaterais como a baixa no sistema imunológico e alterações neurológicas que precisam ser amenizados.

Rodrigo Calado, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (Foto: Antonio Luiz/EPTV)
Rodrigo Calado, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (Foto: Antonio Luiz/EPTV)

"A gente precisa ter segurança de que essa célula não vai causar nenhum mal para o paciente. Isso porque a gente modifica essas células geneticamente e isso precisa ser feito com muito cuidado, com muita segurança dentro do laboratório. A outra questão são os efeitos colaterais do tratamento em si. Pode existir uma tempestade inflamatória. Quando você injeta essas células a gente tem uma reação inflamatória muito grande e isso precisa ser controlado", afirma o pesquisador.

Hoje, os pesquisadores testam a técnica em camundongos. Até o fim de deste ano, um estudo clínico experimental será submetido para avaliação no Comitê Nacional de Ética em Pesquisa.

A previsão é de que os primeiros pacientes humanos com leucemia linfoide aguda recebam o tratamento em um ano, em caráter experimental no Hospital das Clínicas, afirma Kelen Malmegrim de Farias, pesquisadora da Faculdade de Farmácia da USP.

"No momento a gente está implantando essa tecnologia igual à que é feita no exterior, mas a ideia é otimizar essa tecnologia pra que a gente tenha um custo menor aqui no Brasil", diz.

Método contra leucemia estudado pela USP de Ribeirão Preto modifica células extraídas do sangue do paciente (Foto: Reprodução/EPTV)

Fonte: g1.globo.com

Nenhum comentário: