sábado, 23 de dezembro de 2017

Campanha para salvar vida de bebê consegue medula para outras duas pessoas

Arquivo pessoal.
Mais de 1.800 pessoas foram aos bancos de doação em Alagoas
Mais de 1.800 pessoas foram aos bancos de doação em Alagoas

Aliny Gama Colaboração para o UOL, em Maceió

A campanha para encontrar um doador de medula para a pequena Carolina Santos Cavalcante de Oliveira, de 5 meses, conseguiu beneficiar ela e outros dois pacientes que necessitam de doação de medula para sobreviver.

Além de Carolina, um alagoano e um francês conseguiram doadores compatíveis por meio da campanha feita pelos pais da bebê alagoana no Brasil.

Mais de 1.800 pessoas foram aos bancos de doação em Alagoas para fazer a coleta de dados e se colocar à disposição de quem necessite receber medula óssea para curar suas doenças. O doador de Carolina foi localizado na Alemanha.

                           Arquivo pessoal
                               
     Carolina de 5 meses tem uma doença rara chamada imunodeficiência combinada grave

Carolina tem uma doença rara, chamada imunodeficiência combinada grave, e, aos 2 meses, teve febre, ficou internada por 18 dias para investigação e recebeu alta sem diagnóstico. Por não ter defesas no corpo, o vírus da vacina BCG ficou ativo no organismo, causando febre e reação à própria vacina.

A bebê não tem linfócitos T e B e uma infecção é fatal caso ela não faça o transplante. Pessoas com imunodeficiência combinada grave não podem tomar a vacina de BCG.

Após 18 dias de internamento em um hospital particular de Maceió apresentando febre resistente e vômitos, Carolina recebeu alta sem diagnóstico fechado. Entretanto, uma médica de um hospital público foi acionada pela equipe médica de um hospital público foi acionada pela equipe médica para ajudar a descobrir a doença.

"A cada dia que ela está sem o tratamento, o risco aumenta. Se ela contrair uma simples gripe pode ser fatal e estamos em total isolamento para preservar a saúde dela, que é bastante frágil e gravíssima. A nossa esperança em encontrar um doador através da campanha acabou beneficiando outras duas pessoas", conta Alexandre Daniel Santos Ramos Oliveira, pai da pequena.

Atualmente, mais de 500 pacientes aguardam transplante de medula óssea em todo o país. Segundo o Ministério da Saúde, em média, o tempo de espera para transplantes de medula óssea é de 59 dias a 103 dias, conforme o tipo de medula necessário.

Em isolamento até transplante

O estado de saúde de Carolina é gravíssimo, porém é estável devido ao isolamento que ela vive dentro de casa sem sair ou receber visitas até fazer o transplante. O contato que ela tem é com a mãe, com o pai e com o irmão de cinco anos. Carolina só se alimenta com leite materno. A mãe vive de dieta para que seu leite não cause problemas à filha.

                           Arquivo pessoal
                               
                           O transplante da pequena deve ocorrer em janeiro

A rotina de Carolina também inclui a administração de cinco antibióticos diários e administração semanal no hospital de imunoglobulinas.

Os pais aguardam a resposta do doador alemão. "Esperamos que ele seja sensível com a causa para que em janeiro a Carolina já esteja recebendo o material coletado na medula dele", disse Oliveira.

O procedimento ocorrerá em um hospital em Curitiba e será custeado pelo plano de saúde da menina após uma decisão judicial.

Após o transplante, a família deverá ficar seis meses em Curitiba para dar continuidade ao tratamento de Carolina para que não haja rejeição. A estadia da família será custeada por meio de doações e de rifas, que estão sendo organizadas por amigos.

Quem pode ser doador?

Para se tornar um doador de medula óssea basta comparecer a um hemocentro de sua cidade para que seja feita a coleta do sangue, semelhante a uma doação de sangue. O material genético do doador é registrado no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) e comparado com os dos receptores que estão na lista de transplante.

Em Alagoas, existem 40.873 doadores de medula óssea cadastrados no registro nacional coordenado pelo Instituto Nacional do Câncer.

                      iStock 
                          
                      O transplante de medula óssea é como uma transfusão de sangue

O transplante de medula óssea é um procedimento rápido, como uma transfusão de sangue, que dura em média duas horas para o receptor. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que uma vez na corrente sanguínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem.

"O paciente, depois de se submeter a um tratamento que destruirá a sua própria medula, receberá as células da medula sadia de um doador. Estas células, após serem coletadas do doador são acondicionadas em uma bolsa de crio-preservação de medula óssea, congeladas e transportadas em condições especiais (maleta térmica controlada com termômetro, em temperatura entre 4 Cº e 20 Cº) até o local onde acontecerá o transplante", explica a página do Redome.

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação de 24 horas. A medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções e dura cerca de 90 minutos. Segundo o Redome, a medula óssea do doador se recompõe em 15 dias.

"Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples", explica a página, que informa ainda que os doadores retornam às atividades rotineiras depois da primeira semana após a doação.

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