quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Jovem com paralisia cerebral que fez campanha para publicar livro lança obra em Salvador

Moradora de Salvador, garota de 21 anos escreveu livro em computador e pretende motivar pessoas com publicação.

Por G1 BA

Família de Ellyse Pêpe, diagnosticada com paralisia cerebral (Foto: Fotografia André Santana)
Família de Ellyse Pêpe, diagnosticada com paralisia cerebral (Foto: Fotografia André Santana)

A autobiografia de Ellyse Pêpe Alves Matos, de 21 anos, com paralisia cerebral, moradora de Salvador, será lançada no dia 27 de dezembro, depois de ter feito  uma campanha na internet para publicar a obra.

O lançamento do livro "Ver-se, Mover-se, Comover-se" está marcado para 19h, na Livraria Leitura, do Shopping Bela Vista. "A gente está muito feliz e ela também", disse ao G1 a mãe de Ellyse, Itana Matos.

A meta com a campanha era de arrecadar cerca de R$ 100 mil. O valor conquistado foi de apenas R$ 6 mil, mas também foi recebido apoio da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (AL-BA) para a publicação.

O livro impresso é adaptado para pessoas com dificuldades de visão, com letras maiores e espaçamento maior. Está em andamento ainda a gravação de áudio book.

Livro será lançado no dia 27 de dezembro, em Salvador (Foto: Divulgação)
Livro será lançado no dia 27 de dezembro, em Salvador (Foto: Divulgação)

Livro

Ellyse contou que a intenção dela com a publicação do livro é "ajudar as pessoas a superar as dificuldades, como eu mesma fiz”.

Na obra, que tem 160 páginas, Ellyse conta a trajetória e apresenta depoimentos de profissionais de saúde que colaboraram para a superação com o tratamento.

Ela foi diagnosticada com paralisia cerebral desde que nasceu, e com acompanhamento de profissionais de saúde, conseguiu superar os prognósticos de que não conseguiria andar e fazer atividades cotidianas, como comer sozinha.

A jovem concluiu o Ensino Médio, se movimenta com auxílio de cadeira elétrica e andador e escreveu o próprio livro com auxílio de um computador que não precisou ser adaptado. As dificuldades motoras ainda existem e convivem com a dificuldade de aprendizado, a dislexia, mas ela supera com alegria, que contagia todos a sua volta.

“Ela é super alegre, tem muita empatia. Se você conversar com ela e disser que está com um problema, ela pede a Deus pelo seu problema. Ela tem um abraço e um sorriso que são a marca registrada dela”, conta o pai, Urbano Matos.

Ellyse nasceu com paralisia depois de a mãe, quando estava com sete meses de gestação, ter complicações na gravidez, após ter sofrido um acidente de carro. O pai conta que o veículo em que estava com a mulher e a sogra caiu no Rio Cipó, em Canavieiras, no interior da Bahia.

Com um mês e meio de vida, Ellyse já começou o tratamento para reduzir os efeitos da paralisia cerebral. Ela teve acompanhamento médico, com fisioterapia, hidroterapia e fonoaudiologia.

O pai de Ellyse defende que a obra da filha pode ajudar muita gente a compreender melhor o tratamento da paralisia cerebral.

“A gente muitas vezes observa que tem pessoas que poderiam não ter tantas sequelas se tivesse tratamento. Não abandonem, não deixem para lá porque tem resultado, sim. Muitos profissionais de saúde se limitam no prognóstico. A gente vê que muitos não dão valor ao tratamento e não dão valor à capacidade de superação”, afirma.

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