sexta-feira, 23 de março de 2018

A professora que re-uniu

   #DeboraMeRepresenta. #MariellePresente. - Não quero bater boca - Tenha educação - Tenha respeito - Aceite as difereças - Ajude a quem precisa - Inclua todo mundo - Preconceito é crime.

por Equipe Inclusive

Acompanhei de perto os insultos da desembargadora Marília Castro Neves e sua repercussão. Como muitos, não podia acreditar que aquilo fosse verdade. Tanto ódio, tanto raiva, tanto preconceito contra grupos vulneráveis.

Quando li a postagem desinformada e preconceituosa sobre a professora – cujo nome ela nem citou – informei imediatamente a mãe da Debora Seabra e ela contou o ocorrido para a filha. Dói muito ser vítima de preconceito. Debora disse que ficou arrasada e triste. Mas, assim como Marielle, acostumada a derrubar diversas barreiras para conseguir chegar onde está, a professora decidiu escrever para a desembargadora.

E foi a resposta da Debora que tocou fundo, tanto nas pessoas que sofrem preconceito quanto nas que ficam indignadas com atos discriminatórios. Especialmente vindo de uma pessoa cujo trabalho é julgar os outros.

O recado da professora para a desembargadora repercutiu tanto porque ele serve para combater todos os tipos de preconteito, além do assédio de haters:

– Não quero bater boca
– Tenha educação
– Tenha respeito
– Aceite as difereças
– Ajude a quem precisa
– Inclua todo mundo
– Preconceito é crime

O preconceito contra as pessoas com deficiência tem um nome ainda pouco difundido no Brasil, chama-se capacitismo (“ableism”, em inglês). Não é muito diferente do racismo, do machismo, ou da homofobia. Somos fruto de uma sociedade capacitista, que pensa que uma pessoa com deficiência vale menos do que uma pessoa sem deficiência. E o melhor remédio contra isso é a convivência com a diversidade humana.

Esse episódio pode representar um divisor de águas e servir para unificar as lutas contra a discriminação de grupos marginalizados.

Sei que Marielle era também defensora dos direitos das pessoas com deficiência. Ao assistir pela internet o último evento de que participou antes de ser executada, me emocionei ao ver que Marielle “batia palmas” como a comunidade surda, balançando as mãos para o alto.

Que as mensagens de Marielle e Debora sirvam de lição para a promoção da paz e da inclusão.

#MariellePresente
#DeboraMeRepresenta

Patricia Almeida – Cofundadora do Movimento Down; criadora da Inclusive – Inclusão e Cidadania; da Gadim – Aliança Global para Inclusão das Pessoas com deficiência na Mídia e integrante do Odimídia – Observatório de Diversidade na Mídia.

A íntegra da carta de Debora Seabra:

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“19/3/2018. Recado para a Juíza Marília. Não quero bater boca com você!
Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças de uma escola de Natal/RN.
Trabalho à tarde, todos os dias, com a minha equipe que tem uma professora titular e outra auxiliar. Eu ensino muitas coisas às crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito às outras. Aceitem as diferenças de cada uma. Ajudem a quem precisa mais.
Eu estudo o planejamento, eu participo das reuniões, eu dou opiniões, eu conto história para as crianças, eu ajudo nas atividades, eu vou para o parque com elas.
Acompanho as crianças nas aulas de inglês, música, educação física e mais um monte de coisas.
O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime.

Quem discrimina é criminoso!

Débora Araújo Seabra de Moura.”
#DeboraMeRepresenta

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