sexta-feira, 8 de junho de 2018

Conheça a história da mãe que transformou sua luta pelos direitos dos autistas em ativismo

ativismo: na foto, ela e o filho sorriem
Fátima e o filho Edinho (foto: arquivo pessoal).

O ativismo em prol do autismo no Brasil tem vários nomes importantes. São pessoas, em sua maioria, pais de pessoas diagnosticadas no espectro que buscam criar uma rede de apoio entre si, a fim de incentivar políticas públicas e maior compreensão do TEA. Em vários grupos, eventos e conversas, um nome é recorrente: Fátima De Kwant.

A brasileira, que vive na Holanda com o marido e o filho, Edinho, há mais de 30 anos vem ao país para participar de eventos de conscientização do autismo e contar um pouco mais da história que inspira várias famílias pelo mundo afora.

O início do ativismo

A história de como Fátima entrou no ativismo em prol de famílias e pessoas com TEA é bem diferente, e aconteceu na Holanda, quando o filho era criança.

“Era 2004, uma tarde de primavera, e como o Edinho havia se comportado muito bem na consulta com o dentista, a recompensa tinha sido uma visita ao parque favorito. Ele [Edinho] olhava para os pedalinhos que se aproximavam numa imensa alegria. Mal se continha. Dava pulinhos. Abanava as mãozinhas e fazia o típico iiiiiih, iiiiiih!. Na nossa frente, três ou quatro meninos aguardavam, também. De repente, um deles me perguntou: Moça, ele é sempre assim?”, relembra.

Na época, além de algumas estereotipias, Edinho, que já completava nove anos, começava a formar frases de duas ou três palavras. Também aprendera a esperar sem entrar em crise. Quando se lembra da pergunta do menino, Fátima afirma que não se ofendeu. “Era apenas uma criança, e eu entendi o que ele quis dizer. Mas mesmo assim respondi com outra pergunta: Assim como? O menino respondeu hesitante: assim… doidinho”, conta.

                                      foto: arquivo pessoal
                                            ativismo: na foto: ela sorri e abraço o filho
                                      Edinho hoje tem 21 anos

“Eu o olhei com ternura e respondi: ele não é doidinho, ele é autista. Você consegue decorar essa palavra? Quando estiver com sua mãe, diga que hoje você viu um menino autista, e peça para ela te explicar o que é, ok?”

Após o episódio, Fátima pensou no menino e também em todas as pessoas sem informação sobre autismo que ainda existia. Foi então que tomou a decisão de iniciar um grupo de ativismo para conscientizar sobre autismo.

“Decidi que não queria viver num mundo que pensasse que meu filho era doidinho. Sem fazer minha parte para conscientizar o mundo sobre uma diferença tão intrigante”, pontua.

Projeto Autimates

Mais de 20 mil membros e 926 aguardando solicitação. Esta é a comunidade que Fátima reuniu. O projeto, que teve início em 2004, hoje tem um portal de comunicação: um grupo no Facebook.

Ativismo: na foto, Fátima de azul e com microfone na mão e plateia ao fundo
Fátima em evento da AutismoS, emBlumenau (foto: arquivo pessoal)

“O Autimates é um projeto vitalício, segue a filosofia pay it forward, que é fazer o bem para alguém e esperar que esse faça o bem para outro alguém quando puder. Ele tem como intenção conscientizar o mundo sobre autismo voluntariamente, passar adiante a tríade dos elementos essenciais: conscientização, informação e inspiração”, explica.

Além de um espaço de discussão, o grupo também oferece lives semanais com especialistas sobre autismo, famílias e influenciadores desta área. Para participar, os membros precisam seguir algumas regras propostas pela criadores, e também pelos moderadores do grupo. “O grupo é secreto, ninguém vê. Só por indicação. Faço isso para preservar o respeito e a qualidade das informações, comentários e dos próprios autistas”.

Agenda e eventos

Apesar de estar há mais de nove mil quilômetros do Brasil, Fátima marca presença em eventos no país sempre que pode. A agenda inclui palestras e eventos sobre autismo. Em abril deste ano, ela esteve em Belo Horizonte, onde participou de um evento na Ipemed, universidade de medicina.

A agenda ainda incluiu palestras na Assembleia Legislativa do Paraná, na Universidade de Ponta Grossa e audiências com a governadora, o prefeito e o secretário da saúde do local. No Rio,palestrou na Tijuca e na Câmara Municipal de Rio das Ostras.

Em outubro, Fátima volta ao país. Desta vez, ela palestra na Tijuca com Anita Brito e Berenice Piana.


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