segunda-feira, 4 de junho de 2018

Quem é o Deficiente Visual? E o Cego?

                                 Quem é o Deficiente Visual? E o Cego?

Pessoa que apresenta baixa visão é aquela que possui dificuldade em desempenhar tarefas visuais, mesmo com prescrição de lentes corretivas, mas que pode aprimorar sua capacidade de realizar tais tarefas com a utilização de estratégias visuais compensatórias, outros recursos e modificações ambientais. Os recursos para baixa visão partem do princípio de que a imagem deve ser ampliada. Sendo assim eles são divididos em três grupos de acordo com Bonatti (2005):

a) Para perto: lupas manuais, lupas de apoio, óculos com adições especiais;

b) Para longe: os sistemas telescópicos que não esteticamente apresentáveis e tem um custo elevado, além de reduzirem o campo visual;

c) Sistemas de videomagnificação: usados para a ampliação da imagem projetada através da tela da televisão.

Não podemos atualmente desconsiderar e deixar de mencionar os esforços e estudos efetuados na área da deficiência visual, no que diz respeito aos avanços tecnológicos como as novas metodologias de ensino, que oportunizam o aprendizado e acesso a estas pessoas as escolas e outros ambientes, sobretudo permitindo-lhes uma condição de vida mais independente. Para isso recorri aos estudos de Bonatti (2005) que em seu trabalho intitulado “Desenvolvimento de Equipamento de Auxílio à Visão Subnormal”, percebeu o quanto poderia ser cansativo para um DV segurar a lupa o tempo todo em uma mão durante sua leitura, onde o foco também deve ser ajustado constantemente. Será que ele não se sente desestimulado nas aulas, algumas vezes pelo cansaço? Não sei, mas, considerando que o conhecimento é importante e para evitar o desestímulo devem ser utilizados diversos recursos pedagógicos a fim de proporcionar ao aluno uma aprendizagem prazerosa e significativa.

A pessoa é considerada cega quando a perda que ela apresenta vai desde a percepção luminosa até a ausência total de visão. Geralmente estas pessoas desenvolvem os outros órgãos dos sentidos como a audição, olfato, paladar e o tato para auxiliarem no seu desenvolvimento global, e que denominamos de “sentidos remanescentes”, importantes e utilizados para locomoção, orientação, reconhecimento e percepção dos espaços e pessoas, meio pelos quais os DV, constroem seu mapa mental utilizando como ferramenta estes canais que são os outros sentidos já que não podem contar com a visão. Diferente da pessoa com baixa visão, a pessoa cega necessita utilizar o sistema Braille para a comunicação da escrita.

A simples utilização de óculos ou lentes de contato não é suficiente para caracterizar a deficiência visual, pois a prescrição de correção óptica adequada pode conferir ao indivíduo uma condição visual ideal.

Se um indivíduo perder a visão de um dos olhos, mas o outro olho tiver uma visão normal, este não é considerado deficiente visual, pois para isso são necessários que tenha comprometimento em ambos os olhos. A terminologia para se referir à pessoa que apresenta deficiência visual tem sido alvo de intermináveis discussões: deficiente visual, cego, portador de deficiência visual, pessoa com baixa visão, portador de visão subnormal. Estes são alguns dos termos frequentemente encontrados na literatura sobre deficiência visual.

Há várias classificações para a deficiência visual, que variam conforme as limitações e os fins a que se destinam. Apesar das pessoas com deficiência visual possuírem em comum o comprometimento do órgão da visão, as alterações estruturais e anatômicas promovem modificações que resultam em níveis diferenciados nas funções visuais, que interferem de forma diferenciada no desempenho de cada indivíduo. Sendo assim, torna-se necessária à existência de classificações, que de acordo com as necessidades e particularidades apresentadas pelo deficiente visual, possibilite-os ter uma participação ativa no meio educacional, esportivo e social.

Na literatura, a classificação da deficiência visual baseia-se em alguns parâmetros como: Legais, para efeito de elegibilidade em programas de assistência e obtenção de recursos junto à previdência social; Clínicos, para diagnóstico, tratamento e acompanhamento médico especializado; Educacionais, relacionados aos recursos necessários para o processo ensino-aprendizagem; Esportivos, como critério de divisão em diferentes categorias para competições e eventos esportivos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugeriu a classificação das deficiências visuais baseada na Acuidade Visual e no Campo Visual.

a) Acuidade visual: pode ser definida como a capacidade de distinguir detalhes. Esta é tomada a partir da relação entre o tamanho do objeto e a distância onde está situado. O procedimento básico de avaliação da acuidade visual envolve a apresentação de uma sequência de estímulos padronizados progressivamente menores, a partir de distâncias também padronizadas. O resultado é baseado na relação entre os valores distância/tamanho, podendo ser representado por diferentes escalas. A avaliação é feita utilizando a escala de Sellen (MEY e ALMEIDA, apud in GORGATTI E COSTA, 2005, p. 33).

b) Campo visual: a função macular (visão central) é determinada pela acuidade visual (AV). O restante da retina (visão periférica) determina o "campo visual". Quando fixamos um ponto, fixamo-lo com a mácula, mas cada olho poderá ver em torno desse ponto de fixação uma área ampla, determinada "campo visual" (FUNDAÇÃO HILTON ROCHA, 1987, p.36).

De acordo com as classificações para o nosso estudo vamos enfatizar as seguintes:

1a Classificação educacional

• Enfatiza os efeitos da limitação visual sobre a habilidade crítica da leitura;

• O instrumento padrão usual é a Escala de Snellen;

• Pessoa Cega: é aquela que possui perda total ou resídua mínimo de visão, necessitando do método Braille como meio de leitura e escrita e/ou outros métodos, recursos didáticos e equipamentos especiais para o processo ensino-aprendizagem.

• Pessoa com baixa visão: é aquela que possui resíduos visuais em grau que permitam ler textos impressos à tinta, desde que se empreguem recursos didáticos e equipamentos especiais, excluindo as deficiências facilmente corrigidas pelo uso adequado de lentes (BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto, 1993).

2a Classificação esportiva

A classificação esportiva é utilizada nas competições e é especificada pela International Blind Sport Association (2005).

• B1: Ausência total da percepção da luz em ambos os olhos, ou alguma percepção da luz, mas com incapacidade para reconhecer a forma de uma mão em qualquer distância ou sentido.

• B2: Da habilidade de reconhecer a forma de uma mão até uma acuidade visual de 2/60 metros e/ou um campo visual inferior a 5º de amplitude.

• B3: Desde uma acuidade visual superior a 2/60 metros até 6/60 metros e/ou um campo visual de mais de 5º e menos de 20º de amplitude.
Todas as classificações devem ser feitas medindo o melhor olho e a correção mais elevada possível. Isto significa que todos os atletas que usam lentes de contato ou vidros devem corrigir normalmente durante a classificação, se pretender ou não as usar durante a competição.

A letra "B" refere-se ao termo blind, que significa cego, segundo a International Blind Sport Association (2005).

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