segunda-feira, 30 de julho de 2018

Injeções mal aplicadas podem deixar pacientes paraplégicos. Saiba porque

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O fechamento de uma farmácia em Campo Grande, onde o dono do estabelecimento estaria aplicando injeções sem ter um curso especializado chamou a atenção para um perigo à saúde da população e deixou um pergunta no ar. 

Quem pode e quem não pode aplicar uma injeção?

O risco de uma má aplicação pode levar a morte ou deixar a pessoa paraplégica. Depois de levar um susto com um medicamento mal aplicado na infância, Mariana Pinato, se tornou uma farmacêutica dedicada. A injeção de antibiótico aos dois anos de idade, era para curar uma inflamação na garganta, mas causou a perda nos movimentos de uma das pernas.

A agulha passou de raspão no principal nervo dos membros inferiores, chamado de “ciático”. Um erro de quem aplicou o remédio e que só foi reparado com tratamento. “No meu caso, eu tive a oportunidade de fazer um bom tratamento, tanto clínico como de fisioterapia e aí o nervo que havia atrofiado voltou ao normal e eu não tive conseqüências maiores. Na época eu fiquei praticamente um ano sem os movimentos da perna. Hoje, minha perna é normal, mas existem pessoas que não chegam a perdem os movimentos de vez”, contou a jovem.

O presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Ronaldo Abrão, lembra que uma injeção aplicada de maneira errada pode ter conseqüências ainda piores. “A qualificação necessária para aplicação dá ao profissional a noção exata de quais são os locais apropriados para as aplicações; a diferença entre a injeção intramuscular e endovenosa (com aplicação na veia) para que não seja aplicada em local errado. Mesmo assim, aplicando no músculo, se for nas nádegas, por exemplo, há o risco de que esta agulha acerte o nervo ciático, provocando sequelas durante toda a vida do paciente que foi lesado”, explica Ronaldo.

Qualquer pessoa que tenha feito um curso para aplicar injeções pode atuar no mercado de trabalho, inclusive dentro de farmácias. Neste caso, é necessário ter a supervisão de um farmacêutico responsável pelo estabelecimento.

Quem não respeita a lei corre o risco de ser punido. Uma farmácia da Capital foi fechada por policiais da delegacia do consumidor e da Vigilância Sanitária.

O dono, Joaquim Jorge de Alencar, de 49 anos, estaria aplicando injeções sem autorização e não havia um farmacêutico responsável no momento da vistoria. Para evitar ser atendido por pessoas sem qualificação, a dica é sempre perguntar.

“Ao entrar em um estabelecimento farmacêutico, que não é uma clínica especializada, por exemplo, a pessoa deve se certificar de que está em um estabelecimento que cumpre a legislação, e portanto, mantém um farmacêutico habilitado por todo o horário de funcionamento. É preciso saber ainda se é o profissional que está aplicando a injeção, no caso de não ser o farmacêutico, possui um curso para este procedimento. E, mesmo tendo curso, é necessária a supervisão de um farmacêutico responsável”, alertou ainda, o presidente do conselho, Ronaldo Abrão.

Para evitar correr riscos é bom seguir a orientação do CRF. Antes de tomar uma injeção, se informe se a farmácia tem um farmacêutico ou uma pessoa com curso prático de aplicação.


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