domingo, 12 de agosto de 2018

Casal gay adota irmãs autista e com transtorno intelectual em Rio Preto

Processo de adoção tardia durou cerca de 2 anos. Casal afirma que o laço afetivo da família, que mora em Rio Preto (SP), existiu desde o primeiro contato.

Por Heloísa Casonato, G1 Rio Preto e Araçatuba

Cleber e Celso Mattos realizaram sonho da paternidade ao adotar filhas; família é de Rio Preto (SP) (Foto: Cleber Mattos/Arquivo Pessoal)
Cleber e Celso Mattos realizaram sonho da paternidade ao adotar filhas; família é de Rio Preto (SP) (Foto: Cleber Mattos/Arquivo Pessoal)

O Dia dos Pais vai ser comemorado em dose dupla na família Mattos. O casal homoafetivo de São José do Rio Preto (SP) conseguiu adotar duas irmãs e realizar, assim, o sonho da paternidade.

Para Cleber e Celso Mattos, que estão juntos há 14 anos, o domingo (12) vai ser o dia da celebração da aceitação e do amor.

“Eu não sei descrever o sentimento, porque é uma emoção e realização. É muito carinho envolvido, dedicação. Elas se desenvolveram muito e para nós tudo é novo. É uma experiência de vida grande”, afirma Cleber, que é artesão.

Em entrevista ao G1, o casal, que está com as meninas há pouco mais de um ano, diz que a ideia inicial não era apostar na adoção, mas em uma inseminação artificial. No entanto, a primeira opção não deu certo e eles decidiram por uma adoção tardia. Todo o processo durou cerca de 2 anos.

Cleber conta que o amor pelas irmãs surgiu durante a primeira visita ao abrigo. “O instinto paterno falou mais alto. A adoção é entrega, é amor. Desde o primeiro momento percebemos que amávamos as meninas”, conta.

“Eu e meu companheiro não geramos as meninas, mas pensávamos o tempo todo nelas. Desenvolvemos esse amor, esse laço.”

Cleber e Celso Mattos, de Rio Preto (SP), fizeram adoção tardia (Foto: Cleber Mattos/Arquivo Pessoal)
Cleber e Celso Mattos, de Rio Preto (SP), fizeram adoção tardia (Foto: Cleber Mattos/Arquivo Pessoal)

O casal diz que o laço afetivo da família sempre existiu, e que a filha mais velha, de 17 anos, sempre os chamou de “pai”.

“As meninas se acostumaram rápido desde o primeiro contato que tivemos. A mais velha tem transtorno intelectual, mas sempre nos chamou de 'pai'. A mais nova tem 8 anos, é autista, não fala nem tem coordenação motora, mas pelo afeto dela nós percebemos que ela teve uma aceitação imediata. O autista escolhe as pessoas, não é a gente que os escolhe”, diz o artesão.

Celso, que é auxiliar de enfermagem, conta que a aceitação das famílias do casal também foi positiva em relação às adoções.

“Nós vivemos em um país onde o preconceito é grande, por isso pensávamos que seria mais difícil para nossas famílias nos aceitarem como pais. Mas elas também aceitaram bem a situação. Algumas pessoas já comentaram que éramos loucos em adotar duas meninas mais velhas. Mas são crianças dóceis, amorosas, não tivemos qualquer tipo de problema. Nossos amigos também abraçaram a causa, dizem que não têm coragem, mas que tiram o chapéu para nossa atitude.”

Dia dos Pais em Rio Preto (SP) será comemorado após adoção de meninas na família Mattos (Foto: Cleber Mattos/Arquivo Pessoal)
Dia dos Pais em Rio Preto (SP) será comemorado após adoção de meninas na família Mattos (Foto: Cleber Mattos/Arquivo Pessoal)

Fonte: g1.globo.com

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