sábado, 29 de setembro de 2018

Dia nacional da pessoa com deficiência

Símbolo universal da acessibilidade criado pela ONU — Foto: Divulgação
Símbolo universal da acessibilidade criado pela ONU — Foto: Divulgação

Por Yvonne Maggie, G1

Dia 21 de setembro foi o dia nacional da pessoa com deficiência. Eu não sabia que havia um dia para comemorar a grandeza e a beleza de ver uma pessoa com deficiência em seus próprios termos, de uma forma amorosa como em geral ela nos olha. Eu não sabia, e certamente muitos leitores também não sabem, que há um dia internacional das pessoas com deficiência criado, em 1992, pela ONU.

No Brasil convencionou-se comemorá-lo no dia 21, dia em que também se comemora a árvore, próximo ao equinócio da primavera, quando o dia e a noite têm a mesma duração, estão em perfeito equilíbrio em relação ao sol. O equinócio da primavera é a melhor imagem de equilíbrio que se podia pensar em contraposição ao desequilíbrio da nossa sociedade em relação aos direitos das pessoas com deficiência. A imagem não poderia ser mais contraditória com uma pessoa com alguma deficiência e é por isso que a data é tão potente.

Lembrar-se da pessoa com deficiência, da criança especial ou do adulto com limitações de qualquer ordem a partir da ideia de equinócio é tomar consciência da necessidade de encontrar-se um ponto de equilíbrio entre os 10% da população mundial que lutam para encontrar o seu modo particular de ficar em sintonia com o mundo que os cerca. O mundo que cerca a pessoa especial, especial no sentido de ser única, de comunicar-se de forma totalmente particular, não é, na maioria das vezes, acolhedor para não dizer ferozmente excludente.

Dia 21 de setembro foi o dia nacional da pessoa com deficiência e eu não sabia. E quantos de nós fechamos os olhos para os que nos rodeiam quando são especiais? E quantas vezes vemos pessoas estacionar o carro na vaga de deficiente assim, sem querer, só por um minuto, impedindo a criança com sua cadeira de rodas de entrar com segurança no táxi especial. E quantas vezes deixamos de convidar essa criança para uma festa? E quantas vezes perguntamos à mãe dessa criança se ela precisa de ajuda, ou mesmo ligamos para dar um alô?

Um símbolo que todos conhecem e a maioria não respeita... — Foto: Divulgação
Um símbolo que todos conhecem e a maioria não respeita... — Foto: Divulgação

Penso nesse dia como o dia de celebrar um renascimento e imagino o que devem sentir milhares de mães, irmãos, esposas, esposos, avós, tios e amigos de pessoas especiais que comemoram cada dia como se fosse o mais importante de sua caminhada. Penso especialmente nas mães que mesmo na solidão reúnem forças para cuidar e dar a seus filhos o melhor de si para que sejam felizes.

Na Inglaterra uma pessoa com deficiência recebe todos os tratamentos e cuidados do Estado. Nada lhes deve faltar. Nos EUA as cidades são pensadas para acolher pessoas especiais. No Brasil, não há preocupação e quando existe não são respeitadas como as rampas de acesso. Até os parquinhos nos condomínios de luxo não incluem brinquedos adaptados. Mesmo alguns ônibus adaptados e o metrô que reserva lugares para pessoas especiais, há quem ocupe estes acentos ou os mecanismos da porta estão com defeito na maior parte do tempo.

Dia 21 de setembro é o dia da pessoa com deficiência e todos deveriam pensar sobre como dedicar ao menos um dia de suas vidas a olhar com amor e respeitar essas crianças e adultos porque é assim que deveriam ser tratados todos os dias do ano e de suas vidas.

Fonte: g1.globo.com

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