As limitações não vão impedir a participação na Refeno.
Por Ana Clara Marinho, G1, Fernando de Noronha
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A Refeno parte do Marco Zero do Recife — Foto: Divulgação
Para quem tem coragem e espírito de aventura não há limitações. A Regata Recife-Fernando de Noronha terá este ano um velejador com deficiência visual e outro cego. Diego Teixeira vai disputar a competição a bordo do Avatar e Rodrigo Siqueira será tripulante do Toro. A largada é no próximo dia 29, no Marco Zero.
Diego Teixeira tem 2% de visão e enxerga apenas luzes fortes e vultos, mas a vontade de participar da Refeno não foi um empecilho no esporte. Ele é apaixonado por barcos de oceano e disputa competições da classe Day Sailer, superando as dificuldades que teve no início em entender os movimentos do barco e a quantidade de detalhes para assimilar dentro de uma embarcação.
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Diego Teixeira vai participar da Refeno — Foto: Divulgação
“Será a minha primeira regata oceânica, de longa duração e estou muito ansioso. A Refeno é importante para qualquer velejador. Estou um pouco apreensivo também para saber minha reação. Mas também com muita expectativa. Só tenho a agradecer a todo mundo que me deu esse apoio e espero encontrar todos lá em Noronha quando chegar para comemorar comigo mais essa conquista”, falou Diego.
O projeto de Diego Teixeira é ainda mais audacioso a partir da Refeno.“A Refeno vai servir como um estágio para outro projeto que tenho de descer a costa brasileira velejando. E quem sabe, no futuro, até dar uma volta ao mundo também. O pontapé inicial dessa aventura será na Refeno”, disse Diego Teixeira.
Primeiro cadeirante
O médico Rodrigo Siqueira, de 35 anos, será o primeiro cadeirante a participar da Refeno. “Será uma grande aventura e uma experiência para levar sempre comigo. Tenho certeza disso. Mas acho que a palavra que melhor resume é desafio mesmo. Um grande desafio”, falou.
O desejo de Rodrigo Siqueira em participar da Regata Recife-Noronha é antigo. No ano passado, quando ele tentou se inscrever, não havia mais vagas no barco. Desta vez, a sorte o ajudou um pouco a realizar o sonho de infância.
“Sou do Cabanga Iate Clube desde criança. Fiz Optimist e competi dos meus dez até os 15 ou 16 anos. Sempre gostei e tive vontade de ir para a Refeno, mas nunca tive a oportunidade. Em 2017, um amigo foi no Toro e tentei ir também, mas o barco estava lotado. Neste ano, fiquei na fila de espera, uma pessoa desistiu e topei na hora. É um grande sonho e o fato de ser cadeirante não iria impedir de realizar esse meu desejo. A expectativa é a melhor possível”, contou o médico.
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Rodrigo Siqueira fará ação social — Foto: Divulgação
Como a participação foi confirmada de última hora, a adaptação dos tripulantes e de Rodrigo ao barco será durante a Refeno. Porém, como estará rodeado de amigos, não há preocupação para a regata e ele está pronto para ajudar o Toro durante as 292 milhas náuticas, o equivalente a 545 quilômetros, do Recife até Fernando de Noronha.
O tripulante do Toro também participará das ações sociais em Noronha. A convite do sócio Rodrigo Quintas, o médico especializado em nutrologia e medicina preventiva dará uma palestra sobre saúde e alimentação saudável para a população da ilha. O médico e cadeirante dará exemplo.
“O fato de não andar não me limita e não pode limitar ninguém a nada. Uma mente livre é igual a um corpo livre. Espero ver mais cadeirantes na Refeno de 2019 e que eu possa ajudar de alguma forma com a experiência que vou adquirir neste ano. Todo mundo pode participar”, concluiu.
Fonte: g1.globo.com
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