sábado, 27 de outubro de 2018

Conheça a história de superação do carateca Cláudio Henrique, que nasceu com paralisia cerebral - Veja o vídeo

Claudinho, como é conhecido pelos amigos em Montes Claros, precisa da cadeira de rodas para se locomover e tem limitações, mas é um dos alunos mais aplicados nas aulas

Por GloboEsporte.com

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Não restam dúvidas do poder de transformação do esporte na vida das pessoas. Em todos os cantos, estamos sempre rodeados de bons exemplos que fazem a gente levantar da cama, ganhar aquele ânimo extra, espantar a preguiça e escolher uma prática esportiva que mais adeque com o que buscamos para o nosso dia a dia. Mas se você ainda tem dúvidas do poder do esporte, apresentamos a história de superação do Cláudio Henrique, de 27 anos.

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Claudinho, como é conhecido pelos amigos, nasceu com paralisia cerebral, por isso precisa da cadeira de rodas para se locomover e tem limitações na fala e nos movimentos dos membros superiores. Porém, quem vê o Claudinho no dia a dia sabe que a deficiência não impediu sua dedicação aos esportes; ele é carateca há dois anos.

O Claudinho é um atleta, sempre praticou vários esportes. Ele já fazia jiu-jítsu quando conheceu o caratê. Para ele, que tem sua limitação física, o caratê é um desafio e ele trata como algo de superação. A limitação física não impede que ele pratique os movimentos do caratê, que são aeróbicos. Então, a gente faz a adaptação com a cadeira; as rodas se tornaram as pernas. Todos os movimentos de ir e voltar, ele faz naturalmente, a cognição dele é totalmente normal -, explica o professor do Claudinho, o sensei Marco Aurélio.

Marco Aurélio ministra aulas para turma de projeto social — Foto: Ricardo Guimarães/GE
Marco Aurélio ministra aulas para turma de projeto social — Foto: Ricardo Guimarães/GE

Assim como os demais alunos, Claudinho segue à risca toda a disciplina do esporte e, de ouvidos atentos, busca manter o ritmo de movimentos instruídos durante as aulas; ele pratica a modalidade kata, um conjunto de movimentos de ataque e defesa. Após dois anos no esporte, ele não se vê fazendo outra coisa.

O caratê para mim foi superação de vida. Era meu sonho. Meu pai era carateca e eu o via treinando, e queria fazer. Mas dentro de mim tinha medo de machucar. Comecei a fazer e tive de superar meu medo. Estou ai, lutando, batalhando, de pouquinho a pouquinho.

Inclusão e exemplo

A rotina de treinos do Cláudio Henrique inclui aulas durante a semana no dojô coordenado por Marco Aurélio e ainda, aos sábados, em um projeto social, o Doadoria, que busca ajudar pessoas carentes da cidade através de diversas ações, incluindo o esporte. Independente do local das aulas, Claudinho é referência de aluno, como explica Marco Aurélio.

O exemplo que ele passa, ele mesmo fala: “sensei, eu quero participar do projeto, para mostrar para eles que eu posso fazer isso”. Ele passa muita disciplina, dedicação, não reclama dos treinamentos. Isso para eles [os demais alunos], serve como exemplo.

Toda a dedicação do aluno despertou a vontade dos professores em iniciarem uma segunda etapa de treinos, onde Claudinho passa a ganhar ainda mais condições de iniciar sua vida como paratleta.

Estamos trabalhando com ele para que no próximo ano possa competir como paratleta. O trabalho é diferenciado, já que ele tem que fazer os movimentos que a gente faz normalmente adaptado na cadeira de rodas -, diz Marco Aurélio.

Durante as aulas, concentração do Cláudio chama atenção e serve de exemplo — Foto: Ricardo Guimarães/GE
Durante as aulas, concentração do Cláudio chama atenção e serve de exemplo — Foto: Ricardo Guimarães/GE

Benefícios


Com movimentos alongados e concentração redobrada, o caratê tem ajudado o Claudinho é ganhar ainda mais autonomia e confiança.

Cada dia que ele supera o treino é uma vitória para ele. O caratê é muita concentração e o nosso corpo é comandado pelo cérebro. Quando você começa a fazer os movimentos complexos do caratê, isso vai estimulando a musculatura, que melhora a amplitude do movimento, deixa a percepção mais aguçada e oferece grande benefício para a parte física.

Tem pessoas que tem a mesma deficiência e está parado em uma cama, em uma cadeira. Eu gosto de tudo no caratê. Sinto-me ótimo fisicamente. Antes eu não conseguia passar da cadeira para o tatame e hoje consigo sozinho. Estou mais forte e confiante. Antigamente não fazia coisas que hoje faço -, afirma Claudinho.

E o recado final, para quem ainda está com dúvidas sobre o esporte:

É bom. Vai e começa, porque vai mudar a sua vida. O caratê é uma mudança de vida.

Movimentos complexos do caratê ajudam na maior autonomia e ganho de força — Foto: Ricardo Guimarães/GE
Movimentos complexos do caratê ajudam na maior autonomia e ganho de força — Foto: Ricardo Guimarães/GE


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