terça-feira, 23 de outubro de 2018

Mãe luta na Justiça há 7 anos para que filha com doença rara nas pernas possa fazer cirurgia

Isadora nasceu com má formação óssea. Conforme médicos de Porto Alegre, operação só pode ser realizada em São Paulo.

Por Carolina Cattaneo, G1 RS

Zeli e a filha Isadora, de 7 anos. Menina nasceu com má formação óssea nas duas pernas e na mão esquerda, e aguarda cirurgia — Foto: Arquivo pessoal
Zeli e a filha Isadora, de 7 anos. Menina nasceu com má formação óssea nas duas pernas e na mão esquerda, e aguarda cirurgia — Foto: Arquivo pessoal

O sonho de Isadora, de 7 anos, é poder caminhar normalmente, sem sentir dores. A menina, natural de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, nasceu com má formação óssea nas duas pernas e na mão esquerda. A mãe, Zeli da Silva Selau, está há sete anos lutando na Justiça para que a menina possa ter o tratamento necessário.

A dona de casa, de 46 anos, mãe de quatro filhos, entrou com um processo contra o governo do Rio Grande do Sul e o município de Torres em 2011, quando Isadora tinha menos de dois meses. No decorrer dos anos, a menina consultou em dois hospitais de Porto Alegre e recebeu a notícia de que não seria possível realizar as cirurgias necessárias na capital gaúcha.

Conforme Zeli, em um atendimento no Hospital Santa Casa, o médico recomendou que a menina consultasse com um especialista de São Paulo. A Justiça negou o pedido para que o estado e o município pagassem os custos da viagem. Foi então que a Promotoria de Torres, que acompanha o processo há anos, fez uma vaquinha.

"Ligamos para o consultório e fizemos uma mobilização, cinco, seis pessoas ajudaram, e conseguimos pagar as passagens", conta o promotor Marcelo Araújo Simões.

A consulta foi realizada em outubro do ano passado. O especialista informou que era possível resolver o problema de Isadora, mas seria necessário quatro cirurgias e cada uma custava na época em torno de R$ 600 mil, conforme a mãe.

"Não tenho condições de pagar. Com essa demora do estado e do município de resolver essa questão, minha filha está piorando. Ela tem dor na ponta dos pés e preciso levar ela no banheiro no colo. Ela tem muita dificuldade para andar. É uma cirurgia por ano e ela está crescendo. Se ela não fizer logo, daqui a pouco não vai mais dar para fazer", explica Zeli.

A mãe chegou a  fazer uma vaquinha online para arrecadar dinheiro para pagar as cirurgias. Mas, por enquanto, juntou menos de R$ 15 mil. Com base em laudos médicos, o problema de Isadora já está prejudicando a coluna.

"Preciso de um milagre. Eles não sabem a tristeza de uma mãe que tem que ver a filha com dor todos dias. A tristeza de saber que é possível resolver o problema da minha filha, mas não posso fazer".

Segundo o promotor, a Justiça determinou que o estado e o município de Torres paguem as cirurgias. "Se as operações não puderem ser feitas no estado, eles devem pagar os custos em São Paulo", explica.

A Secretaria Estadual de Saúde informou em nota ao G1 que "o Ministério Público solicitou bloqueios de recursos estaduais e do município de Torres para tratamento e consultas, o que ocorreu em 2016 e 2017". O órgão esclareceu que esse dinheiro não foi para a cirurgia, mas para encaminhamentos médicos e tratamentos.

A pasta acrescentou que a Central de Regulação do Estado informou que "houve agendamento de consulta da criança no Hospital Santa Casa em maio e com ortopedista em junho deste ano. Atualmente, o processo está com o município de Torres" (leia a nota na íntegra abaixo).

A Prefeitura de Torres informou em nota que, em junho, Isadora consultou na Santa Casa em Porto Alegre e que o médico indicou a realização da cirurgia em São Paulo. "Esta orientação do médico foi juntada pelo Ministério Público aos autos do processo judicial somente no dia 1º/10, sendo que o Município foi intimidado em 15/10 para, no prazo de 10 dias, encaminhar a criança para tratamento médico em São Paulo, conforme requerido", descreve o município.

A nota ainda acrescenta que a "Secretaria Municipal de Saúde de Torres está entrando em contato com o médico a fim de cumprir a ordem judicial, dentro do prazo estabelecido" (confira na íntegra abaixo).

O Hospital Santa Casa informou que Isadora "realizou diversas consultas com o Dr. Ricardo Kaempf para tratamento de sindactilia complexa e apenas uma consulta com Dr. Silvio Coelho, em junho, onde a mãe relatou que estava em curso com um processo judicial" e solicitou ao médico um "laudo descrevendo suas deformidades".

Nota do governo do Rio Grande do Sul

"Trata-se de uma ação impetrada pelo Ministério Público em 2011. A solicitação foi deferida para consulta e tratamento, sendo a sentença executada. Nova solicitação foi feita, desta vez para que a criança pudesse consultar com médico em Jundiaí (São Paulo). O Tribunal de Justiça não concedeu este direito, determinando que uma segunda opinião poderia ser obtida no Rio Grande do Sul.

O Ministério Público solicitou bloqueios de recursos estaduais e do município de Torres para tratamento e consultas, o que ocorreu em 2016 e 2017. A Central de Regulação do Estado informa que houve agendamento de consulta da criança no Hospital Santa Casa em maio e com ortopedista em junho deste ano. Atualmente, o processo está com o município de Torres".

Nota da Prefeitura de Torres

"Em março, o juiz determinou o agendamento de uma segunda avaliação médica no Estado para o caso de Isadora. Na época, o município de Torres não foi intimidado desta decisão. O Município foi intimidado somente em junho.

Mesmo o Município não tendo sido intimado, Isadora foi encaminhada para avaliação pelo Estado e realizou consulta no dia 13/06 na Santa Casa de Porto Alegre, quando o médico indicou a realização da cirurgia em São Paulo.

Esta orientação do médico foi juntada pelo Ministério Público aos autos do processo judicial somente no dia 1º/10, sendo que o Município foi intimidado em 15/10 para, no prazo de 10 dias, encaminhar a criança para tratamento médico em São Paulo, conforme requerido.

A Secretaria Municipal de Saúde de Torres está entrando em contato com o médico a fim de cumprir a ordem judicial, dentro do prazo estabelecido"

Fonte: g1.globo.com

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