quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Na semana das crianças, conheça a história de companheirismo e carinho entre o garoto Cadu e Lola - veja o vídeo.

Lola é uma cadelinha de três anos que acompanha as diversões do garoto Carlos Eduardo, o Cadu, portador de autismo.

Por Gian Marlon , G1 Grande Minas

Lola é considerada agitada e está sempre correndo pela casa — Foto: Carline Nogueira/Arquivo pessoal
Lola é considerada agitada e está sempre correndo pela casa — Foto: Carline Nogueira/Arquivo pessoal

Andar em um patinete a toda velocidade, fazer guerra de travesseiros, brincar de esconde-esconde, jogar futebol e videogame. Certamente a criançada não dispensaria nenhuma dessas opções de diversão, não é mesmo? E quando este universo de brincadeiras ganha aquele amigo especial, por exemplo um pet, certamente tudo fica ainda mais completo.

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Este é o caso do pequeno Carlos Eduardo, o Cadu, de 10 anos. Portador de autismo, considerado moderado, ele tem na cadelinha Lola, de três anos e meio, a amiga certa para todos os momentos de diversão. Lola, da raça fox paulistinha, chegou na vida do Cadu como um verdadeiro presente, mas foi necessário um período de adaptação. Segundo a mãe do garoto, a fisioterapeuta infantil, Carline Nogueira, no início ficou com o pé atrás com a cadelinha, por medo de bagunça e dela morder o filho. Ela conta que Cadu não se importava com Lola e ficava apenas na sua diversão preferida no momento: balançar na rede. Carline chegou a definir a devolução ao avô.

"Falei com meu pai que eu não queria o cachorro não. Meu primo morava aqui perto da minha casa. Meu pai pegou e falou que daria a cachorra para o meu primo, e pediu ele vim buscar. No dia que ele veio, Cadu estava balançando na rede e a cachorrinha perto dele. Meu primo chegou perto de Cadu, e a cachorrinha começou a latir, protegendo e não deixou ele chegar perto. Aquilo tocou meu coração", diz.

Nova amizade

A decisão de continuar com Lola deu início a uma nova amizade, de amor e proteção. Onde Cadu ia, ela corria atrás. Até na hora de alimentar a cadelinha, os dois não se separavam. "Quando ele ia comer, ele tirava um pedacinho e dava para ela. Ele começou a fazer isso sozinho, dele mesmo. Eu falava: 'filho não dá nada para Lola'. Mas ele, escondidinho, ia para debaixo da mesa e dava para ela. Eu vi que começou a criar aquele vínculo entre os dois", conta Carline.

Cadu sempre gostou de balançar na rede, mas a pet mudou o modo do garoto de compreender as coisas, de brincar e socializar. Hoje, o carinho é mútuo, de até deixar a Lola lamber suas pernas. Pouco antes da Lola chegar na casa, o Cadu conseguiu aprender a falar, quando tinha seis anos de idade. E antes mesmo de saber a palavra cachorro, o garoto já conseguia falar o nome da cadelinha.

"Foi incrível. Eu tive contato com uma colega, que tem um cão-terapeuta, e fui perguntando para ela como que poderia fazer, o que a gente poderia fazer para poder criar esse vínculo. Ela foi me passando essas orientações para poder estimular o tato, para ele adular a cachorra. A cachorra por si só foi criando esse vínculo com ele, que começou a querer interagir com cachorra e brincar".

Para a psicóloga Carla Pataro, existem vários benefícios na hora de ter um bichinho em casa. "Ajuda na sensibilidade. Vai ajudar no sentido e tato. A criança com autismo tem dificuldade sensorial, questão motora deficitária. Quando a criança tem um animal, ela vai desenvolver junto com ele. O cachorro vai ajudar, na imitação, movimentação e no som".

Características da Lola

As atividades com os pets demonstram mudanças importantes para as crianças portadoras de autismo, que têm dificuldades de interação e contato social. A partir do momento que o pet é inserido na família, as crianças conseguem uma grande transformação, se tornam menos agressivas e isoladas.

"No geral, temos esse uso do animal para tratamentos neurológicos, socialização. A raça fox paulistinha não é muito utilizada, mas é muito dócil e protetora. O que faz dar certo e fazer o pet ficar dócil é a criação. A fox tem mais apego com o proprietário e tende para as raças protetoras. Chega até ser ciumenta. Cria-se um vínculo, que ajuda no desenvolvimento", ressalta a veterinária Camila Rodrigues Lacerda.

Cadu tem carinho retribuído na hora de brincar — Foto: Carline Nogueira/Arquivo pessoal
Cadu tem carinho retribuído na hora de brincar — Foto: Carline Nogueira/Arquivo pessoal

Fonte: g1.globo.com

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