terça-feira, 30 de outubro de 2018

REMADORAS ROSAS, união pela celebração da vida e combate ao câncer de mama


   Dra. Linamara Rizzo Battistella, Secretária de Estado, no evento das Remadoras Rosas

A popularidade do Outubro Rosa alcançou o mundo de forma elegante, feminina, suave e marcante. A linguagem visual durante todo o mês de outubro, expressa em cor-de-rosa, é uma comunicação compreendida em diversas localidades do mundo; une e move os povos em torno dessa nobre causa: preservação da vida e prevenção ao câncer de mama.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama afeta, por ano, mais de 1 milhão de mulheres. Esse é o tipo mais comum de câncer e a causa mais frequente de morte entre a população feminina. A causa da doença pode estar relacionada a diferentes fatores, como sedentarismo, sobrepeso, faixa etária em torno de 50 anos, e questões genéticas, entre outros. Estimativas registram a possibilidade de cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama, este ano, no País.

O movimento Outubro Rosa nasceu em Nova York, Estados Unidos, e atravessou fronteiras. No Brasil, manifestações culturais e sociais lembram a importância de se prevenir, combater e superar o câncer de mama. Com esse espírito de união pela celebração da vida, nos dias 19 e 20 de outubro, o Yacht Club Paulista, ganhou o tom rosa: acolheu o III Festival Kaora e I Festival Paulista de Remadoras Rosas, realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Reuniu mais de uma centena de mulheres, familiares, profissionais de saúde e reabilitação, simpatizantes e ativistas pela preservação da vida.

Foram dois dias intensos de atividades, palestras e muita remada em prol da prevenção do câncer de mama. Estiveram presentes mulheres que praticam o remo em diversas localidades, como Brasília, Maceió e Londrina, além de cidades litorâneas e região metropolitana de São Paulo. A Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella, recepcionou os participantes, ao lado da Dra. Christina May Moran de Brito, Ricardo Dias Faro e Fábio Paiva.

                             

“Esse é um momento para mostrar que cada uma de nós mulheres somos capazes de fazer a mudança no mundo. Que as remadoras rosas possam remar em direção da esperança de uma vida melhor para todo nosso planeta; de um mundo melhor para nossas crianças, com mais saúde e qualidade de vida para todos”, destacou Dra. Linamara, que é médica fisiatra e professora de Medicina da USP.

“Vamos juntos construir um mundo novo, para aqueles que vão nos suceder na vida, para que a memória daqueles que já foram possa nos orgulhar, mas que o nosso legado seja um legado de fé, de esperança e de muito amor e harmonia”, ressaltou a Secretária.

Dra. Linamara também citou a importância de adicionar o esporte na reabilitação e também na prevenção do câncer de mama, para que não haja recorrência nas mesmas pacientes. “Essas mulheres são campeãs na superação, na crença de que é possível chegar mais longe, e agora remando! Portanto, é uma alegria estarmos juntos - saúde, esporte e pessoas com e sem deficiência”.

Com a prática do remo, a reincidência da doença é minimizada em virtude do aumento da resistência física, que influencia na melhora do sistema imunológico para trabalhar no combate ao desenvolvimento de doenças.

Dra. Chris Moran, Coordenadora Médica do Serviço de Reabilitação do ICESP, lembrou o início do projeto de reabilitação pela remada. “O espírito de equipe tornou tudo isso possível para nós, no Brasil, a partir de 2013. Nos inspiramos em um movimento internacional que começou no Canadá, com Don Mackenzie, que sempre diz que quem deu força ao movimento, desde sempre, foram as sobreviventes”, destacou.

“As sobreviventes” é a forma como são conhecidas as mulheres que venceram e superaram o câncer de mama.

REABILITAÇÃO E REMADA

A remada como forma de reabilitação para mulheres sobreviventes do câncer de mama é um movimento relativamente novo, porém em grande difusão. O movimento nasceu em maio de 2013, com o Projeto Remama, resultado de uma parceria entre o Serviço de Reabilitação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), da Faculdade de Medicina da USP, a Rede de Reabilitação Lucy Montoro e o Centro de Práticas Esportivas da USP.

   Barco Dragon Boat: alegria e celebração da vida em dois dias do Festival Remadoras Rosas

“Fomos inspirados em um movimento internacional – o International Breast Cancer Paddlers Commission. O Projeto se destina a pacientes com câncer de mama que realizam sua avaliação e treino no Centro de Reabilitação do ICESP, que inclui o treino no remoergômetro (simulador de remo tradicional sem contato com água), e depois são encaminhadas para o treino na Raia da USP”, lembra Dra. Chris, destacando que o projeto Remama começou com 12 vagas e, desde o ano passado, foi ampliado para 20 vagas, com treino em barco.

Uma das participantes do Remama, Carmen Lúcia Mazzei D'Agostino, destaca que o Remama já deu frutos. “Temos agora a ‘Umauma’, outra equipe formada com muito orgulho”. No idioma havaiano, “umauma” significa peitoral. “Nós não só nos unimos, como nos integramos e está sendo maravilhoso”, frisou Carmen.

O Festival contou também com um momento de homenagem a quem não sobreviveu ao câncer, sucumbindo à luta. A essas foram levadas rosas cor-de-rosa e as águas do Yacht Club se tingiram de rosas e de emoção. “Um momento para lembrar e homenagear pessoas, suas histórias e expressar amor e gratidão. Um momento de reverenciar a vida e respeitar a morte, como parte dela”, destacou a Dra. Chris.

Ricardo Dias Faro, diretor das empresas Selva e Aventura e Dragon Boat Brasil, participou da coordenação do Festival das Remadoras Rosas e é o responsável por trazer da China o barco Dragon Boat (barco dragão), que atende ao projeto Remama. Ele explica que a modalidade existe há muitos anos e foi adotada pela simbologia, por ser um esporte em equipe, aliás o maior em número de pessoas na mesma equipe, mas principalmente por fortalecer a musculatura de membros superiores envolvidos no exercício da atividade.


Medalhas entregues às equipes vencedoras encerraram as competições.

“Foi um evento que, sem dúvidas, deixará lembranças inesquecíveis para todas os participantes, que além da motivação, deixou o legado e a importância da atividade física, manutenção, prevenção e cuidados especiais, além da confraternização e espírito de equipe”, observou Ricardo Faro.

O espírito de equipe ficou impresso na alma das remadoras, que não economizaram elogios sobre a experiência de remar pela vida e prevenção ao câncer. Larissa Lima Barbosa, de Brasília, sobrevivente do câncer de mama, é representante da organização Neomama, que mantém equipe de competição em remo, atualmente com 12 mulheres que remam em um dragon boat ou canoa polinésia. Essa canoa comporta 22 pessoas, sendo 20 remando (dez de cada lado), uma no leme e uma no tambor, tradição milenar responsável pelo ritmo das remadas.

Larissa resume a participação das remadoras, em São Paulo: “remar traz para as sobreviventes do câncer de mama a ideia de transformação, ressignificação, glória e vida após o câncer”.

Luzia Vanilde Aparecida da Silva, teve câncer de mama e pratica Remama desde 2016. “Gostei de tudo. O momento da cerimônia das Rosas e das medalhas é o ponto alto da celebração. A experiência foi maravilhosa, até porque minha equipe ficou em segundo lugar. Não mudaria nada nessa festa, só enxergo benefícios, principalmente na prevenção do câncer e do condicionamento físico”.

Airma Katia Souza Ferreira, também sobrevivente, destaca a importãncia da prática esportiva para mulheres que tiveram câncer, em virtude da motivação e elevação da autoestima. “Poder ver as mulheres remando é muito gratificante, tudo é muito bom, o contato com a natureza e o fortalecimento dos braços e pernas, tudo é importante e a experiência do remo é fantástica”, enfatizou.

LISTA DAS VENCEDORAS - REMADORAS ROSAS

I Festival Paulista de Remadoras Rosas
6º lugar - Furacão Rosa
5º lugar - Phi Phi (fi-fi nome de uma ilha do Hawai)
4º lugar – Tulipa
3º lugar – Aloha
2º lugar - Raia Sul
1º lugar - Mogi das Cruzes

III Festival KaOra
4º lugar – Neomama
3º lugar - UmaUma
2º lugar - Remadoras Dragão Rosa
1º lugar – Remama

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