quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Menino com paralisia cerebral supera barreiras para jogar futebol: "Melhor zagueiro do time"

Phelipe Gabriel Barbosa Rodrigues, de 11 anos, vai todos os dias ao treino e inspira colegas pela dedicação

Por Camilla Resende - estagiária sob supervisão de Régis Melo — Poços de Caldas, MG

Menino com paralisia cerebral é destaque em time de futebol em Poços de Caldas (MG) — Foto: Camilla Resende/ GE
Menino com paralisia cerebral é destaque em time de futebol em Poços de Caldas (MG) — Foto: Camilla Resende/ GE

Os dias de Phelipe Gabriel Barbosa Rodrigues, de 11 anos, já começam com um compromisso todas as manhãs. Sem faltas, ele frequenta os treinos de futebol no bairro São José, em Poços de Caldas (MG). Se entre as traves dos gols, cada criança supera um desafio, Phelipe vai além, quebra também as barreiras da paralisia cerebral e se tornou inspiração para colegas e treinadores.

Na minha visão, ele é o melhor zagueiro do time da Aphas - exalta o amigo Willian de Souza Alves, de 13 anos.

Phelipe faz parte das centenas de crianças e adolescentes que participam do projeto de iniciação esportiva da Associação de Promoção Humana e Ação Social (Aphas). Os programas atendem jovens e idosos, com a intenção de transformar a realidade de bairros que enfrentam a vulnerabilidade social.

No período da manhã, os meninos têm dois treinadores, Fernando Gustavo de Oliveira e Carlos José Junio.

Colegas elegem Phelipe como melhor zagueiro do time — Foto: Camilla Resende/ GE
Colegas elegem Phelipe como melhor zagueiro do time — Foto: Camilla Resende/ GE

A gente tenta dar chances por meio do esporte, da cultura e da arte. Primeiro, de terem uma visão diferente sobre as oportunidades. Não pensarem que eles são privados disso. Damos a possibilidade de socializarem de uma maneira mais forte e, assim, promover a independência de cada um, para que quando tiverem 17, 18 anos, possam ser os protagonistas da própria vida - ressalta o padre Graziano Cirina, fundador da associação.

Força do futebol

A paixão de Phelipe pelo futebol é antiga. Antes mesmo de participar do time, ele conta que reunia alguns amigos e brincavam de jogar bola na rua. O encanto pelo esporte veio também com o incentivo do pai, que levava o menino para assistir aos jogos.

Eu fui indo, fui indo e até peguei o jeito de jogar bola - destaca Phelipe.

Apesar das limitações físicas, Phelipe se dedida aos treinos de futebol — Foto: Camilla Resende/ GE
Apesar das limitações físicas, Phelipe se dedida aos treinos de futebol — Foto: Camilla Resende/ GE

Depois que começou a treinar, Phelipe enumera conquistas. Com tanta dedicação ao esporte, as dificuldades físicas foram diminuindo.

Eu melhorei. Agora eu acho que eu corro, me sinto mais forte todo dia - declara o menino. 

O Phelipe, com todas as dificuldades que tem, está sempre aqui. Ele corre, se desenvolve dentro de campo e tem uma inteligência acima da média. Com a atividade física, fortaleceu os músculos das articulações, tanto que ele corre uma hora direto e sai tranquilo - afirma o treinador Fernando Gustavo de Oliveira.

A presença assídua nos treinos deu a Phelipe a oportunidade de descobrir algo que gosta muito: jogar em campeonatos. Ele faz questão de estar presente nos torneios, onde a disputa, apesar de mais difícil, é prazerosa para os jovens.

Phelipe participa todas as manhãs dos treinos de futebol da Aphas — Foto: Camilla Resende / GE
Phelipe participa todas as manhãs dos treinos de futebol da Aphas — Foto: Camilla Resende / GE

Teve um campeonato que a gente não conseguiu pegar a identidade dele. Aí chegou aqui e eu fui falar para ele que a gente não tinha conseguido pegar o documento. E ele chorou de soluçar porque queria jogar. Ali eu senti como o esporte pode fazer diferença na vida de alguém e como o Phelipe ama aquilo, com todas as forças. - relembra Fernando.

Sobre os amigos que fez nas quadras, Phelipe escolhe não nomear os preferidos.

É um tanto bom! - afirma.

Ter o Phelipe como colega é um incentivo para nós. A gente ajuda ele, ele ajuda a gente. - ressalta João Vitor Reis Ferreira, de 11 anos.

Sonho e inspiração

Em um time infantil, a resposta para "o que você quer ser quando crescer?" é praticamente unânime: jogador de futebol. Para Phelipe, a carreira profissional também não precisa ter limites e vem junto com outro sonho: se formar em educação física para entender sobre todos os esportes.

Fernando, treinador do time, conta que Phelipe é uma inspiração também para ele — Foto: Camilla Resende/ GE
Fernando, treinador do time, conta que Phelipe é uma inspiração também para ele — Foto: Camilla Resende/ GE

Orgulho para o treinador Fernando, que conta se identificar com os meninos porque também já sonhou em ser jogador e se formou em educação física. Na ordem inversa, agora é o aluno quem inspira o professor.

- Eu aprendo com ele todos os dias. Ele me ensinou a não desistir de nada, a ter fé, ter coragem, respeito. Eu nunca vi nenhum dos meninos aqui desrespeitarem o Phelipe e eu fico pensando que isto é grandioso. Se isso passasse para todos os lugares, o mundo inteiro seria um lugar melhor.



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