Em uma instituição que acolhe pessoas com deficiência intelectual em Guarulhos, na Grande São Paulo, quase metade dos internos ou não recebem a visita de familiares ou os veem menos de uma vez por ano.
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Há um ano e seis meses, a vida de Dayanne Ferreira dos Santos, uma moradora da periferia de Planaltina, no Distrito Federal, mudou completamente. "No dia 13 de abril de 2017 arrastaram a minha irmã da rua de cima até aqui pelos cabelos, batendo, né. Ela ficou jogada que nem bicho. Tentaram matar ela com uma pedra. Foi o ex-namorado dela que mandou". conta a irmã de Nayara, a Dayanne.
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Nayara não sai da cama e precisa de ajuda para se alimentar e tomar banho. A repórter Nathalia Tavolieri acompanhou a rotina de sacrifícios de Dayanne, que teve que largar o emprego para cuidar sozinha da irmã e mais cinco crianças: seus três filhos, o irmão mais novo e o seu sobrinho.
A família sobrevive hoje com um auxílio-saúde de R$ 900. Deste dinheiro, R$ 600 vão para o aluguel e R$ 200 para as contas de água e luz. Dayanne conta que o governo dá comida e quando dão a fralda, não cabe na irmã. "Eu dependo da doação das pessoas" diz.
Nayara passou dois meses internada no hospital. "Era rodeada de amigos a minha irmã, foi acontecer isso com ela que não apareceu um no hospital", desabafa Dayanne.
Abandono familiar e o acolhimento de assistentes sociais
Em Guarulhos, a repórter Alana Oliveira foi até a Casa André Luiz, uma instituição beneficente que há quase 70 anos acolhe pacientes com deficiência intelectual. A organização foi criada para abrigar crianças deficientes que eram abandonadas pelas famílias na antiga Febem (Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor).
No começo, eles tinham 15 internos, hoje são quase 600; "220 deles não têm vínculo familiar nenhum, ou seja, ninguém veio visitar ou procurou, e em torno de 110 internos têm familiares que visitam a cada dois anos, um ano", conta Anelise Ramos, gerente de comunicação da Fundação Casa.
Na Casa André Luiz, a repórter Alana conheceu Flora Simões, que faz desenhos e escreve cartas na esperança de receber a visita de alguém da família: "Sinto saudade do meu irmão, queria muito ver ele. Queria que ele viesse aqui. Ele não sabe que a dona Íris morreu, a minha mãe que faleceu e eu vim para cá", conta a interna.
Alana acompanhou o trabalho das assistentes sociais da instituição. Elas saem em busca da famílias e tentam convencê-los a visitar os parentes internados.
Casa de professora com Alzheimer vira república para estudantes
Em Campinas, no interior de São Paulo, as estudantes de jornalismo Daniela Martins e Dorothea Rempel apresentaram ao repórter Caco Barcellos a história da professora e missionária americana Lois Mckinney, de 86 anos. A casa dela virou uma república de estudantes após começar os primeiros sintomas de Alzheimer em 2016.
As jovens participaram da segunda edição do Globo Lab: Profissão Repórter, um projeto que reuniu 10 duplas de estudantes e repórteres comunitários de sete estados diferentes. A ideia era ter o apoio da equipe do programa para trabalhar melhor a edição das reportagens que elas fizeram.
Daniela e Dortohea mostrou em sua matéria o dia da república e os cuidados com a dona da casa. "Deixa eu deixar bem claro que o maior foco da casa é a Lois: a preocupação, o cuidado e o zelo por ela", conta um dos jovens moradores.
Quando o repórter Caco Barcellos vai conhecer a dona Lois, ele descobre que por decisão da família, a senhora não mais mora na casa dela. "No mês de junho ela teve um caso de isquemia transitória e aí teve algumas complicações depois que ela deixou o hospital de alguns cuidados que, em tese, a gente não poderia fazer como a troca de fraldas noturnas, etc.
Os responsáveis legais por ela acharam melhor para ela ir para uma clínica", conta João Pedro Silvério, estudante de educação física. Os representantes legais dela são um pastor que a própria Lois escolheu e o filho do seu falecido marido.
Fonte: g1.globo.com
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