segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Passageiros reclamam precariedade e falta de acessibilidade em ônibus de Niterói

Cadeirante não consegue embarcar usando elevador em três tentativas

Lívia Neder

Tentativa frustrada. O servidor público Álvaro Eduardo Salgado tenta embarcar em ônibus da linha 66: três tentativas sem sucesso
Foto: Pedro_Teixeira / Pedro Teixeira
Tentativa frustrada. O servidor público Álvaro Eduardo Salgado tenta embarcar em ônibus da linha 66: três tentativas sem sucesso Foto: Pedro_Teixeira / Pedro Teixeira

NITERÓI — Apesar de a prefeitura garantir que mais de 90% dos ônibus das linhas municipais foram renovados e contam com equipamentos de fácil acesso para cadeirantes, a realidade vai na contramão da informação. Algumas linhas, principalmente as que circulam pela Zona Norte, estão longe disso, segundo os usuários.

O GLOBO-Niterói convidou o técnico em atividade judiciária Álvaro Eduardo Salgado, que é cadeirante, para testar a acessibilidade desses ônibus. Em três tentativas de embarque na linha 66, todas foram frustradas. Na primeira, o ônibus não tinha elevador, e nas outras duas, os elevadores estavam enguiçados, segundo os motoristas.

— Quando os motoristas alegam que os elevadores estão com defeito, nunca temos certeza se é verdade ou má vontade porque essa é uma prática comum entre eles. Existem quatro tipos de elevadores nos ônibus de Niterói. Dois são melhores, e os outros são péssimos para o embarque. Além da falta de conservação há falta de habilidade dos motoristas, que deveriam ser treinados — pondera Salgado.

Sempre lotados

Moradora do Fonseca, a gerente comercial Tatiane Brandão revela que a precariedade das linhas 42 e 66, que fazem o trajeto Barreto-Icaraí, destoa de linhas que circulam em outros bairros.

— Quando preciso dessas linhas, é um sufoco. Ônibus lotados e caindo aos pedaços. Muitas vezes sem ar- condicionado, alguns têm até bancos quebrados. É triste porque em outros pontos da cidade, como a Zona Sul, os ônibus estão ótimos. Até no transporte público há desigualdade social clara — lamenta.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Setrej), a Expresso Barreto, que opera as linhas 42 e 66, foi comprada há menos de um ano pela Viação Brasília, e há um plano de investimento em andamento. “Esperamos que os problemas existentes estejam sanados o quanto antes”, diz o Setrej, em nota.

A prefeitura não informou quais são as principais empresas de ônibus alvo de denúncias e multas. Diz em nota que a Coordenadoria municipal de Acessibilidade e a NitTrans têm realizado ações conjuntas de fiscalizações para verificar se os elevadores para cadeirantes funcionam e se os motoristas estão familiarizados com o uso do equipamento.

“Na última delas, no terminal rodoviário, seis ônibus foram multados e retirados de circulação por falhas pontuais nos equipamentos”, diz a nota.

A prefeitura ressalta que reclamações sobre problemas no funcionamento dos ônibus podem ser feitas pelos telefones da Subsecretaria Municipal de Transportes (2710-1134) e da ouvidoria municipal (3523-8404) ou por meio da plataforma Colab.re.

Nenhum comentário: