quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Festa acessível: amigas cadeirantes e mulher com deficiência visual curtem réveillon do Aterro em Fortaleza

Dançando ao som de Alcione, Rayolma Lemos disse que "ama dançar" e que "deficiência nenhuma a impedirá de ser feliz".

Por G1 CE

Amigas cadeirantes curtem festa de réveillon no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste
Amigas cadeirantes curtem festa de réveillon no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste

As cadeirantes Roseli Alves de Oliveira, 50 anos, e Laura de Freitas, 42 anos, moradoras do bairro Dias Macêdo, em Fortaleza, curtem a virada de ano na Praia de Iracema há 20 anos. A festa no Aterro virou tradição para as amigas.

O uso da cadeira de rodas não foi obstáculo para elas, que ficaram em espaço acessível para quem tem mobilidade reduzida, e curtiram o show próximo ao palco. "É uma festa muito linda, organizada e com atrações espetaculares. Embora deficiente física, a música me move. Sou muito alegre e aqui fico ainda mais. Estou amando!", afirmou Roseli Alves.

Para Laura Freitas, a tristeza é uma escolha da qual ela não partilha. "A vida só é triste para quem se permite viver assim. Venho para o réveillon do Aterro há muitos e muitos anos e quero vir por muitos outros. É tudo muito lindo", completou.

Rayolma Pereira Lemos, jovem cega de 19 anos curtindo a festa de réveillon ao som de Alcione, em Fortaleza. — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste
Rayolma Pereira Lemos, jovem cega de 19 anos curtindo a festa de réveillon ao som de Alcione, em Fortaleza. — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste

A alegria em participar do réveillon no Aterro também foi compartilhada por Rayolma Pereira Lemos, jovem cega de 19 anos que sambou ao som de Alcione.

"Enxergamos muito além do que os olhos podem ver. Eu amo dançar, está no meu sangue e deficiência nenhuma vai me impedir de ser feliz. Enxergamos além dos olhos", disse.

Pela primeira vez participando da festa na Praia de Iracema, Rayolma Lemos resumiu sua felicidade afirmando ser “um sonho". Animada, contou que vai dançar até o sol nascer. "Estou disposta. Quero muito pular ao som do Léo Santana", reforçou.

Primeira vez no Ceará

     Enfermeira Priscila Leal, de 28 anos, mora em Floriano, no Piauí, e participa pela primeira vez do réveillon de Fortaleza.  — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste
Enfermeira Priscila Leal, de 28 anos, mora em Floriano, no Piauí, e participa pela primeira vez do réveillon de Fortaleza. — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste

A enfermeira Priscila Leal, de 28 anos, mora em Floriano, no Piauí. É a primeira vez que ela vem a Fortaleza. A maior expectativa da jovem é pelo show do cantor baiano Léo Santana. “Viemos em uma excursão com 56 pessoas. Estou amando. As pessoas aqui no Ceará são bem calorosas, animadas. O show tá ótimo, tudo muito organizado, mas estou esperando mesmo é pelo momento em que o Léo vai entrar no palco. Será um sonho realizado. Estou bem emocionada e feliz”, comentou.

O técnico em radiologia Carlos Nunes, 52 anos, natural de Recife, participa do réveillon em Fortaleza, pela primeira vez, em companhia da esposa Luzanira Morais, 55 anos. — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste
O técnico em radiologia Carlos Nunes, 52 anos, natural de Recife, participa do réveillon em Fortaleza, pela primeira vez, em companhia da esposa Luzanira Morais, 55 anos. — Foto: Helene Santos/ Diário do Nordeste

O técnico em radiologia Carlos Nunes, 52 anos, natural de Recife, participa da festa pela primeira vez em companhia da esposa Luzanira Morais, 55 anos.

A escolha em passar a virada de ano na Praia de Iracema se deu depois dele se "apaixonar" pela capital cearense ao assistir imagens da festa do ano passado. "Vi as imagens do réveillon passado e me apaixonei! Disse que na próxima virada estaria aqui e vim. Essa cidade é linda!", destacou.

Já o estudante holandês Jicke Dröge, 21 anos, saiu do seu país gelado “para sentir o calor do povo brasileiro”. O jovem disse estar “encantado” com a festa e surpreso com a receptividade do povo cearense. “Já tinha ouvido falar que as pessoas aqui eram diferentes, mas não sabia que seriam tão bacanas. São todos muito alegres”.

Dröge brinca que a temperatura da cidade não será problema para aproveitar a festa. “Está muito calor. Na Holanda está fazendo seis graus, mas é algo novo, vamos aproveitar e se divertir."

Fonte: g1.globo.com

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