segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Atleta sem braços que esfaqueou o pai com lâmina escapa da prisão

O rapaz não foi sentenciado a prisão graças ao pai que afirmou e sua "maior preocupação" era pelo bem-estar e segurança de seu filho; ele segurou a lâmina entre os dedos dos pés

Autor: Redação RIC Mais

Rory terá apenas que cumprir voluntário e fazer um curso. (Foto: Reprodução/ Wales News)
RORY TERÁ APENAS QUE CUMPRIR VOLUNTÁRIO E FAZER UM CURSO. (FOTO: REPRODUÇÃO/ WALES NEWS)

Um atleta deficiente que nasceu sem braços esfaqueou seu pai com o lâmina de uma tesoura, que ele havia apertado entre os dedos dos pés, em novembro de 2018. Durante o julgamento que ocorreu na última semana, em Cardiff, no País de Gales, o jovem Rory O'Connor, 23 anos, escapou de ir para a prisão depois que seu pai explicou que sua "maior preocupação" era pelo bem-estar e segurança de seu filho.

Briga entre pai e filho

Rory, que já jogou futebol e nadou em competições internacionais pelo País de Gales, provocou um corte tão profundo no pai, Kevin O'Connor, que ele precisou passar por uma cirurgia para reparar os danos. Segundo os dois, a briga foi causada justamente pela lâmina de tesoura, já que o rapaz passou a andar com a arma e isso não agradou seu pai. No tribunal, o rapaz afirmou que começou a carregar lâmina de tesoura para sua própria proteção depois de que foi ameaçado em uma caminhada pelo campo.

O tribunal ouviu que ele era capaz de realizar uma série de atividades com os pés, como se lavar, mas seus pais estavam "preocupados e frustrados" com ele carregando a arma. Matthew Robert, que representava a acusação no caso, afirmou que durante o confronto, o pai chegou a pegar um tubo de 1 m de comprimento para tentar manter o filho longe dele, mas mesmo assim não conseguiu manter o jovem longe.

Pai defende o filho

Rory admitiu ter ferido o próprio pai, mas afirmou que não foi intencional. Ele escapou de ser sentenciado a prisão depois que o Kevin explicou que sua "maior preocupação" era pelo bem-estar e segurança de seu filho. O pai descreveu o acontecimento como "lamentável", mas disse que o incidente deu a ele uma percepção maior das dificuldades que seu filho estava passando e disse que ele não o impediria de apoiá-lo e ajudá-lo. Ele acrescentou que não queria que a situação ocorrida em novembro fosse o "momento negativo decisivo da vida de seu filho, já que ele tem muito mais a oferecer".

Andrew Davies, advogado de defesa, disse que O'Connor nasceu sem braços e com vários problemas médicos, mas superou seu "desesperadamente triste começo de vida" ao freqüentar a escola, se unir a um time de futebol e nadar competitivamente por meio do esporte. "Sua família o descreveu como um jovem corajoso e inteligente”. O advogado ainda explicou que o rapaz desenvolveu depressão no final da adolescência devido a problemas em casa e que o próprio Rory estava devastado com o ferimentos que infligiu no pai.

A sentença

O juiz Philip Harris-Jenkins, responsável pelo caso, disse no tribunal que Rory era um "jovem notável" que "subiu acima" de suas deficiências significativas. E que, pelo relatos, notou que comportamento havia mudado após o incidente em que ele foi ameaçado enquanto andava no parque, já que episódio parece ter aumentado sua sensação de vulnerabilidade. Ele disse que o réu teve muita sorte de seu pai, embora gravemente ferido, não ter perdido a vida. "A combinação de sua depressão, atrito em casa e um incidente no exterior levou você a fazer a decisão imprudente de adaptar uma lâmina de tesoura e colocá-la entre os dedos dos pés", disse o juiz. Ele acrescentou: "Tive muita sorte que a lesão não foi muito maior e custou a vida de seu pai - esse é o risco que as pessoas carregam." O'Connor foi condenado a um pedido comunitário de 12 meses com 100 horas de trabalho não remunerado e a um curso de reabilitação.

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